Ume Hani binte Abi Talibe (; Meca, – depois de 670), também identificada nas fontes pelos nomes Faquita, Hinde ou Fátima, foi uma companheira e prima do profeta islâmico Maomé. Pertencia aos haxemitas, clã dos coraixitas, e era filha de Abu Talibe ibne Abede Almotalibe e Fátima binte Açade, sendo irmã de Ali, Jafar, Aquil e Talibe. Seu nome pessoal não é conhecido com segurança, razão pela qual é geralmente identificada por sua cúnia, Ume Hani. Antes do Islã, casou-se com , dos maquezumitas, com quem teve quatro filhos. As tradições divergem quanto ao momento de sua conversão: algumas a situam na Conquista de Meca, em 630, enquanto um relato que lhe é atribuído sobre o Isra e Miraje pressupõe que já fosse muçulmana anteriormente. Durante a conquista, concedeu proteção a dois homens ameaçados de morte por Ali, garantia posteriormente reconhecida por Maomé. Também participou da campanha de Caibar e recebeu uma parcela dos despojos. Ume Hani destacou-se ainda como transmissora de tradições atribuídas a Maomé, sendo-lhe creditados 46 hádices, preservados nas seis principais coleções canônicas sunitas e em outras compilações; 24 deles encontram-se no Musnade de Amade ibne Hambal. Entre os estudiosos e transmissores que receberam tradições atribuídas a ela encontram-se seu filho , Urua ibne Azobair e outros representantes da geração dos tabis.

Vida

Ume Hani nasceu em Meca e pertencia aos haxemitas, clã dos coraixitas. Era filha de Abu Talibe ibne Abede Almotalibe e de Fátima binte Açade, e irmã, entre outros, de Ali, Jafar, Aquil e Talibe. Seu nome pessoal não é conhecido com segurança, sendo identificada nas fontes como Faquita, Hinde ou Fátima. Hinde encontra algum apoio numa composição atribuída a seu primeiro marido, , que se dirige a ela por esse nome. Sua mãe converteu-se ao Islã pouco depois da morte de Abu Talibe, aproximadamente dois anos antes da Hégira, e havia participado dos cuidados de Maomé desde que este, aos oito anos, passou à tutela do tio. Antes do surgimento do Islã, Ume Hani casou-se com Hubaira ibne Anre, dos maquezumitas, seu parente pelo lado materno. Segundo uma tradição, Maomé também manifestou a Abu Talibe o desejo de casar-se com a prima quando Hubaira pediu sua mão, mas Abu Talibe preferiu o casamento com este último para renovar os vínculos de parentesco com a família materna. Ume Hani teve com Hubaira quatro filhos: Hani, Iúçufe, Omar e Jade. Quando os muçulmanos conquistaram Meca, em 630, Hubaira fugiu para Najrã e teria morrido ali sem se converter ao Islã.

As tradições divergem quanto ao momento da conversão de Ume Hani. Segundo um conjunto de relatos, ela aderiu publicamente ao Islã no dia da conquista de Meca. Naquele dia, Maomé teria ido à sua casa, realizado a e rezado oito . A oração foi posteriormente interpretada como , embora Ibne Alcaime Aljauzia a considerasse uma oração de agradecimento pela conquista. Outras versões situam o episódio quando Maomé ainda se encontrava na parte alta da cidade. Ume Hani teria então lhe informado que concedera proteção a dois homens ligados à família de seu marido, aos quais Ali pretendia matar. Maomé reconheceu a proteção concedida por ela, declarando que também garantia segurança àqueles a quem Ume Hani havia dado salvo-conduto. A identidade dos protegidos varia nas fontes: são mencionados Alharite ibne Hixame, irmão de Abu Jal, e , ou, alternativamente, Zuair ibne Abi Omaia, irmão de Ume Salama.

Ume Hani figura também entre os companheiros aos quais foram atribuídos relatos sobre o Isra e Miraje. Segundo uma tradição transmitida em seu nome, Maomé passou a noite do Miraje em sua casa, onde realizou a oração noturna e dormiu. Pouco antes da oração da manhã, teria despertado os moradores e lhes contado que, depois de rezar com eles em Meca, viajara até , onde também rezara, e retornara a Meca antes do amanhecer. Kandemir observa que, se essa tradição for aceita em sua cronologia habitual, ela indicaria que Ume Hani já havia aderido ao Islã antes da conquista de Meca e ocultado sua conversão por receio de Hubaira. Ume Hani participou ainda da campanha de Caibar, recebendo de Maomé uma parcela dos despojos. Depois que seu casamento com Hubaira deixou de subsistir, Maomé teria novamente proposto casamento a ela. Segundo a tradição, Ume Hani recebeu a proposta com satisfação, mas alegou que tinha vários filhos pequenos e receava que os cuidados exigidos por eles a impedissem de cumprir adequadamente suas obrigações conjugais ou que as crianças incomodassem Maomé. Este teria então elogiado as mulheres coraixitas por sua dedicação aos filhos. Outra tradição afirma que, posteriormente, foi Ume Hani quem propôs o casamento, mas Maomé respondeu que o versículo 33:50 do Alcorão, que lhe permitia casar-se com primas paternas que tivessem emigrado com ele, não se aplicava a ela por não ter realizado a Hégira de Meca.

Transmissão de hádices

Ume Hani era conhecida entre as mulheres coraixitas por sua capacidade de julgamento e eloquência, característica também atribuída a seu pai, Abu Talibe. É creditada com a transmissão de 46 hádices de Maomé, preservados nas seis principais coleções canônicas sunitas e em outras compilações. Vinte e quatro dessas tradições encontram-se no Musnade de Amade ibne Hambal. Entre os transmissores de suas tradições estavam seu filho , os filhos deste, Iáia e Urua, seus libertos Abu Murra e , e , liberto de Abedalá ibne Abas. Entre os tabis que transmitiram relatos seus encontram-se ainda Abederramão ibne Abi Laila, Mujaíde ibne Jabre, Atá ibne Abi Rabá e Urua ibne Azobair.

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Primos de Maomé Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Maquezumitas Categoria:Irmãos de Ali