Mercy Amba Ewudwiwa Oduyoye (née Yamoah; nascida a 21 de outubro de 1934) é uma teóloga metodista queniana conhecida pelo seu trabalho em teologias de mulheres africanas e antropologia teológica. Ela é a diretor do Instituto de Mulheres Africanas em Religião e Cultura no Seminário Teológico Trinity, Gana. Ela fundou o Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas no Gana em 1987 para promover visibilidade e publicar a agenda de teólogas africanas.
Vida inicial Mercy Amba Ewudziwa Oduyoye nasceu a 21 de outubro de 1934 de pais Acãs Charles Kwaw Yamoah e Mercy Yaa Dakwaa Yamoah em Brong Asante. Ela nasceu na quinta de cacau do seu avô em Amoanna, perto de Asamankese, Gana, como a mais velha de nove irmãos. O nome Ewudziwa é de origem acã e foi-lhe dado em honra do avô.
O seu pai era um ministro metodista ordenado e professor que se tornou no terceiro Presidente da Conferência da Igreja Metodista no Gana de 1973 a 1977. A sua mãe graduou-se da Escola para Meninas Wesley e foi uma ativista de mulheres e crianças na igreja. Oduyoye disse que vive do seu "fundo acã cristianizado".
Educação Oduyoye frequentou Mmofraturo, um internato metodista para meninas em Kumasi, Gana, onde cursos Bíblicos eram requeridos. Em 1959, Oduyoye matriculou-se na Universidade de Gana para estudar teologia. Ela obteve o seu Bacharelado em Teologia da Universidade de Gana em 1963, e continuou para a Universidade de Cambridge para o seu segundo bacharelado (1965) e o seu Mestrado de Artes (1969), ambos em teologia.
Oduyoye recebeu honoris causa da Universidade de Amsterdã (1991), Universidade do Cabo Ocidental (2002), Universidade Yale (2008), e da Universidade de Stellenbosch (2009).
Carreira Depois de acabar os seus estudos em Cambridge, Oduyoye ensinou no Seminário Teológico de Princeton, Universidade Harvard, Seminário Teológico da União, e na Universidade de Ibadã. Oduyoye é a Diretora do Instituto de Mulheres em Religião e Cultura do Seminário Teológico Trinity, Legon.
Oduyoye começou a ensinar numa secundária, e depois em faculdades. Depois de um breve período a ensinar numa escola de rapazes, ela juntou-se ao Corpo Docente do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade de Ibadã em 1975. Enquanto membro da Associação Ecuménica de Teólogos do Terceiro Mundo, ela criou a Comissão sobre Teologia da Perspetiva de Mulheres do Terceiro Mundo. Ela também participou num estudo de quatro anos (1977-1981) intitulado a "Comunidade de Mulheres e Homens na Igreja e Sociedade". Este estudo descobriu desigualdades nas comunidades da Igreja como também sexismo, racismo e classicismo na sociedade como um todo.
Além dos seus postos académicos, Oduyoye trabalhou para um número de organizações ecuménicas. De 1970 a 1973, trabalhou como Secretária da Juventude no gabinete Ibadã da Conferência de Igrejas de Toda a África. Ela trabalhou como Secretária da Educação da Juventude (1967-1979) e depois como Secretária Geral Adjunta (1987-1994) para o Conselho Mundial de Igrejas. Em 1989, ela serviu como presidente da Federação Mundial de Estudantes Cristãos e fundou o Círculos de Teólogas Africanas Preocupadas.
Oduyoye casou com Adedoyin Modupe Oduyoye em 1968, e viveram em Genebra até 1970. O seu marido era um graduado de Yale e Secretário Geral do Movimento Cristão Estudantil, do qual ela era membro. Ela despediu-se do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra em 1970 e mudou-se para a Nigéria, onde trabalhou como Secretária da Juventude da Conferência de Igrejas de Toda a África de 1970 a 1973. Ela deixou Conferência quando se tornou requerido que os seus trabalhadores residissem em Nairóbi
Em 2011, ela foi oradora na 9ª Palestra Memorial Anual Patricia Reif, IHM e apresentou "Mulheres e Violência em África: a Situação das Viúvas e a Resposta das Igrejas" na segunda-feira, 14 de novembro de 2011, no Teatro Mudd na Escola de Teologia Claremont.
Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas Em 1989, Oduyoye reuniu e lançou o primeiro encontro do Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas na Trinity College em Acra, Gana. Um Comité Internacional de Planeamento ajudou a planear o encontro. Setenta e nove mulheres juntaram-se de todo o continente africano para ver como podiam abordar o patriarcado, racismo, e sexismo enraizado tanto na cultura quanto na religião, um método teológico que Oduyoye desenvolveu em Harvard. As participantes chamaram-se o Círculo de Teólogas Africanas Preocupadas, evocando uma metodologia não-hierárquica e inclusiva. Enquanto o primeira grupo era primariamente cristão, o Círculo nutre "comunalidade", encontros cara-a-cara, que encorajam solidariedade na luta contra as múltiplas tradições religiosas que encontram expressão no continente africano.
Ao mesmo tempo, teologias feministas, murjistas, asiáticas e mulheristas estavam a entrar no discurso teológico. Teresia Hinga, que participou nesta primeira conferência do Círculo disse que Oduyoye estava frustrada ao não ver mulheres africanas a serem representadas em teologias de liberação globais. Oduyoye juntou 70 a 80 mulheres de todo o continente africano para ver como podiam abordar o patriarcado, racismo, e sexismo enraizado tanto na cultura quanto na religião. O principal objetivo do círculo é sistematicamente aplicar uma "suspeita hermenêutica" à religião e à cultura e promover publicações e pesquisa que facilitem injustiças, especialmente sexismo. O Círculo representa a "abordagem dialogal a tensões religiosas e culturais" na África e além.Hinga, Teresia (2002). "African Feminist Theologies, the Global Village, and the Imperative of Solidarity across Borders: The Case of the Circle of Concerned African Women Theologians". Journal of Feminist Studies in Religion. 18: 79–86.
Teologia de mulheres africanas Oduyoye é conhecida como a "mãe das teologias de mulheres africanas".
Oduyoye fala sobre a importância da afinidade matrilinear da sua formação queniana. No entanto, ela casou-se na afinidade patrilinear da cultura iorubá pelo seu marido nigeriano. Oduyoye não tem filhos.
Em 1948, Oduyoye experienciou a atmosfera da independência de Gana quando Gana boicotou bens europeus. O seu senso de Pan-africanismo aumentou, e ela foi particularmente influenciada pela asserção do Presidente Kwame Nkrumah de que a "Independência de Gana não significou nada se o resto de África não foi Independente". Além disso, as formas como a Europa subjugou a riqueza de Gana contradizia as experiências de Oduyoye sda quinta de cacau do seu avô de economia interconectada.
Durante o período de ensino de Oduyoye nos Estados Unidos, ela percebeu que as "pessoas que escrever sobre África e Cristianismo em África, não são africanos" e eram todos homens, tendo apenas a "face masculina em mente." Ela experienciou o movimento da teologia de liberação negra e encontrou a sua voz dentro da teologia de liberação; no entanto, a teologia de liberação não era sensível a questões feministas, especialmente para mulheres africanas. Ela viu o ênfase das teólogas feministas ocidentais sobre a sexualidade como uma reflexão imprecisa das prioridades das mulheres africanas. Nos Estados Unidos, Alice Walker e Mary Daly criavam consciência sobre mutilação sexual como uma preocupação primária para todas as mulheres. Ao contrário disto, Oduyoye diz que a teologia de mulheres da perspetiva africana dá ênfase a problemas de pobreza e discriminação.
