Os filhos de Maomé são os filhos e filhas atribuídos ao profeta islâmico Maomé. A visão mais difundida é que Maomé teve três filhos homens, Abedalá, Ibraim e Alcácime, e quatro filhas, Fátima, Rocaia, Ume Cultume e Zainabe. Todos teriam nascido de sua primeira esposa, Cadija binte Cuailide, com exceção de Ibraim, cuja mãe era Maria, a Copta. Nenhum dos filhos homens de Maomé alcançou a idade adulta, enquanto todas as suas filhas chegaram à idade adulta. Dentre elas, somente Fátima sobreviveu ao pai. Maomé também teve um filho adotivo, Zaíde ibne Harita, que alcançou a idade adulta. Algumas fontes xiitas duodecimanas sustentam que Fátima foi a única filha biológica de Maomé, invocando, entre outros argumentos, a idade avançada atribuída a Cadija. Essas fontes também destacam a relação mais próxima de Fátima com Maomé em comparação com Rocaia, Ume Cultume e Zainabe.

Visão sunita

Em ordem cronológica, a maioria das fontes sunitas relaciona os filhos do profeta islâmico Maomé da seguinte maneira: Alcácime Zainabe Rocaia Ume Cultume Fátima Abedalá Ibraim

Segundo a visão sunita, todos eram filhos de Maomé com sua primeira esposa, Cadija binte Cuailide, exceto Ibraim ibne Maomé, nascido de Maria, a Copta.

Visão xiita duodecimana

Segundo a estudiosa Kecia Ali, é improvável que Cadija, dada a idade avançada que tradicionalmente lhe é atribuída, pudesse ter dado à luz tantos filhos. Algumas fontes xiitas duodecimanas sustentam que Rocaia, Ume Cultume e Zainabe foram adotadas por Maomé após a morte de sua mãe, Hala, irmã de Cadija, enquanto outras afirmam que as três eram filhas de Cadija provenientes de um casamento anterior. Antes de se casarem sucessivamente com o muçulmano Otomão, Rocaia e Ume Cultume haviam sido prometidas ou casadas com politeístas, circunstância que alguns autores xiitas argumentam que Maomé provavelmente não teria permitido caso fossem suas filhas biológicas. Esses autores também apontam a ausência de evidências históricas de uma relação entre Maomé e Rocaia, Zainabe ou Ume Cultume comparável àquela registrada entre ele e Fátima. Segundo Hassan Abbas, a ideia de que Fátima teria sido a única filha biológica de Maomé pode constituir a posição predominante no xiismo. Valentina Fedele, contudo, restringe essa caracterização ao xiismo duodecimano, principal ramo do xiismo, enquanto Syed Akbar Hyder afirma que essa crença parece ser particularmente difundida entre os xiitas do Sul da Ásia.

Descendentes

Todos os filhos homens de Maomé morreram durante a infância, embora ele também tivesse um filho adotivo que alcançou a idade adulta, Zaíde ibne Harita. Alguns autores sugeriram que a morte precoce de seus filhos homens dificultou o estabelecimento de um sistema de sucessão hereditária após Maomé. Uma interpretação alternativa sustenta que, no Alcorão, os descendentes dos profetas anteriores figuram como seus herdeiros espirituais e materiais e que a sucessão desses profetas é determinada por escolha divina, e não pelos fiéis. As filhas de Maomé alcançaram a idade adulta, embora todas tenham morrido relativamente jovens, e apenas Fátima tenha sobrevivido ao pai. Fátima casou-se com o primo de Maomé, Ali ibne Abi Talibe, e foi através dela que a descendência de Maomé se difundiu pelo mundo muçulmano. Os descendentes de Fátima recebem os títulos honoríficos de saíde (lit. "senhor") ou xarife (lit. "nobre") e tradicionalmente desfrutam de consideração especial nas comunidades muçulmanas. Rocaia e Ume Cultume casaram-se sucessivamente com Otomão, enquanto Zainabe casou-se com Abu Alás ibne Arrabi, outro companheiro de Maomé. Ume Cultume não teve filhos, enquanto Rocaia deu à luz Abedalá, que morreu ainda criança. Zainabe teve um filho chamado , que também morreu durante a infância, e uma filha, Umama binte Abi Alás, com quem Ali ibne Abi Talibe se casou algum tempo depois da morte de Fátima, em 632. A atitude e o tratamento de Maomé para com seus filhos, preservados na literatura de hádice, são considerados pelos muçulmanos exemplos de conduta a serem imitados.

Bibliografia

Categoria:Filhos de Maomé