Moáuia ibne Hudaije (; m. ), de nome completo Moáuia ibne Hudaije ibne Jáfena Açacuni Atujibi (), foi um companheiro de Maomé, comandante militar e estadista árabe. Pertencente à aristocracia dos quindaítas e primo materno de Alaxate ibne Caice, participou da Batalha do Jarmuque e da conquista muçulmana do Egito sob Anre ibne Alas. Estabeleceu-se posteriormente no Egito e destacou-se nas primeiras campanhas muçulmanas no Norte da África, comandando expedições à Ifríquia e conquistando diversos centros da região. Partidário de Otomão, após o assassinato do califa alinhou-se a Moáuia ibne Abi Sufiane contra Ali e participou da Batalha de Sifim. No Egito, tornou-se um dos principais opositores do governo de Ali e colaborou com Anre ibne Alas na conquista da província em 658. Participou da perseguição e captura do governador Maomé ibne Abi Becre, cuja morte lhe é atribuída por parte da tradição. Com o estabelecimento do Califado Omíada, retomou as campanhas na Ifríquia, onde utilizou como base de operações e participou da conquista de cidades como Susa, e Bizerta. Algumas fontes atribuem a Moáuia o governo do Egito entre 667 e 670, mas essa informação é rejeitada por outros historiadores, que atribuem o cargo a diferentes governadores, sobretudo Maslama ibne Mucalade. Moáuia morreu em Fostate, provavelmente em 52 A.H. (672). Seu filho Abederramão ibne Moáuia tornou-se um destacado estudioso egípcio e exerceu as funções de cádi e chefe da polícia.
Vida
Moáuia ibne Hudaije ibne Jáfena Açacuni Atujibi, também conhecido pelas cúnias Abu Nuaime e Abu Abederramão, pertencia à aristocracia dos quindaítas e era primo materno de Alaxate ibne Caice. Segundo a maioria dos estudiosos muçulmanos, foi um dos companheiros de Maomé, tendo encontrado o profeta e transmitido alguns hádices. Participou da Batalha do Jarmuque e, posteriormente, da conquista muçulmana do Egito sob o comando de Anre ibne Alás, após a qual permaneceu no país como integrante das forças muçulmanas de ocupação. Anre encarregou-o de participar do planejamento da fundação de Fostate e da distribuição dos bairros da nova cidade entre as tribos. Após a conquista de Alexandria, Moáuia foi enviado a Medina para comunicar a vitória ao califa Omar . Em 31 A.H. (652), participou da expedição contra a Núbia comandada por Abedalá ibne Sade, durante a qual perdeu um dos olhos. Seus êxitos militares levaram-no a receber funções de comando durante o califado de Otomão. Em 34 A.H. (654–655), realizou sua primeira expedição à Ifríquia, na qual tomou numerosas fortalezas e obteve grande quantidade de butim. Estabeleceu um acampamento militar junto a , uma elevação de 171 metros situada cerca de 12 quilômetros a noroeste da futura Cairuão, na estrada de . Ali permaneceu até seu regresso ao Egito. Durante a campanha, concedeu às tropas, como gratificação extraordinária, metade do butim depois de separar o quinto devido. A posição de Alcarne, que voltaria a servir-lhe como base de operações em campanhas posteriores, é considerada um precedente para a escolha da localização de Cairuão.
Depois de regressar ao Egito, Moáuia destacou-se como partidário de Otomão. No último ano do califado deste, entrou em conflito com , que havia assumido o controle de Fostate depois da partida do governador para Medina, iniciando a luta contra ele em Xaual de 35 A.H. (abril de 656). O assassinato de Otomão intensificou sua oposição aos adversários do califa morto, e Moáuia obteve de seus partidários um juramento destinado a assegurar a punição dos responsáveis por sua morte. Hostil a Ali, alinhou-se a Moáuia ibne Abi Sufiane, então governador da Síria, tornou-se um de seus principais partidários e desempenhou papel importante em seu acordo com Anre ibne Alas. Combateu no exército sírio na Batalha de Sifim e, posteriormente, regressou ao Egito. Ali, juntamente com Maslama ibne Mucalade, reuniu em os partidários de Otomão que se recusavam a prestar juramento de fidelidade ao governador nomeado por Ali. Durante o governo de Caice ibne Sade no Egito, Moáuia e seus partidários evitaram uma confrontação aberta, em razão do tratamento conciliador dispensado pelo governador e da manutenção de seus estipêndios. A situação mudou quando Caice foi substituído por Maomé ibne Abi Becre, que chegou a Fostate em meados do Ramadã de 37 A.H. (24 de fevereiro de 658) para governar em nome de Ali. Moáuia recusou-se a reconhecer sua autoridade e, juntamente com Maslama ibne Mucalade, passou a constituir um dos principais focos de oposição ao novo governador. Paralelamente, Moáuia ibne Abi Sufiane, empenhado em vingar a morte de Otomão e antecipando-se ao resultado da arbitragem decorrente da Batalha de Sifim, confiou a Anre ibne Alas a conquista do Egito. Moáuia ibne Hudaije participou então, sob as ordens de Anre, das operações que culminaram na derrota das forças de Maomé ibne Abi Becre e na tomada de Fostate.
