Lydia Muthoni Mwaniki é a Diretora do Departamento de Género, Mulheres e Juventude da Conferência de Igrejas de Toda a África (AACC). Ela é uma reverenda ordenada na Diocese de Nairóbi, Quénia da Igreja Anglicana do Quênia (IAQ). Mwaniki foi a primeira mulher a ser formalmente nomeada como candidata para Bispado na Diocese de Kirinyaga da IAQ em 2012. Ela é uma defensora de justiça de género no Quénia e pela União Africana (UA). Ela participou nas plataformas sobre justiça de género e empoderamento de mulheres e meninas das Nações Unidas e da UA. Mwaniki defende a participação de homens e juventude na luta contra a Violência Sexual e Baseada em Género e igualdade de género. Ela é também uma teóloga feminista pós-colonial, conhecida pela sua reinterpretação de textos bíblicos de género de maneiras inspiradoras que respondem aos papéis móveis de género na África e contribuem para a procura da justiça de género.
Educação e carreira Mwaniki obteve um PhD em teologia (Estudos do Novo Testamento e Género) da Universidade de Kwazulu-Natal, África do Sul, em abril de 2011 com a sua tese intitulada o Impacto da Igreja no Desenvolvimento da Identidade de uma Mulher Cristã Africana: Um Caso de Estudo da Diocese de Kirinyaga, Igreja Anglicana do Quénia. Ela obteve um Mestrado de Teologia em Cristianismo na África da mesma universidade em 2001. Ela obteve um certificado em Teologia e um Bacharelado em Divindade em 1989 e 1992 respetivamente, da St. Paul's United Theological College (agora Universidade St. Paul, Limuru). Os seus interesses de pesquisa são em teoria feminista pós-colonial e reinterpretar textos bíblicos sobre género, como 1 Coríntios 11:1-16, em maneiras inspiradoras para as mulheres e homens, dentro do contexto dos papéis móveis de género na África e a procura de justiça.
Mwaniki tem servido como a Diretora do Programa de Teologia, Vida Familiar, e Justiça de Género na Conferência de Igrejas de Toda a África desde agosto de 2015. Ela foi a editora Continental para a África em Teologia da Missão no projeto Comunhão Anglicana, que fez parceria com o Arcebispo da Cantuária, a Universidade de Durham, e a Church Missionary Society para escrever, criar uma rede, publicar, e interagir com teólogos no Norte global, para renovar a Igreja mundial, e para influenciar a sociedade. Ela trabalhou como palestrante no corpo docente de teologia na Universidade St. Paul no Quénia, onde ensinou Novo Testamento e cursos relacionados com género de 2010 a 2015. Ela participou nas plataformas sobre questões de justiça de género e empoderamento de mulheres e meninas das Nações Unidas e União Africana, como a Comissão sobre População e Desenvolvimento (CPD 51 e 52) em Nova Iorque. Ela é membro do comité de direção que desenvolve a nova Estratégia para Igualdade de Género e Empoderamento das Mulheres da UA. Ela também ajudou a organizar a participação de Líderes Religiosos na Cimeira de Nairóbi (ICPD25), em Nairóbi de 12 a 14 de novembro de 2019.
Defesa da justiça de género Mwaniki foi pioneira nas intervenções de Violência Sexual e Baseadas no Género, incluindo violência sexual contra crianças. Ela defende maior participação de homens e juventude na luta contra a violência e igualdade de género. Ela foi instrumental em criar um programa chamado "Defensores Masculinos pela Justiça de Género" na AACC, no qual homens em seis países africanos piloto falam sobre prevenir violência baseada em género. Como reverenda, ela refuta as interpretações bíblicas que reforçam disparidades de género na igreja e sociedade ao aplicar teoria feminista pós-colonial para ler e reinterpretar textos bíblicos sobre género, como 1 Coríntios 11:1-16, de formas inspiradores para mulheres e homens, dentro do contexto de papéis de género que mudam na África e a busca de justiça. Ela defende o acesso das mulheres à educação, treino teológico, recursos, e serviços de saúde, incluindo saúde sexual e reprodutora, para construir a sua capacidade para papéis de liderança e desenvolvimento na igreja e comunidade. Mwaniki preocupa-se com a situação das viúvas em África, inspiradas pelas ideologias religioso-culturais patriarcais.
