Frei e Vicente é um cantor e compositor português, nascido na ilha da Madeira. Categoria:Cantores da Madeira
Vida pessoal Frei e Vicente nasce na Madeira em 1943. Aos 14 anos vem para o Continente com a finalidade de prosseguir os seus estudos. Em Braga, acaba de crescer num ambiente sadio e franciscano, fascinado pelo Trovador de Assis.
Muito cedo evidencia qualidades vocais e começa a ser convidado para interpretar solos de Canto Gregoriano e de Música Polifónica.
Mais tarde, decide enveredar pela atividade de professor de música. Todavia, o seu sonho era de compor, idealizando uma carreira a solo.
Carreira 1973–1975: Primeiros anos Com o objetivo de se tornar um cantor e compositor, auxiliado pelo músico experiente Jorge Machado, Frei Vicente grava o seu primeiro disco "Monte Sinai" em 1973, para a etiqueta Parlophone, representada em Portugal pela Casa Valentim de Carvalho. Continua, então, com os trabalhos "Trigo Loiro" (1973), "Prece" (1974), "Ressurreição" (1975) e "Mateus Vinte e Cinco" (1975).
1975–1983: Ascenção Em 1975, quando conhece sua futura esposa Odette de Saint-Maurice, Vicente muda-se para a etiqueta Alvorada. Aqui, em finais de 1976, tendo a seu lado o músico orquestrador Rocha Oliveira, edita "Hino de Natal" e o seu primeiro álbum com as notáveis "Canções de Bem- Querer" — muito cantadas e divulgadas na Rádio.
Em meados de 1977, dá-se a primeira digressão aos Estados Unidos. De seguida, são editados os EPs "Vertente de Luz" e "Frei Vicente Canta Coimbra". Em 1978, grava o single "Vem Comigo e Luta" e o LP "Uma Pausa na Vida". Nesse ano, pede a dispensa das suas obrigações para com a Ordem Franciscana, deixa cair o Frei e passa a ser apenas Vicente, compositor e intérprete de canções.
Em 1979, Vicente produz outro álbum de grande qualidade artística e literária, com arranjos de Fernando Correia Martins. Vicente compõe para os versos de Afonso Lopes Vieira — gravação que mereceu da conceituada Música & Som uma interessante crítica. De seguida, canta a Madeira, sua Ilha Generosa. O Governo Regional da Madeira manifesta o maior interesse pelo disco e convida o seu artista a fazer uma digressão pela sua terra natal. Neste mesmo ano, há ainda espaço para, num single, Vicente cantar os Açores "Sapateia" e "Chamarrita".
Em 1980 grava "Barco Tardio", cuja divulgação também se fez nos tempos de Antena de Televisão, a partir de Lisboa e do Porto. Em finais deste mesmo ano, Vicente conquista o 1.º lugar no Festival de Vila Real, com a canção "Casa Simples com Varanda". Durante alguns anos, esta música fechava sempre as suas atuações, com o público a cantar e a aplaudir de pé.
Em 1982 produz a canção "Mas a Vida Continua", cujo êxito, em gravações sucessivas, perdura até hoje. Também edita o single "Emigrante em Férias / Cor-de-Rosa Linda Cor", canções com um enorme impacto junto dos emigrantes.
1984–1993: Internacionalização Em 1984, Vicente torna-se editor de si próprio, criando a etiqueta Vidisco. "Vem Comigo ao Norte / Devagar Devagarinho" marcam a sua estreia. Foram canções que passaram pelos arraiais mais representativos do Norte. O seu sucesso chegou também às Comunidades Portuguesas na digressão feita à França, Alemanha, Holanda e Reino Unido.
Seguiu-se "A Guitarra Está de Luto" e o "Hino à Batalha". Este, numa magnífica orquestração de José Calvário, para comemorar 600 anos da Batalha de Aljubarrota. Mantém o mesmo ritmo com "Óbidos Vila Infanta".
No dia 11 de Abril de 1986, no Auditório Frederico de Freitas da SPA, Vicente apresenta o seu "Navegante da Canção", LP que o Instituto de Apoio à Emigração aproveita para gravar um vídeo, destinado às Comunidades Portuguesas, com filmagens exteriores em muitos pontos do País. No Rádio Clube Português de Paris, o "Navegante" esteve durante três meses no top das canções mais solicitadas pelo público.
Em finais de 1986, há uma segunda saída para os Estados Unidos, tendo em vista uma apresentação na Televisão e um espetáculo para a Comunidade Portuguesa residente em Newark.
Em 1987, “Linho Novo" marca a sua estreia como orquestrador. Esta canção, com letra do poeta Cândido José de Campos, ficou nas 20 selecionadas para concorrer no Festival RTP da Canção de 1987. Só não foi selecionada para entrar no desfile, porque os senhores com poder de decisão resolveram, nesse ano, reduzir para 6 o número de canções a apresentar ao País.
Em 1988 produz o álbum "Sou Português, Canto o Fado". Vai buscar, para o acompanhar, Arménio de Melo e José Maria Nóbrega. A seguir, "Minha Casa e Meu Amor" — que denuncia já a sua partida para Óbidos.
Em 1988, é convidado a escrever o Hino do Cinquentenário da Aldeia Mais Portuguesa: Monsanto. O seu grupo de Adufeiras valorizou em muito esta obra. O poema é de Odette de Saint-Maurice. "Monsanto, Deus Te Proteja" é uma espécie de ex-libris do Rádio Clube de Monsanto que, desde essa altura, não cessa de o divulgar na sua antena.
Em Outubro de 1989, inicia com Odette de Saint-Maurice algumas digressões por escolas preparatórias. São as sessões Recreativas-Culturais que têm o seu epílogo em Maio de 1992. Em simultâneo, publica três álbuns com o título genérico de "Cantar Mais Português". Aqui, os instrumentos tradicionais eram incluídos de forma preferencial, emprestando às composições de Vicente um colorido mais ou menos popular...