Maomé mobilizou suas forças para enfrentar a invasão, entre elas um contingente comandado por , que foi morto em combate. Abandonado por suas tropas, o governador fugiu e escondeu-se, mas foi localizado por Moáuia ibne Hudaije. Segundo o relato apresentado por Pellat, Anre ordenou que o fugitivo fosse conduzido vivo a Fostate em consideração a seu irmão , que servia em suas fileiras, mas Moáuia recusou-se a obedecer e matou Maomé. Seu cadáver teria sido colocado dentro da pele de um asno e queimado; outra tradição afirma que sua cabeça foi enviada a Moáuia ibne Abi Sufiane e posteriormente exibida pelas ruas de Damasco. A responsabilidade pessoal de Moáuia ibne Hudaije pela morte de Maomé e pela queima de seu corpo é apresentada nas fontes como uma tradição, embora sua participação na perseguição e captura do governador seja destacada nos relatos sobre a conquista do Egito em 38 A.H. (658). Após o estabelecimento do Califado Omíada, Moáuia voltou a destacar-se nas operações militares no Norte da África. Em 45 A.H. (665), foi colocado por Moáuia ibne Abi Sufiane à frente de um exército enviado contra a Ifríquia, cuja autoridade muçulmana havia sido abalada durante as lutas que se seguiram à morte de Otomão. O contingente incluía alguns conhecidos companheiros de Maomé. Moáuia estabeleceu novamente sua base nas proximidades de Alcarne, cerca de 12 quilômetros a noroeste de Cairuão, e conquistou Susa, impedindo ainda que uma poderosa frota bizantina desembarcasse tropas no litoral da Ifríquia. No decorrer da campanha, apoderou-se de vários outros centros, entre eles Jalula e Bizerta, e mandou abrir numerosos poços nos territórios conquistados, alguns dos quais passaram a ser associados a seu nome.
As fontes apresentam divergências quanto ao número e à cronologia das campanhas de Moáuia na região. Pellat atribui-lhe três expedições à Ifríquia: a primeira em 34 A.H. (654–655), uma segunda datada, conforme as diferentes tradições, de 40 (660–661), 41 (661–662) ou 45 A.H. (665), e outra em 50 A.H. (670), esta última apoiada por um contingente de Medina comandado por Abedal Maleque ibne Maruane. Em todas elas, Alcarne teria funcionado em alguma medida como sua base de operações. A tradição também lhe atribui o envio de uma frota de duzentos navios contra a Sicília; as tropas teriam desembarcado na ilha, permanecido ali durante um mês e regressado com grande quantidade de butim e cativos. A historicidade dessa expedição, porém, é considerada incerta. Há igualmente divergência nas fontes sobre um suposto governo de Moáuia no Egito. Ibne Sade, Atabari e Ibne Alatir incluem-no entre os governadores da província, e Atabari situa seu mandato entre 47 e 50 A.H. (667–670). Pellat rejeita essa informação e atribui o governo nesse período a Maslama ibne Mucalade. Da mesma forma, historiadores particularmente ligados à história egípcia, como Alquindi e Ibne Tagribirdi, não incluem Moáuia entre os governadores e indicam que o cargo foi exercido nesses anos por Oteba ibne Abi Sufiane, Uqueba ibne Amir e Maslama. Özkuyumcu considera esta última tradição a mais provável. Moáuia estabeleceu-se posteriormente em Fostate, onde morreu. Pellat situa sua morte em 52 A.H. (672), embora registre uma tradição cronologicamente problemática segundo a qual ainda estaria vivo em 58 A.H. (678), quando teria recebido grandes honras de Moáuia I em Damasco e explicado ao califa sua recusa em aceitar uma nomeação para o governo do Egito feita por . Pellat considera evidente que há alguma confusão nessa tradição. Moáuia deixou pelo menos um filho conhecido, Abederramão ibne Moáuia, que se tornou um dos estudiosos de destaque do Egito e exerceu no país as funções de cádi e chefe da polícia.
Bibliografia
Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VII Categoria:Governadores do Califado Omíada Categoria:Generais do Califado Omíada Categoria:Tujibitas