Ministério Mwaniki acredita que o seu chamamento para o ministério começou antes do seu nascimento. Ela reconta que quando a sua mãe estava grávida de quatro meses, ela rezou que se a criança fosse um rapaz, ele iria servir na casa de Deus. No entanto, quando Mwaniki nasceu uma menina, a sua mãe abandonou o voto, acreditando que as mulheres não podiam servir na igreja. Mwaniki mais tarde refletiu sobre este paradoxo como sendo formativo na sua jornada, quando veio a aceitar o seu chamamento para o ministério. Ela cresceu na Igreja Anglicana do Quénia e experienciou um chamamento para o ministério depois da escola secundária durante um encontro de oração noturno. Encorajada pelo pároco da sua paróquia, ela juntou-se a uma faculdade teológica numa altura em que as mulheres não eram ordenadas. Apesar de lidar com desafios como discriminação de género na liderança da igreja, ela avançou na educação teológica. Como uma jovem líder da igreja, Mwaniki encontrou resistência incluindo ser excluída de reuniões e negada subsídios, refletindo uma oposição alargada do ministério das mulheres dentro da igreja. Estas experiências moldar o seu foco ministerial. Mwaniki foi mais tarde ordenada como pastora na Igreja Anglicana do Quénia. Ela foi a primeira mulher a ser formalmente nomeada como candidata para o Bispado da Diocese de Kirinyaga da IAQ em 2012. Ela tem desde de então combinado ministério pastoral com trabalho de advocacia, dando ênfase à justiça de género, educação teológica e empoderamento de mulheres na sociedade e igreja.
Prémios e reconhecimento Mwaniki recebeu o Prémio Lanfrac por Educação e Erudição do Arcebispo da Cantuária, Justin Welby em março de 2016. O prémio tem o nome de Lanfrac, Arcebispo da Cantuária de 1070 a 1089, que foi um estudioso e professor. O prémio foi dado pela sua interpretação devota e pós-colonial do Novo Testamento, defesa astuta de justiça de género, e articular felicidade em Cristo, que influenciaram líderes da Igreja e a educação e esperança de inúmeras mulheres pela África. O prémio é uma das maiores honras na Comunhão Anglicana, oferecido a pessoas que fizeram contribuições excecionais à igreja e sociedade.
Obras selecionadas
Mwaniki, L. (2023). Practicing Servant Leadership. The Quest for Biblical Servant Leadership: Insights from the Global Church, 92. Mwaniki, L. 2021. “The Plight of Widows in Africa: Resistance in the Struggle for Justice”. Em in Rage and Hope: 75 Prayers for a Better World. Ed. Chine MacDonald e Wendy Lloyd. Londres: SPCK (91–93). Mwaniki, L. (2021). Religion, Women's Reproductive Health, and Rights. Religion, Gender, and Wellbeing in Africa, 63. Mwaniki, L. (2019). Enhancing Theological Education for Women in Africa: The Role of African Women Theologians and the All Africa Conference of Churches. The Ecumenical Review, 71(4), 492–496. Mwaniki, L. 2019. “Women, Reconciliation and Mission in Africa: A Biblical Mandate.” Em Walking together: Global Anglican Perspectives on Reconciliation. Ed. Muthuraj Swamy e Stephen Spencer. Londres: The Secretary General of the Anglican Communion (69–85). Mwaniki, L. 2018. Gender & Imago Dei: A Postcolonial African Reading of 1 Corinthians 11:1-16. Pensilvânia: Borderless Press. Mwaniki, L. M. (2016). Gender and Sustainable Development in Africa: Implications for the Church. Mission Theology in the Anglican Communion. Mwaniki, L., & Mouton, E. (2015). From patriarchy to participatory freedom?. Living with dignity. African perspectives on gender equality, 343–378. Mwaniki, L. (2013). Ethnicity and the December 2007 Post-Election Violence in Kenya: A Postcolonial Examination and Theological Response. Our Burning Issues: A Pan African Response. Ed. Edison M. Kalengyyo, James N. Amanze, e Isaac Deji Ayegboyin. Limuru: Zapf Chancery, 185–201. Mwaniki, L. M. (2011). God's Image Or Man's Glory?: A Kenyan Postcolonial Feminist Reading of 1 Corinthians 11: 1-16. dissertação Doutoral , Universidade de KwaZulu-Natal, Pietermaritzburg. Mwaniki, L. M. (2010). Unveiling Paul: A postcolonial feminist examination of the construction of the Roman family and its influence on Pauline and contemporary Christians (1 Corinthians 11: 1–16). Journal of constructive theology, 16(1), 30–59. Mwaniki, L. M. (2001). The Impact of the Church on the Development of the Identity of an African Christian Woman: A Case Study of the Anglican Church of Kenya, Diocese of Kirinyaga, 1910-1999. dissertação Doutoral, Universidade de Natal, Pietermaritzburg.
Referências
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