Nas primeiras horas de 1º de abril de 2006, Brian Randall Shaffer (27 anos), um estudante americano da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Ohio, desapareceu em Columbus, Ohio, Estados Unidos. Ele havia passado a noite anterior, 31 de março, bebendo com amigos em um bar próximo ao campus para comemorar o início do recesso de primavera. Mais tarde, ele se separou deles, e eles presumiram que ele havia ido para casa.

Imagens da câmera de segurança da entrada do segundo andar registraram Shaffer conversando brevemente com duas mulheres pouco antes das 2h da manhã, antes de sair do campo de visão da câmera. Nenhum vídeo o mostra saindo do prédio, e ele não foi visto nem se teve notícias dele desde então. O caso recebeu atenção da mídia nacional.

O desaparecimento de Shaffer tem sido especialmente intrigante para os investigadores, pois o bar não possuía outras saídas públicas acessíveis na época, além de uma porta de serviço próxima. A polícia de Columbus explorou diversas teorias sobre o ocorrido. Algumas investigações se concentraram em um amigo que estava com o estudante naquela noite, embora ele tenha sido aconselhado a não se submeter a testes de polígrafo. Outras especulações incluíram uma possível ligação com um suposto assassino em série, mas a polícia descartou qualquer ligação com o indivíduo, em consonância com o FBI e outras agências. Também foi sugerido que Shaffer poderia estar vivo e vivendo em outro lugar sob uma nova identidade.

Antecedentes Brian Randall Shaffer nasceu em 11 de fevereiro de 1979 e cresceu em Pickerington, Ohio, um subúrbio de Columbus, sendo o mais velho dos dois filhos de Randy e Renee Shaffer. Ele se formou no ensino médio local em 1997 e ingressou na Universidade Estadual de Ohio (OSU) para sua graduação. Seis anos depois, graduou-se em microbiologia. Em seguida, começou seus estudos na Faculdade de Medicina da OSU em 2004. Durante seu segundo ano lá, em março de 2006, sua mãe faleceu de mielodisplasia. Os amigos de Shaffer dizem que, embora ele parecesse estar lidando bem com a situação, a morte dela foi muito difícil para ele.

Durante o período na faculdade de medicina, Shaffer envolveu-se romanticamente com outra estudante de medicina, Alexis Waggoner. Ela, juntamente com suas famílias e amigos, acreditava que ele provavelmente a pediria em casamento ainda em 2006, muito provavelmente em uma viagem a Miami que o casal havia planejado para o recesso de primavera no início de abril. Locais tropicais como Miami atraíam Shaffer; ele gostava do estilo de vida relaxado. O rapaz disse a seus amigos que, apesar de sua decisão de seguir carreira médica, sua verdadeira ambição era formar uma banda e fazer música ao estilo de Jimmy Buffett.

Desaparecimento Em 31 de março de 2006, as aulas na OSU terminaram para o recesso de primavera, que começou na noite de sexta-feira. Shaffer e seu pai, Randy, comemoraram a ocasião jantando bife no início daquela noite. O patriarca obsrvou que o filho parecia exausto por ter estudado a noite toda no início da semana, revisando para algumas provas importantes que se aproximavam. Randy não achava que o filho devesse sair com um amigo, William "Clint" Florence, mais tarde naquela noite, como havia planejado, mas não expressou suas reservas a ele.

Às 21h, Shaffer encontrou-se com Florence no Ugly Tuna Saloona, um bar no complexo South Campus Gateway, na High Street, em Columbus. Uma hora depois, Shaffer ligou para Waggoner, que havia retornado para sua casa em Toledo para visitar sua família antes de ela e Shaffer partirem para Miami. O casal foi de bar em bar, visitando vários outros estabelecimentos e seguindo até o Arena District. Em cada parada, os dois tomaram uma dose de bebida destilada cada um, de acordo com Florence.

