Delores Seneva Williams (17 de novembro de 1934 - 17 de novembro de 2022) foi uma teóloga presbiteriana e professora estadunidense notável pelo seu papel formativo no desenvolvimento da teologia mulherista e conhecida pelo seu livro Sisters in the Wilderness: The Challenge of Womanist God-Talk. As suas obras usam as experiências das mulheres negras como fontes epistemológicas, e ela é conhecida pela sua crítica mulherista das teorias de expiação. Ao contrário da teologia feminista, predominantemente praticada pelas mulheres brancas, e teologia negra, predominantemente praticada por homens negros, Williams argumenta que as experiências das mulheres negras geram perceções e questões teológicas críticas.

O livro de 1993 de Williams, Sisters in the Wilderness, ajudou a estabelecer o campo de teologia mulherista. Nele, Williams primariamente desenvolve uma re-leitura da figura bíblica Agar para iluminar a importância das questões de reprodução e barriga de aluguer na opressão das mulheres negras. Segundo Aaron McEmrys, "Williams oferece uma resposta teológica à corrupção das mulheres negras... O mulherismo é uma abordagem à ética, teologia e vida enraizada nas experiências das mulheres afro-americanas".McEmrys, Aaron (200). "Engaging the sacred wisdom of our sisters in the wilderness: A unitarian universalist/womanist dialogue". The Journal of Liberal Religion. 7 (1): 1–17.

O termo mulherismo foi cunhado por uma contemporânea de Williams, Alice Walker, usado no seu conto de 1979 "Coming Apart"Williams, Delores (1985). "Women's oppression and lifeline politics in black women's religious narratives". Journal of Feminist Studies in Religion. 1 (2): 59–71. e outra vez na sua coleção de ensaios de 1983 In Search of Our Mothers' Gardens.

Biografia Williams nasceu em Louisville, Kentucky, e cresceu no Sul rural numa família de Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ela formou-se da Secundária Central em 1950. Ela tornou-se parte da Igreja Presbiteriana quando se casou com Robert, um ministro da IP.

Delores Williams obteve o seu doutoramento em teologia sistemática do Seminário Teológico da União, e mais tarde tornou-se Professora Paul Tillich de Teologia Feminista na União. O seu título foi mais tarde mudado para Professora Paul Tillich de Teologia e Cultura. Depois da reforma, tornou-se professora emérita.

Os escritos de Williams ajudaram a desenvolver o campo de Teologia Mulherista. Em 1977, escreveu um artigo intitulado, "Womanist Theology: Black Women's Voices" (Teologia Mulherista: Vozes das Mulheres Negras), que Cheryl A. Kirk-Duggan assinala como sendo um "movimento seminal" no desenvolvimento do campo. Ela publicou Sisters in the Wilderness: The Challenge of Womanist God-Talk em 1993.

Williams publicou muitos artigos e capítulos em livros. Ela escreveu o oitavo capítulo de Transforming the Faiths of our Fathers: Women who Changed American Religion (2004), editado por Ann Braude.

Mulherismo O termo mulherismo desenvolveu-se do feminismo negro, e foi cunhado por Alice Walker. Na sua observação, Delores S. Williams assinala que o mulherismo e o feminismo negro são ambos "organicamente relacionados"Williams, Delores (1993). Sisters in the Wilderness. Orbis. p. xiv. ao feminismo branco; no entanto, ela observou que a maioria das feministas brancas lideravam movimentos que normalmente excluíam experiências e preocupações feministas e mulheristas negras.

Enquanto algumas mulheres brancas defendiam críticas mais radicais da opressão que incluíam raça, muitas mulheres brancas estavam centradas em obter igualdade individual e relacional com homens brancos como o meio de eliminar o sexismo. Para mulheres negras, não é só essa igualdade que iria incluir a eliminação do racismo e classicismo, algo que muitos feministas brancas não abordavam diretamente, mas também requeria uma redefinição da igualdade em primeiro lugar na vez de a misturar com obter a posição social do homem branco.

Como uma prática de pensamento, o mulherismo tenciona atender à particularidade e especificidade das experiências das mulheres negras para cultivar métodos e conceitos que são adequados à sua situação. O objetivo do movimento mulherista não era apenas eliminar desigualdades mas ajudar mulheres negras a reconectarem-se com as suas raízes na religião e cultura e para refletir e melhorar em "si, comunidade e sociedade".Sarah Pinnock, "Williams, Delores S.", em Bron Taylor (ed.), Encyclopedia of Religion and Nature, Vol.

