O Afroetnomatemática Maré é um projeto que se compromete em articular o Ensino de Matemática com práticas pedagógicas inclusivas e socialmente comprometidas e referenciadas, principalmente trazendo em voga os contributos epistemológicos e metodológicos da cultura e filosofia africana nas práticas de ensino e aprendizagem do eixo matemático.

História O Projeto Afroetnomatemática Maré, que tem sua origem em 2022, no Complexo da Maré, localizado na Zona Norte do município do Rio de Janeiro, surge enquanto uma contrapartida ao escamoteamento sistêmico dos aportes filosóficos e epistemológicos africanos no campo do conhecimento da Matemática e à violência simbólica enfrentada por crianças e jovens negros nos espaços escolares. A iniciativa instiga a produção de processos educativos comprometidos com um resgate do passado, ancorado em perspectivas decoloniais de mundo, com um empenho com a realidade prática concreta do contexto em questão, entendendo as miríades de intercorrências interseccionais que atravessam esse espaço e esses sujeitos, e, também, com a construção de horizontes possíveis e pontes para o futuro.

A notoriedade deste projeto se sustenta pelo reconhecimento em diferentes instâncias pelo trabalho que vem sendo desenvolvido desde sua fundação. À guisa de citação, o projeto Afroetnomatemática Maré conta com verbete no "Dicionário das Favelas Marielle Franco", um projeto desenvolvido e organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Tal iniciativa também conta com participação no programa "Bom Dia Favela TV", da emissora Band Tv, em 2024, onde foram apresentados o propósito e os impactos deste projeto em questão. Além disso, o projeto também foi convidado pelo Pacto Global/ Rede Brasil: Unicef e Ashoka para compor a sessão intitulada "Aprendizagens e Convivências Antirracistas" no Festival LED - Luz na Educação em 2025.

Tendo por base o conceito do Adinkra africano Sankofa – "voltar ao passado para ressignificar o presente" –, os aportes metodológicos do projeto extrapolam as salas de aula, tendo por ponto de partida as narrativas históricas e culturais da negritude. Através da afroetnomatemática, este projeto reconhece e exalta a potência epistemológica afrocentrada, construindo metodologias pedagógicas que (re)conectam o ensino da matemática às identidades, histórias e culturas das populações negras.

Eixos de trabalho O Projeto Afroetnomatemática Maré possui quatro frentes de trabalho que, de forma articulada, atuam na construção de modos outros de ver e perceber o Ensino da Matemática, os quais consideram a primazia das contribuições africanas para a constituição deste campo de conhecimento. Tais eixos estão comprometidos em contribuir em processos formativos em diferentes instâncias, desde no campo acadêmico até no campo profissional de atuação docente no/do Ensino de Matemática.

Estes eixos estão estruturados como:

Formação de jovens e estudantes em Afroetnomatemática; Formação continuada de profissionais da educação, especialmente professores de matemática, educação infantil, ensino fundamental I e gestores; Incidência política, por meio do Fórum de Educação Matemática da Maré, para consolidar a implementação da Lei 10.639/03 no ensino de matemática; Formações com licenciandos em matemática em universidades públicas parceiras do Rio de Janeiro (UFRJ e UNIRIO).

Ver também

Afroetnomatemática Maré (@afroetnomatematica) • Fotos e vídeos do Instagram

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