Zir ibne Hubaixe (; Cufa, c. 583/4 — c. 701/2), também conhecido pela cúnia Abu Almutarrife, foi um tabi, especialista em leituras corânicas, tradicionalista e transmissor de hádices. Pertencente aos , ramo dos açaditas, viveu tanto na Jailia quanto no período islâmico, mas não chegou a conhecer Maomé, sendo classificado entre os mucadrames. Discípulo de Ali, Ubai ibne Cabe e Abedalá ibne Maçude, destacou-se como um dos mais importantes mestres das leituras corânicas de sua geração. Entre seus discípulos figuram , , e Alamaxe.

Sua tradição de leitura foi preservada por intermédio de Ácime e incorporada ao sistema das sete leituras canônicas do Alcorão, assegurando-lhe influência duradoura na história da recitação corânica. Além de sua atuação como especialista em leituras corânicas, Zir transmitiu hádices de diversos companheiros de Maomé, entre eles Omar, Ali, Abedalá ibne Maçude, Ubai ibne Cabe e Abedalá ibne Ume Maquetume. Considerado um transmissor confiável pelos estudiosos da tradição, teve seus relatos preservados nas seis coleções canônicas do islamismo sunita e em numerosas outras compilações.

Vida

Zir ibne Hubaixe nasceu em Cufa, provavelmente em 583 ou 584, cerca de trinta e nove ou quarenta anos antes da Hégira. Pertencia aos , ramo dos açaditas. Embora tenha vivido tanto na Jailia quanto no período islâmico, não chegou a conhecer Maomé, sendo por isso classificado entre os mucadrames. Recebeu ensinamentos sobre o Alcorão e as leituras corânicas de Ali, Ubai ibne Cabe e Abedalá ibne Maçude, tornando-se posteriormente um dos principais mestres dessa disciplina. Entre seus discípulos figuram , , , Alamaxe e outros estudiosos. Também transmitiu hádices de Omar, Ali, Abedalá ibne Maçude, Abederramão ibne Aufe, Ubai ibne Cabe, , , Abedalá ibne Ume Maquetume, Saíde ibne Zaíde e . Entre aqueles que narraram hádices por sua autoridade encontram-se , Ibraim Anacai, Ácime ibne Abi Anajude e . Zir destacou-se igualmente por seu domínio da língua árabe. Segundo as fontes, Abedalá ibne Maçude recorria ocasionalmente a ele para esclarecer questões linguísticas, enquanto Ácime ibne Abi Anajude declarou jamais ter conhecido pessoa mais eloquente.

Durante o califado de Otomão ibne Afane, integrou uma delegação de Cufa que viajou a Medina, motivado principalmente pelo desejo de encontrar-se com os companheiros de Maomé. Na cidade, aprofundou seus estudos com Ubai ibne Cabe e Abderramão ibne Aufe. Ao conhecer Ubai na Mesquita do Profeta, dirigiu-lhe um pedido para que o acolhesse como discípulo, iniciando uma longa relação de mestre e aluno por meio da qual ampliou seus conhecimentos não apenas sobre as leituras corânicas, mas também sobre a exegese e outras ciências do Alcorão. As fontes registram que Zir simpatizava com Ali, ao passo que seu contemporâneo inclinava-se em favor de Otomão ibne Afane. Apesar dessa divergência política, ambos mantiveram relações cordiais, frequentando a mesma mesquita sem discutir suas diferenças, e Abu Uail demonstrava especial respeito por Zir, que era mais velho. Zir ibne Hubaixe morreu em 701, aos 122 anos segundo a tradição mais difundida, embora algumas fontes situem sua morte em 702 ou atribuam-lhe idade ligeiramente diferente.

Legado

A importância de Zir ibne Hubaixe na história das leituras corânicas está diretamente ligada à transmissão de sua tradição por intermédio de Ácime ibne Abi Anajude. Dos dois principais discípulos de Ácime, preservou a leitura recebida de Zir, enquanto transmitiu a que Ácime aprendera com . Com a incorporação de ambas ao sistema das sete leituras canônicas, a tradição de Zir permaneceu preservada até a atualidade. O próprio Ácime afirmava jamais ter conhecido recitador mais qualificado do que seu mestre. Além de sua reputação como especialista em leituras corânicas, Zir destacou-se como tradicionalista de reconhecida confiabilidade.

Ibne Sade e classificaram-no como um transmissor fidedigno, e Ibne Hibane incluiu sua biografia em . Seus hádices figuram nas seis coleções canônicas do islamismo sunita e em numerosas outras compilações. Entre as tradições mais conhecidas transmitidas por sua autoridade está o relato de Ubai ibne Cabe segundo o qual a Noite do Destino corresponde à vigésima sétima noite do Ramadã. As fontes também preservam um episódio de sua correspondência com o califa Abedal Maleque ibne Maruane. Em carta dirigida ao soberano, Zir apresentou exortações e advertências de caráter moral e religioso. Segundo a tradição, o califa leu a mensagem em lágrimas e reconheceu a justeza dos conselhos recebidos.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Naturais de Cufa Categoria:Mucadrame Categoria:Tabis (islamismo) Categoria:Açaditas Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada