O vírus da gripe D é um agente patogénico pertencente à família Orthomyxoviridae que foi isolado pela primeira vez em 2011, nos Estados Unidos, em suínos com sintomas respiratórios, tendo sido inicialmente confundido com o vírus da gripe C devido à sua elevada proximidade genética. Investigações subsequentes demonstraram que se tratava de um género inteiramente novo e autónomo, estabelecendo os bovinos como o seu principal reservatório natural, embora o vírus consiga também infetar ovinos, caprinos e camelídeos de forma eficaz. Ao contrário dos vírus da gripe A e B, responsáveis pelas epidemias sazonais na população humana, e do vírus da gripe C, associado a quadros respiratórios humanos muito ligeiros, o vírus da gripe D não é considerado um patogénico humano, não existindo registos de doença clínica em ambiente comunitário. Estruturalmente, o seu genoma é composto por sete segmentos de ARN de cadeia simples de polaridade negativa e codifica a glicoproteína HEF (hemaglutinina-esterase-fusão), uma proteína multifuncional que desempenha simultaneamente as funções de ligação aos recetores celulares, fusão com as membranas e libertação viral, prescindindo da neuraminidase presente nos tipos A e B, que possuem oito segmentos genómicos. Embora vários estudos serológicos internacionais tenham detetado anticorpos contra a gripe D em trabalhadores da indústria pecuária, sugerindo que a exposição contínua ao gado pode resultar numa transmissão zoonótica assintomática, o vírus permanece classificado como uma ameaça exclusiva para a saúde animal, assumindo um papel de relevo no complexo de doenças respiratórias bovinas e exigindo uma vigilância epidemiológica constante no âmbito do conceito de Uma Só Saúde.
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