Sonia Regina Rosa de Oliveira Dias de Jesus (Rio de Janeiro, 1959), também conhecida como Sonia Rosa, é uma teórica da literatura, escritora, pedagoga, professora e contadora de histórias carioca. A teórica atua na rede pública do Município do Rio de Janeiro há mais de vinte anos. Conta que a leitura sempre fez parte de sua vida, desde pequena, e que a contação de histórias era um hábito, que a conduziu a criar as suas próprias narrativas. Em 2015, foi homenageada com uma moção, pelos 450 anos de Carioquice Feminina, na Câmara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro. No fim do ano de 1999, foi homenageada pelo então prefeito da Cidade do Rio de Janeiro o diploma "Orgulho Carioca", como reconhecimento de sua contribuição à Educação Pública Municipal. Em razão de sua atuação com a leitura e contação de histórias negroafetivas, foi homenageada com uma sala de leitura com seu nome na Escola Municipal Edmundo Lins, no bairro de Ramos, Rio de Janeiro, em 2000. Seu nome também está inscrito nas Salas de Leitura das Escolas Municipais José Pancetti (Realengo, 2002) e Marechal Trompwsky (Mangueira, 2007). A Sala de Leitura "O Menino Nito", nome de sua primeira obra, está localizada na Escola Municipal Miguel Gustavo, em Cordovil, também no Rio de Janeiro.

Educação e carreira Sonia Rosa é Mestre em Relações Étnico-Raciais, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ). Em suas obras, valoriza personagens negros, os quais são protagonistas de suas próprias histórias. A teórica tem colaborado com pesquisas em torno do Letramento Racial por meio da Literatura, sobretudo a literatura afro-brasileira. Alguns de seus livros foram contemplados pelo PNBE - Programa Nacional Biblioteca da Escola, do Governo brasileiro. Alguns dos seus livros estão editados na França, países africanos de língua francesa, Itália, Galícia, México, Canadá e Estados Unidos.

Sonia Rosa desenvolveu o conceito de literatura negroafetiva em sua dissertação de mestrado, defendida no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), pois as histórias de seus livros trazem personagens negros protagonistas, em uma representação que ela chama de “positiva” e “afetiva”. As narrativas são ilustradas por artistas diferentes em cada livro, que trazem situações familiares para abordar temas mais amplos da sociedade.

Obras

O menino Nito O menino Nito, de 1995 (com ilustrações de Victor Tavares, pela Pallas Editora), narra a história de um menino. A autora quis que fosse um menino negro. Escreveu esse enredo em 1988, mas apena o publicou em 1995. Pelo fato de ser negra, foi natural que suas narrativas girassem em torno de tramas e protagonistas negros.

Na história, o menino Nito, como era chamado, era muito sensível, o que não agradava o pai, pois entendia que homem não chorava. E assim a autora construiu uma narrativa em que o menino negro pode ser humano, sentir suas dores.

No capítulo "Racismo e antirracismo na literatura infantil da América Latina", parte da obra Mundos de Infancia. Literatura infantil, consumos culturales y vínculos familiares en Argentina, Brasil y Uruguay (siglos XIX al XXI), as autoras Alejandra Josiowicz, Luiza Silva e Ana Cristina Andrade dos Santos explicam como Sonia Rosa se vale de estratégias literárias para inserir o afeto como modo de valorização da criança negra.

Essa literatura negroafetiva cunhada pela teórica investe na desconstrução de paradigmas racistas e questiona a desumanização, a sexualização e a reificação das crianças negras através do amoroso.

Dona Brígida A história de Dona Brígida valoriza o amor e a fé de uma rezadeira. A cura é baseada no respeito aos mais velhos. A narrativa é contada por uma menina e ensina que há muita coisa que foge à compreensão humana. A força das palavras e o poder do amor são elementos capazes de curar.

O livro Dona Brígida é uma visita às memórias de infância de Sonia Rosa. A rezadeira Dona Brígida era uma senhora negra muito amada por todos os seus vizinhos. Com a força das palavras, sua fé e suas plantas, conseguia curar os que a procuravam.

Mesmo sem formação acadêmica, a personagem era a cuidadora, uma senhora que, com sua sabedoria ancestral, resgatava a humanidade das pessoas.

Prêmios e reconhecimentos

2015 - Homenageada com uma moção na Câmara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro pelos 450 anos de Carioquice Feminina.

Categoria:Escritores do Brasil