Uádi Sirã ou Uádi Assirã (, lit. "vale de Sirã") é uma ampla depressão no noroeste da Península Arábica. Estende-se da província de Jaufe, na Arábia Saudita, em direção ao noroeste até a Jordânia. Historicamente, constituiu uma das principais rotas de comércio e transporte entre a Síria e a Arábia. Da Antiguidade até o início do , o controle do Uádi Sirã foi frequentemente disputado por diversas tribos árabes. O vale recebeu esse nome em referência à tribo dos , que migrou para a região em meados do .

Geografia

thumb|Localização de Uadi Sirã (indicado em árabe)

O Uádi Sirã é uma ampla depressão fechada que se inicia na província de Jaufe, na Arábia Saudita (525 metros de altitude), e se estende por 140 quilômetros em direção ao nordeste até a Jordânia, terminando nos poços de . Sua largura varia entre cinco e 18 quilômetros. Segundo o historiador Irfan Shahîd, "o termo uádi, que sugere uma passagem estreita, pode parecer inadequado" para o Uádi Sirã, uma "vasta planície rebaixada". O explorador tcheco Alois Musil descreveu-o como uma "planície baixa arenosa e pantanosa", pontuada por pequenas colinas.

História

O Uádi Sirã serviu historicamente como uma importante rota comercial entre a Arábia e a Síria. O rei assírio Assaradão empreendeu uma campanha contra as tribos Bazu e Cazu no Uádi Sirã durante o . A bacia continuou a desempenhar papel importante durante a época romana, ligando a província de Arábia Petreia à Península Arábica. Embora sua importância estratégica decorresse principalmente de sua função como corredor para o comércio e o transporte transarábicos, o Uádi Sirã também constituía uma importante fonte de sal. Sua extremidade norte era protegida pelo , enquanto a extremidade sul era defendida pela fortaleza de Dumate Aljandal. Em ambas foram encontradas inscrições que atestam a presença de tropas da III Legião Cirenaica, sediada em Bostra.

O Uádi Sirã foi a região a partir da qual os saliítas penetraram na Síria e se tornaram os principais federados árabes do Império Bizantino ao longo do . Quando os saliítas foram sucedidos pelos gassânidas no início do , o Uádi Sirã passou a ser dominado pelos aliados destes, os calbitas. Os gassânidas foram encarregados pelos bizantinos da supervisão da região após o imperador desmantelar a Fronteira da Arábia, sistema de fortificações guarnecidas que defendia as fronteiras desérticas orientais do império, por volta de 530. Na prática, gassânidas e calbitas substituíram o limes. O filarco gassânida Aretas atravessou a depressão a caminho de derrotar os tamimitas. Da mesma forma, Alcama, poeta daquela tribo, passou pelo Uádi Sirã para encontrar Aretas e pleitear a libertação de seu irmão do cativeiro. Após a conquista muçulmana da Síria em 634, a bacia tornou-se uma zona de fronteira frequentemente disputada entre os calbitas e seus parentes mais distantes dos alcainitas.

A planície recebeu seu nome atual após a migração da tribo dos , supostamente descendente dos calbitas, da região de Haurã para os arredores de Dumate Aljandal, por volta de 1650. Antes dessa migração, o Uádi Sirã era conhecido como Uádi Alasraque, em referência ao oásis de . Durante a Revolta Árabe, T. E. Lawrence escreveu a respeito do Uádi: "Descobrimos que Sirã não era um vale, mas uma longa falha que drenava as terras de ambos os lados e recolhia as águas nas sucessivas depressões de seu leito." No final do , os , uma tribo saudita, constituíam o principal grupo beduíno do Uádi Sirã. , emir da tribo entre 1904 e 1942, foi um dos signatários do entre o Emirado da Transjordânia e o , predecessores dos atuais Jordânia e Arábia Saudita, respectivamente. O tratado resultou na incorporação da maior parte do Uádi Sirã à Arábia Saudita, enquanto a Jordânia conservou o extremo noroeste da bacia, em torno de Asraque.

Bibliografia

Categoria:Uádis da Arábia Saudita Categoria:Geografia da Jordânia