Um segundo problema que Oduyoye identificou dentro da teologia feminista ocidental era uma representação singularmente positiva de missionários e do seu suposto benefício ás populações africanas. Ela perturba esta narrativa ao reconhecer cultura e tradições africanas que não conformam com os ideias ocidentais, e argumenta contra as tentativas dos missionários de apagar a cultura africana. Para Oduyoye, "a Bíblia não é cultura britânica ou cultura francesa ou cultura europeia." O seu trabalho sobre teologia de mulheres africanas procura expandir sobre teologias por homens africanos. Oduyoye viu a revitalização da teologia africana como "...um pré-requisito para outras independências."
Cristianismo e cultura indígenas Oduyoye responsabiliza as igrejas pelas suas contribuições ao patriarcado e sexismo, e argumenta que homens e mulheres tem estatuto igual perante Deus. Oduyoye defende a aceitação de Culturas indígenas africanas, que contêm recursos para pensar sobre o género para lá do patriarcado da cultura ocidental. Oduyoye encoraja as mulheres a reconhecer e reivindicar os seus papéis instrumentais em formar igrejas nas suas comunidades.
Oduyoye implicitamente oferece uma crítica cultural semelhante à teologia pós-colonial, que procura usar o pensamento cultural indígena para desafiar as normas ocidentais. Na assembleia de 1981 da Associação Ecuménica de Teólogos de Terceiro Mundo em Nova Deli, Índia, Oduyoye abordou o que chamou de "irrupção dentro de irrupção". Oduyoye baseia-se na hospitalidade e irmandade como recursos para solidariedade para ajudar pessoas no Sul Global que lidam com os efeitos de opressões partilhadas.
Obras
"Reflections from a Third World Woman's Perspective: Women's Experience and Liberation Theologies" em Irruption in the Third World the Challenge to Theology (1983) Hearing and Knowing: Theological Reflections on Christianity in Africa (Eugene: Wipf and Stock Publishers, 1986) , "Women and Ritual in Africa" em The Will to Arise: Women, Tradition, and the Church in Africa (1992) "Feminist Theology in an African Perspective" em Paths of African Theology (1994) Daughters of Anowa: African Women and Patriarchy (Maryknoll, NY: Orbis Books, 1999) , Introducing African Women's Theology (Cleveland: The Pilgrim Press, 2001) , Beads and Strands: Reflections of an African Woman on Christianity in Africa (Maryknoll, NY: Orbis Books, 2004) ,
Referências
Notas
Bibliografia
Amoah, Elizabeth (2006). "Preface". Em Isabel Apawo Phiri; Nadar, Sarojini (eds.). African women, religion and health: essays in honor of Mercy Oduyoye. Maryknoll, NY: Orbis Books. pp. xvii–xxii. ISBN 9781570756351. Chidili, Bartholomew Udealo (2003). The vision of Mercy Amba Oduyoye an African feminist theologian and educator: Pedagogy of human dignity (Tese). ETD Collection for Fordham University. Hinga, Teresia M. (2017). African, Christian, feminist: the enduring search for what matters. Maryknoll, NY: Orbis Books. ISBN 978-1-62698-249-9. Kwok Pui-lan (Spring 2004). "Mercy Amba Oduyoye and African Women's Theology". Journal of Feminist Studies in Religion. 20 (1): 7–22. JSTOR 25002487. Oduyoye, Mercy Amba (1997). "The African Experience of God through the Eyes of an Akan Woman". CrossCurrents. 47 (4): 493–504. JSTOR 24460601. Oduyoye, Mercy Amba (1995). Daughters of Anowa: African women and patriarchy. Orbis Books. ISBN 0-88344-999-4. OCLC 782239625. Oredein, Oluwatomisin (2016). "Interview with Mercy Amba Oduyoye: Mercy Amba Oduyoye in Her Own Words". Journal of Feminist Studies in Religion. 32 (2): 153–164. doi:10.2979/jfemistudreli.32.2.26. JSTOR 10.2979/jfemistudreli.32.2.26. S2CID 151907949. Oredein, Oluwatomisin (2023). The Theology of Mercy Amba Oduyoye: Ecumenism, Feminism, and Communal Practice. University of Notre Dame Press. ISBN 9780268205256.
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