Os baraítas ou Bara () foram uma tribo árabe pertencente à confederação dos cudaaítas, que habitou o vale médio do rio Eufrates em torno do centro comercial e cidade santa árabe-cristã de Resafa, durante o final do Império Bizantino, e posteriormente a região de Hómece, na Síria, durante o período islâmico. Após converterem-se ao cristianismo e integrarem a confederação tribal dos gassânidas, federada ao Império Bizantino no final do , os baraítas receberam a incumbência de proteger Resafa. Participaram das coalizões árabo-bizantinas contra os primeiros muçulmanos em 8 A.H. (629), 12 A.H. (633) e 13 A.H. (634), convertendo-se ao islã após a conquista muçulmana da Síria. Nos séculos seguintes estabeleceram-se principalmente na Síria central, dando seu nome à cadeia montanhosa do .

História

Segundo o entendimento predominante entre os genealogistas e historiadores, os baraítas pertenciam à confederação tribal dos cudaaítas, embora uma tradição minoritária os considere um ramo dos judamitas. De acordo com a genealogia árabe tradicional, preservada por Ibne Abede Rabi, a tribo descendia de Bara ibne Anre ibne Alhafe ibne Cudaa. Segundo essa tradição, Bara teve cinco filhos — Auade, Cácite, Abada, Cácer e Adi —, cujos descendentes formaram os principais clãs da tribo. Inicialmente, os baraítas habitavam a região compreendida entre Iambo e Aila, mas posteriormente migraram para a costa do mar Vermelho, espalhando-se por uma extensa área entre o Alto Egito e a Abissínia, chegando, segundo a tradição, a exercer domínio sobre a Núbia. As informações sobre os baraítas durante o período pré-islâmico são escassas. Sabe-se, contudo, que integravam a confederação tribal árabe liderada pelos gassânidas, federada ao Império Bizantino no deserto da Síria. A tribo é mencionada num único verso conservado na coletânea Al-Mufaḍḍaliyyāt, que a situa em Resafa (Sergiópolis), importante entreposto comercial entre Palmira e Sura, na Mesopotâmia, onde também se encontrava o célebre santuário de São Sérgio, amplamente venerado pelas tribos árabo-cristãs federadas do Império Bizantino. O poema afirma: "Quanto aos baraítas, sabemos onde habitam; seu caminho em torno de Resafa é bem conhecido". Não se sabe exatamente quando os baraítas adotaram o cristianismo, embora a conversão provavelmente tenha ocorrido após sua incorporação ao serviço bizantino e sua aliança com os gassânidas, no final do . Antes disso, professavam o paganismo, conforme sugere um poema pré-islâmico no qual ridicularizam as "espadas cristãs" da tribo dos taglibitas. Segundo Clifford Edmund Bosworth, a conversão ocorreu por volta de 580, posteriormente à dos tanuquitas e dos taglibitas, seus vizinhos no médio Eufrates. Já Irfan Shahîd sustenta que os baraítas eram responsáveis pela defesa de Resafa e das rotas comerciais que convergiam para a cidade contra tribos beduínas não federadas e contra os lacmitas, protegendo ainda o santuário de São Sérgio e, possivelmente, assegurando o abastecimento da cidade.

Os baraítas integraram as forças árabes federadas do exército bizantino na Batalha de Muta, em 8 A.H. (629), quando os bizantinos derrotaram os primeiros exércitos muçulmanos. Após a Expedição de Tabuque, uma delegação de treze membros da tribo dirigiu-se a Medina, onde foi hospedada pelo companheiro e recebida por Maomé. Os integrantes da delegação converteram-se ao islã, permaneceram alguns dias aprendendo os princípios da nova religião e regressaram à sua terra com presentes oferecidos pelo profeta. Entretanto, nem toda a tribo abraçou imediatamente o islã. Em 12 A.H. (633), quando Calide ibne Alualide se aproximou de Dumate Aljandal, os cristãos da cidade solicitaram auxílio aos baraítas e a outras tribos árabes contra os muçulmanos. Diante das dificuldades enfrentadas por Iade ibne Ganme, Calide foi chamado em seu socorro e lançou uma incursão contra os baraítas, capturando seus rebanhos e outros bens. Nesse mesmo ano, os baraítas e outras tribos árabes aliadas do Império Bizantino foram mobilizados para enfrentar as tropas de Calide na Batalha de Dumate Aljandal, sendo derrotados. Voltaram a combater ao lado dos bizantinos durante a Batalha do Jarmuque e outras campanhas, juntamente com calbitas, tanuquitas, lacmitas, judamitas e gassânidas. Somente após a conquista muçulmana da Síria converteram-se coletivamente ao islã e migraram gradualmente para as planícies da região de Hómece. O geógrafo Iacubi registra que, no , os baraítas e os tanuquitas constituíam as principais tribos da região de Hamá. Na época em que Ceife Adaulá estabeleceu seu emirado no norte da Síria, durante o , o território dos baraítas situava-se na região montanhosa costeira entre Lataquia e Trípoli. A partir desse período, a cadeia montanhosa costeira da Síria passou a ser conhecida como , em referência à tribo.

Bibliografia

Categoria:Baraítas