SSA Mapping é um festival brasileiro de artes visuais e tecnologia realizado em Salvador, na Bahia, com programação centrada em videomapping, videoarte, performances audiovisuais e ocupação artística de espaços públicos. Criado em 2017, o evento utiliza fachadas de edifícios e monumentos da cidade como superfícies de projeção e reúne mostras, apresentações musicais, instalações, oficinas e passeios guiados.

Até 2024, foram realizadas cinco edições, cada uma associada a um conjunto arquitetônico ou espaço histórico diferente da capital baiana: o Palácio Rio Branco, o Fórum Ruy Barbosa, o Solar da Quinta do Tanque, a Basílica do Senhor do Bonfim e o Mercado Modelo.

História miniatura|O Palácio Rio Branco, cuja fachada recebeu a primeira edição do festival, em 2017

O SSA Mapping foi idealizado e produzido pela Baluart Produtora e pela Agência Ilimitado. Entre os idealizadores citados pela imprensa estão a produtora cultural Lívia Cunha e o produtor e diretor técnico Zé Enrique Iglesias. Iglesias descreveu a proposta como uma forma de percorrer Salvador e ocupar seus espaços públicos no período noturno, relacionando as obras projetadas à arquitetura e à memória dos territórios.

A primeira edição ocorreu em 2017, na Praça Municipal, com projeções sobre a fachada do Palácio Rio Branco. Em 2018, o festival transferiu-se para o Campo da Pólvora e utilizou o Fórum Ruy Barbosa como suporte para as obras. A segunda edição teve curadoria de Roberta Carvalho e incluiu uma mostra principal, uma mostra aberta, ações formativas, percursos urbanos e performances que combinavam música e imagem.

Após um intervalo, a terceira edição foi realizada em 2021 durante a pandemia de COVID-19. As projeções foram gravadas na fachada do Solar da Quinta do Tanque, sede do Arquivo Público do Estado da Bahia, sem presença de público, e transmitidas pela internet. A mostra aberta recebeu mais de 120 inscrições e selecionou 41 obras de artistas brasileiros e de outros países.

Em 2023, o SSA Mapping chegou à Cidade Baixa e projetou obras na fachada da Basílica do Senhor do Bonfim. A programação ocupou também o Doca1 — Polo de Economia Criativa e o entorno da Colina Sagrada. Segundo o jornal Correio, 58 obras foram apresentadas durante o fim de semana e cerca de sete mil pessoas compareceram no último dia.

A quinta edição, em 2024, foi realizada no Mercado Modelo e na Praça Maria Felipa, com atividades formativas na Casa das Histórias de Salvador. A programação anunciou 55 obras visuais e a participação de cerca de 180 artistas, distribuídos entre a Mostra Principal, a Mostra Aberta e a Mostra Especial. O portal Bahia Notícias estimou o público presente em cerca de dez mil pessoas na abertura das projeções no Mercado Modelo.

Formato e programação O festival combina três núcleos recorrentes: uma mostra principal com artistas convidados, uma mostra aberta selecionada por chamada pública e mostras ou intervenções especiais. As projeções são acompanhadas por ações de música-imagem, nas quais apresentações musicais e intervenções visuais são concebidas em conjunto. A programação também inclui oficinas de ferramentas audiovisuais, conversas com artistas, percursos por áreas históricas de Salvador, instalações interativas e atividades infantis.

Na edição de 2024, foram adotados recursos de acessibilidade como audiodescrição, interpretação em língua brasileira de sinais, protetores auriculares, mobiliário adaptado, banheiro acessível e área de acolhimento para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Artistas e convidados Ao longo das edições, o SSA Mapping reuniu artistas de videomapping, coletivos de arte urbana, músicos e grupos ligados às artes digitais. Em 2018, a mostra principal apresentou VJ Spetto, Bianca Turner, Fernando Velázquez e VJ Suave, enquanto a programação musical incluiu a banda Afrocidade com VJ Ani Haze e a Sanbone Pagode Orquestra com Roberta Carvalho.

Na edição virtual de 2021, participaram VJ Gabiru, o coletivo romeno MotionLab, Carol Santana, VJ Grazzi, Coletivo Multimanas, Weber Bagetti e o artista alemão Philipp Geist. A mostra principal contou ainda com participações vocais de Gilberto Gil e Fran; as performances de música-imagem incluíram Nara Couto, Lê Pantoja, Yan Cloud e o Coletivo Bonke Music. Em 2023, estiveram na programação, entre outros, Ani Ganzala, Erms, Isabela Seifarth, Kambô, Letícia RMS, Gerônimo Santana e Ilê Aiyê.

Em 2024, a Mostra Principal, com curadoria de VJ Spetto, reuniu o Coletivo Coletores, formado por Toni Baptiste e Flávio Camargo; VJ Bang e Bug Visuals; VJ Indução e VJ Koba; Fixxa Brasil e VJ Gabiru; Keila Sankofa e VJ Preto; e Luiza Prado, apresentada na programação pelo nome artístico Hifa Cybe, em colaboração com Sarah Ahab. Prado e Ahab assinaram a obra de videomapping Devir. A mesma edição incluiu ainda intervenções de VJ Spetto, Homem Gaiola e Marcelo Zig, apresentações da Igbadu — Orquestra de Berimbaus de Mulheres, da Aguidavi do Jêje e de Lazzo Matumbi, além de obras relacionadas ao Arquivo Zumvi e ao artista Jayme Fygura.

Edições EdiçãoAnoPrincipal local de projeçãoObservações1.ª2017Palácio Rio BrancoPrimeira ocupação do festival, na Praça Municipal.2.ª2018Fórum Ruy BarbosaRealizada no Campo da Pólvora, com curadoria de Roberta Carvalho.3.ª2021Solar da Quinta do TanqueEdição virtual, gravada na sede do Arquivo Público do Estado da Bahia.4.ª2023Basílica do Senhor do BonfimPrimeira edição realizada fora da região central de Salvador.5.ª2024Mercado ModeloProjeções na fachada do mercado e atividades na Praça Maria Felipa e na Casa das Histórias de Salvador.

Ver também Mapeamento de projeção Videoarte Arte digital Arte urbana

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