1993–presente: coleções e homenagens Em 1993, após o falecimento da sua mais próxima (porque companheira e esposa), Vicente publica a coletânea "Vinte Anos de Canções", numa homenagem à Odette. Em 1994, grava "Amor e Saudade em Suave Mar". Neste mesmo ano, vai a Leiria, ao Teatro José Lúcio da Silva, celebrar "Vinte Anos de Canções". A partir de agora, Vicente, numa referência ao seu passado, passará a ser conhecido como Frei e Vicente.
Em 1995, outra colecção é lançada no mercado, desta vez, com o genérico "Portugal na Minha Voz" — reedições em cassete, repartida por 4 volumes, em simultâneo. Ainda neste ano, numa dupla com o poeta e fadista Oscar Martins Caro, grava "O Fado Nosso". Com ele, diversos espetáculos em Portugal e uma passagem a Paris. Muito divulgação no Rádio.
Em 1996, lança os "Cantares Tradicionais de Natal". Em 1997, orienta a edição do CD "Cantando Óbidos — 850 Anos de Portugal", onde inclui uma canção com música de sua autoria e versos do escritor Rafael da Silveira Malhão.
Em 1998, numa dupla com o poeta Cândido José de Campos, comemorando Vinte e Cinco Anos de Canções, edita o CD "Meu Cantar de Solidão".
Em 1999, tendo a seu lado Ana Cristina Reis, grava o CD "Crianças — 13 Temas Infantis", com música original de sua autoria e letras de diversos autores, em especial de Odette de Saint-Maurice. Relacionado que, muitas atuações nas escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico e três atuações interessantes no Madeirense.
Em 2000, reúne em coletânea CD alguns dos principais temas editados no decorrer dos Anos 80 e deu o título genérico de "Homenagem". Em 2001, continua a sua carreira e dirige "João Rocha Canta Odete de Saint-Maurice".
Em 2002, Frei e Vicente edita, depois de escolhidos e musicados 20 temas de 17 poetas que considera representativos da segunda metade do séc. XIX e primeira metade do séc. XX, vai para estudo, acompanhado pelo Prof. Luís Amadeu Marques Batalha e faz nascer "A Música dos Poetas".
Em 2008, lança o “Hino oficial da Liga dos Combatentes,” com a colaboração artística da Banda Sinfónica do Exército. A composição musical tem autoria atribuída a Frei e Vicente (com orquestração do sargento músico Victor Mesquita) e letra da escritora Odette de Saint-Maurice.
Em 2013, realiza um espetáculo na comemoração dos 40 anos de canções, em que apresenta a sua nova música "António, Santo Orador".
Em 2018, realiza o espetáculo "Uma visão romântica da vida Recital comemorativo do centenário do nascimento de Odette Saint Maurice". Este concerto foi o resultado do artista Frei e Vicente, também seu marido, ter musicado alguns dos seus poemas e os ter apresentado ao vivo.
Em 2023, edita "Madeira — Canções sem Tempo", um disco em homenagem à sua terra Natal.
Discografia Anos 70
Monte Sinai (1973) Canção do Amigo (1973) Prece (1974) A Voz as Canções a Mensagem (1973/1974) Ressurreição (1975) Vem à Festa dos Pobres (1975) EMI Hino de Natal (1976) Canções de Bem-Querer (1976) Responde a Pedidos Acompanhando-se à Viola (edição do artista, 1977) Canta Coimbra (1977) Vertente de Luz (1977) Uma Pausa na Vida (1978) Vem Comigo e Luta (1978) Fala o Poeta (1979) Chamarrita Sapateia (1979) Minha Ilha Generosa (1979) As Canções de Vicente (1979)
Anos 80
Barco Tardio (Alvorada-97-157 1980) Casa Simples com Varanda (1981) Mas a Vida Continua (1982) Emigrante em Férias (1982) Campinas do Meu País (1982) É Portugal a Cantar (1983) Vem Comigo ao Norte (1984) Vem Comigo ao Norte e Outros Êxitos (1984) A Guitarra Está de Luto (1984) Hino à Batalha (1985) Óbidos Vila Infanta (1985) Navegante da Canção (1986) Linho Novo (1987) Monsanto Deus Te Proteja (1988) Rosas Vermelhas para Adélia (1988) Sou Português Canto Fado (1988)
Anos 90
Cantar Mais Português (1990) Nasci na Ria de Aveiro (1991) Cantar Mais Português (Álbum Nº2) (1991) Romance de Vila do Conde (1991) Leiria dos Trovadores (1991) Cantar Mais Português (Álbum Nº3) (1991) Hino de Felgueiras (1992) Vinte Anos de Canções (1993) Amor e Saudade em Suave Mar (1994) Fado Nosso (1995) Portugal na Minha Voz (edição Vidisco - collect. 4 volumes, 1995) Cantares Tradicionais do Natal (1996) A Avezinha e o Mosteiro (Cantando Óbidos, 1997) Meu Cantar de Solidão (1998) Crianças (1999)
Anos 2000–2020
Homenagem (2000) João Rocha Canta Odette de Saint-Maurice (Ovação, 2001) (apenas música, arranjo e direção) A Música dos Poetas (2002) Harmonias à Terra e ao Mar (2005) Hino a Porto de Mós (2007) Mensagem de Assis na Rota dos Princípios (2008) Hino da Liga dos Combatentes (2008) Cantares tradicionais de Natal (versão alargada e à capela na voz de Frei e Vicente, 2011) Madeira Canções Sem Tempo (2023)
Referências
Categoria:Portugueses Categoria:Cantores Categoria:Compositores