Sisters in the Wilderness Em 1993, Williams publicou Sisters in the Wilderness: The Challenge of Womanist God-Talk. No livro, Williams usa a experiência de luta das mulheres negras como um lugar de princípio para análise bíblica, e explora temas da história de Agar na natureza selvagem. Ela utiliza a personagem bíblica de Agar, que era uma concubina de Abraão e serva de Abraão e da sua mulher Sara. Williams assinala semelhanças entre o papel de Agar como serva, dando luz a Ismael quando Sara e Abraão não eram capazes de conceber, e o papel das mulheres negras em cuidar de crianças brancas durante e depois da escravidão. A história bíblica da capacidade de Agar de sobreviver na natureza selvagem ressoou com muitas mulheres negras que encontraram a força para sobreviver e perseverar pela adversidade ao se apoiarem no seu Deus. Em particular, Williams assinala as formas de como a posição de Agar em relação a Sara era comparável aos papéis das mulheres negras como mães, ambas dentro das suas comunidades, e em relação ás mulheres brancas. Ela argumenta que o sistema de escravidão forçou as mães escravizadas a tomar os papéis de "proteger, fornecer a, resistir à opressão e liberar" os seus amados. Mas, como Agar, muitas mulheres negras foram forçadas a papéis de barrigas de aluguer em famílias brancas, forçadas a produzir crianças ou cuidar das crianças do mestre, e depois da escravidão, a trabalhar por salários baixos como trabalhadoras em casas de pessoas brancas.

Na segunda metade do seu livro, Williams examina como a perspetiva mulherista fornece perceções distintas à teologia. Williams argumenta que a experiência das mulheres negras tem sido ignorada na teologia, incluindo na teologia da liberação negra e na teologia feminista, e que a teologia mulherista, ao se centrar na experiência das mulheres negras, oferece uma corretiva importante. "O problema é um entendimento de relatos bíblicos sobre Deus que permite várias comunidades de mulheres e homens negros pobres, oprimidos ouvir e ver o fazer das boas notícias numa maneira que tem significado para as suas vidas."

Diálogo entre teólogas mulheristas e outras teologias de liberação Williams apoiava o diálogo entre feministas e mulheristas como também entre mulheristas e liberacionistas negras, teólogas feministas asiáticas, e teólogas mujeristas - para obter um bem maior. Enquanto não era ingénua em acreditar que apenas isto iria erradicar o racismo ou o sexismo, Williams descobriu que uma partilha diálogica de recursos era importante porque "todas as mulheres independente da raça ou classe, desenvolveram estratégias de sobrevivência que ajudaram [-nas a] chegar sãs aos [seus] presentes locais sociais e culturais.

Ela reconheceu que "existiram pouca ou nenhumas conversas entre mulheres para o propósito de trocar histórias sobre a natureza destas estratégias de sobrevivência". Ela afirmou no Journal of Feminist Studies in Religion: "nós mulheres feministas-mulheristas necessitamos de nos lembrar, comemorar, e erguer e subsequentes gerações de mulheres os eventos e ideias da resistência que deu à luz e manteve viva a luta do direito das mulheres... criar rituais resistentes que podem ser decretados quando feministas e mulheristas se encontram para partilhar estratégias de sobrevivência e planos de ataque sobre as mentalidades e práticas patriarcais e supremacistas brancas na vida institucional americana." Ao partilhar histórias de sobrevivência, novos recursos são desenvolvidos para a resistência.

Referências

Leitura adicional

McEmrys, Aaron (2006). "Engaging the sacred wisdom of our sisters in the wilderness: A unitarian universalist/womanist dialogue". Discourse: The Journal of Liberal Religion 7(1), 1–17. Pinnock, Sarah. (2005). "Williams, Delores S." Em Bron Taylor (ed.), Encyclopedia of Religion and Nature (Vol. 1, pp. 1751). Oxford University Press. Russell, Letty M. (1993). Church in the Round: Feminist interpretation of the church. Louisville, KY: Westminster John Knox Press. Williams, Delores S. (1993). "Visions, inner voices, apparitions, and defiance in nineteenth-century black women’s narratives". Woman’s Studies Quarterly (Vol. 21, pp. 81–89). New York: Feminist Press.

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