Depois da meia-noite, Shaffer e Florence encontraram Meredith Reed, uma amiga de Florence, no The Short North. Reed deu uma carona para eles de volta ao Ugly Tuna Saloona, onde tinham começado a noite, e juntou-se a eles lá para uma última rodada. Shaffer separou-se dos seus companheiros enquanto os três estavam lá e foi visto pela última vez numa câmara de segurança do lado de fora do bar pouco antes das 2 da manhã.

Florence e Reed tentaram encontrar Shaffer, ligando repetidamente para ele. Eles saíram com outros clientes quando o bar fechou às 2h da manhã, esperando por Shaffer do lado de fora. Como ele não estava entre as pessoas que saíam, eles presumiram que o estudante havia retornado ao seu apartamento sem avisá-los. Waggoner e o pai de Shaffer tentaram ligar para ele mais tarde naquele fim de semana, mas ele não atendeu. Na manhã de segunda-feira, ele perdeu o voo para Miami que ele e Waggoner haviam reservado com bastante antecedência. O jovem foi então dado como desaparecido à polícia de Columbus.

Investigação A polícia iniciou a busca por Shaffer no Ugly Tuna Saloona, o bar onde ele havia sido visto pela última vez. Como a área ao redor do South Campus Gateway era um tanto degradada, com um alto índice de criminalidade, o prédio do Gateway, que abrigava o bar e outros estabelecimentos comerciais, havia instalado câmeras de segurança. Eles revisaram as imagens, que mostraram Shaffer, Florence e Reed subindo uma escada rolante em direção à entrada principal do bar à 1h15 da manhã. Shaffer foi visto do lado de fora do bar por volta de 1h55, conversando brevemente com duas jovens e se despedindo, antes de sair do campo de visão da câmera. A câmera não o registrou saindo logo depois, quando o Ugly Tuna Saloona fechou; essa foi a última vez que se sabe que Shaffer foi visto.

Os investigadores perceberam que era possível que Shaffer tivesse trocado de roupa no bar ou colocado um chapéu e mantido a cabeça baixa, escondendo o rosto da câmera. Ele também poderia ter saído do prédio por outra rota. Uma porta de serviço, geralmente não utilizada pelo público, ficava a uma curta distância de onde Brian foi visto pela última vez. Essa saída dava para um corredor no primeiro andar que, na época, dava acesso a uma área de construção com sua própria saída externa. Alguns policiais acreditavam que teria sido difícil passar por ali sóbrio, muito menos embriagado, como Shaffer provavelmente estava naquele momento. No entanto, as câmeras naquela área também podem ter perdido Shaffer; uma fazia uma varredura constante da área e a outra era operada manualmente.

Em seguida, os policiais analisaram as imagens de outros bares para ver se as câmeras de lá poderiam explicar como Shaffer havia saído do Ugly Tuna Saloona. No entanto, as imagens das câmeras de outros três bares próximos não mostraram nenhum vestígio dele.

A busca começou a se espalhar a partir do Ugly Tuna Saloona, com policiais, às vezes acompanhados por cães farejadores, vasculhando as ruas, inspecionando contêineres de lixo e outros recipientes de resíduos e perguntando aos moradores se tinham visto o jovem. Panfletos com sua foto, mostrando uma tatuagem em seu braço direito de um boneco palito com o logotipo da capa do single "Alive", do Pearl Jam, uma de suas bandas favoritas, e observando uma mancha distinta em uma de suas íris, foram amplamente distribuídos. A polícia chegou a convencer a cidade de Columbus a permitir que eles entrassem no sistema de esgoto para realizar buscas. Nenhuma informação útil foi descoberta. No apartamento de Shaffer, na King Avenue, a seis quarteirões do bar, seu carro ainda estava estacionado do lado de fora. Lá dentro, nada parecia fora do normal.

Após buscas a quilômetros de distância do Ugly Tuna Saloona em todas as direções, a polícia começou a considerar outras possibilidades além de um acidente ou crime. Como a mãe de Shaffer havia falecido recentemente, especulou-se que ele tivesse se afastado temporariamente para vivenciar o luto em solidão; no entanto, seu desaparecimento provou ser permanente. Nenhuma razão evidente surgiu para que ele tivesse desaparecido voluntariamente.

