Ume Rafi Salma () foi uma companheira e serva de Maomé, conhecida sobretudo por sua atuação como parteira e enfermeira junto à família do profeta islâmico. Pouco se sabe sobre sua origem ou ascendência. Segundo diferentes tradições, teria sido inicialmente serva de Safia binte Abede Almotalibe antes de passar ao serviço de Maomé ou teria sido herdada por este de sua mãe. As fontes geralmente identificam a Salma que serviu Safia e aquela que serviu Maomé como a mesma pessoa. Salma casou-se com , liberto de Maomé, com quem teve pelo menos seis filhos. Tornou-se particularmente conhecida por seus serviços à família de Maomé: segundo a tradição, foi parteira e ama de leite de todos os filhos dele e parteira dos filhos de Fátima. Esteve ainda presente por ocasião da morte de Fátima e participou da preparação de seu corpo para o sepultamento. Sua própria data de morte é desconhecida, embora relatos preservados indiquem que sobreviveu a Maomé por algum tempo. Ume Rafi também figura como transmissora de hádices atribuídos a Maomé e Fátima. Parte das tradições transmitidas por ela trata de assuntos médicos, possivelmente em razão de sua experiência como parteira e enfermeira. Atabarani preservou treze relatos atribuídos à sua transmissão, dos quais dois são repetidos.

Vida

Pouco se sabe sobre a origem de Ume Rafi além de seu nome, Salma, e de sua cúnia. As fontes apresentam versões diferentes acerca de sua condição antes de passar ao círculo doméstico de Maomé. Segundo uma tradição, teria sido inicialmente serva de Safia binte Abede Almotalibe, tia paterna de Maomé, passando posteriormente ao serviço deste; outra afirma que Maomé a teria recebido como herança de sua mãe. Muitas fontes identificam a serva Salma de Safia e a serva Salma de Maomé como a mesma pessoa. Ibne Hajar criticou relatos que as tratavam como duas mulheres distintas, identificando a primeira como mãe de , e a segunda como esposa dele. Salma casou-se com Abu Rafi, liberto de Maomé. Abu Rafi emigrou para Medina depois da Batalha de Badre e, quando Alabás ibne Abede Almotalibe declarou publicamente sua conversão ao Islã, Maomé o libertou e o casou com Salma. O casal teve seis filhos mencionados pelas fontes: , Haçane, — também chamado Abedalá —, Mutamir — também chamado Almuguira —, Ali e Salma. Algumas fontes acrescentam Zainabe e Abederramão, embora seja considerado mais provável que este último fosse neto, e não filho, do casal. O filho Ali teria recebido seu nome do próprio Maomé, enquanto da descendência de Ubaide Alá provieram vários transmissores de hádices.

Ume Rafi tornou-se conhecida por servir Maomé e sua família e por exercer atividades de parteira e enfermeira. Segundo as tradições preservadas, foi parteira e ama de leite de todos os filhos de Maomé e também atuou como parteira dos filhos de Fátima. Em outro episódio, foi Ume Rafi quem levou a Zainabe binte Jaxe a notícia de que seu casamento com Maomé havia sido determinado por revelação. Uma tradição relata ainda que, certa vez, enquanto Abu Rafi rezava, Salma o advertiu de que deveria renovar a ablução depois de expelir gases. Depois de ser agredida pelo marido em razão da advertência, queixou-se a Maomé, que teria rido do episódio e dito a Abu Rafi que sua esposa apenas lhe recomendara o que era correto. Ume Rafi também esteve presente durante a última enfermidade e morte de Fátima e participou da preparação de seu corpo para o sepultamento. As fontes preservam relatos divergentes sobre as circunstâncias. Uma tradição afirma que, no dia de sua morte, Fátima realizou o gusl com a ajuda de Ume Rafi, vestiu roupas novas e pediu que seu corpo não fosse lavado novamente após morrer; esse relato, contudo, é considerado fraco. É tido como mais confiável o relato segundo o qual o corpo de Fátima foi lavado por Ali, Asma binte Umais e Ume Rafi.

A data da morte de Ume Rafi é desconhecida, mas há indícios de que tenha sobrevivido a Maomé por algum tempo. Segundo um relato, Haçane ibne Ali e Abedalá ibne Abas, então ainda jovens, pediram-lhe que preparasse um prato de que Maomé gostava, ao que ela respondeu que eles já não apreciariam aquele tipo de comida. O episódio é interpretado como indício de que Ume Rafi viveu por período considerável depois da morte de Maomé e testemunhou mudanças nas condições sociais de Medina. Ume Rafi transmitiu tradições atribuídas a Maomé e Fátima. Entre os que transmitiram hádices dela encontram-se seus netos Ubaide Alá ibne Ali e Abederramão. Parte das tradições que lhe são atribuídas trata de assuntos médicos, circunstância possivelmente relacionada à sua experiência como parteira e enfermeira. Atabarani reuniu em seu Al-Mu'jam al-Kabir treze relatos transmitidos por Ume Rafi, dois dos quais são repetições.

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Árabes do século VII