Aqueles que viram Shaffer naquela noite, incluindo seu pai, foram solicitados a fazer testes de polígrafo. Ele e Reed passaram nos seus, assim como todos os outros, enquanto Florence se recusou. As duas mulheres com quem Brian foi visto conversando pela última vez foram posteriormente identificadas; elas disseram em 2009 que nunca lhes foi solicitado que fizessem um.

Durante um longo período após o desaparecimento, Waggoner ligou para o telefone de Shaffer todas as noites antes de dormir. Normalmente, a ligação ia direto para a caixa postal, mas numa noite de setembro de 2006, o telefone tocou três vezes. "Continuei ligando só para ouvir, porque era um dos sons mais bonitos que já ouvi, mesmo que ninguém atendesse", escreveu ela em sua página no MySpace. A Cingular, operadora de celular de Shaffer, afirmou que o que Waggoner ouviu pode ter sido devido a uma falha no sistema. No entanto, um sinal do telefone foi detectado numa torre de celular em Hilliard, a 23 km a noroeste de Columbus.

A polícia recebeu muitas dicas, nenhuma das quais resultou em qualquer avanço no caso. Em um show do Pearl Jam, mais tarde naquele ano, em Cincinnati, o vocalista Eddie Vedder aproveitou um intervalo entre as músicas para pedir informações sobre o desaparecimento do estudante, mas nenhuma foi útil. Possíveis avistamentos em Michigan, Texas e até mesmo na Suécia foram investigados.

Randy Shaffer — que havia sofrido recentemente a perda da esposa —, continuou a busca pelo filho por conta própria. Uma "vidente" que ele consultou disse que o corpo de Shaffer estava na água perto de um pilar de ponte. Ele e Derek, irmão mais novo de Brian, juntamente com outros cidadãos que se interessaram pelo caso, compraram botas de cano longo e passaram grande parte do tempo livre às margens do rio Olentangy, que atravessa Columbus próximo ao campus da OSU, procurando em vão pelo corpo perto das pontes. Essa possibilidade também levou a polícia a considerar brevemente a teoria de um assassino estar envolvido, que foi bastante contestada. A polícia de Columbus acabou descartando qualquer ligação com um suposto assassino no caso de Shaffer, seguindo a linha da maioria das agências de aplicação da lei, incluindo o FBI, que investigaram o caso.

Morte de Randy Shaffer Em setembro de 2008, durante uma forte tempestade de vento, Randy Shaffer estava limpando detritos no quintal de sua casa em Baltimore, Ohio. Um galho se desprendeu de uma árvore próxima e o atingiu fatalmente. Os vizinhos encontraram seu corpo no dia seguinte e chamaram a polícia.

Após a publicação de seu obituário online, um livro de condolências foi disponibilizado. Uma das assinaturas dizia: "Para o papai, com amor, Brian (Ilhas Virgens Americanas)". Isso sugeriu que Brian poderia ter deixado Columbus para começar uma nova vida em outro lugar. No entanto, após uma investigação mais aprofundada, descobriu-se que a mensagem havia sido publicada a partir de um computador acessível ao público no Condado de Franklin; concluiu-se que se tratava de uma farsa.

Desenvolvimentos subsequentes Pouco depois da morte de Randy, Neil Rosenberg, o advogado de Florence, escreveu a Don Corbett, um investigador particular que se ofereceu para ajudar a família Shaffer a encontrar Brian, a respeito da recusa contínua de seu cliente em se submeter a um teste de polígrafo. Rosenberg insinuou que havia descoberto que a polícia de Columbus, responsável pela investigação do caso, acreditava que o estudante estava vivo: "Se Brian estiver vivo, que é o que me levaram a crer após conversar com o detetive envolvido, então é Brian, e não Clint [Florence], quem está causando dor e sofrimento à sua família", escreveu Rosenberg. "Brian deveria se apresentar e pôr um fim nisso". O advogado afirmou que seu cliente não tinha nada a esconder, já havia compartilhado tudo o que sabia desde o início e não via sentido em Florence fazer isso novamente.