O caso Discord de 2026 refere-se ao suicídio de uma menina de 13 anos, ocorrido em julho, transmitido ao vivo no Instagram e retransmitido em outras plataformas, incluindo o Discord. O caso culminou na suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil em 12 de agosto.

Caso Em julho de 2026, uma adolescente de 13 anos, que residia com os pais em Naviraí, Mato Grosso do Sul, transmitiu seu suicídio ao vivo no Instagram. A transmissão teve a tela gravada e foi retransmitida em diversas outras plataformas, incluindo o Discord. Em 4 de agosto, a Polícia Civil deflagrou uma operação para prender os suspeitos de induzir, coagir e ameaçar a jovem à automutilação e ao suicídio. Cinco adolescentes e um adulto de 18 anos foram detidos, apontando-se como líder do grupo criminoso um garoto de 14 anos. Os mandados foram cumpridos no Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro, com os envolvidos investigados por homicídio qualificado e organização criminosa. Na mesma transmissão, outra adolescente também teria sido induzida à automutilação e ao suicídio, mas abandonou a transmissão. Outros crimes correlatos também estão sob investigação, como maus-tratos a animais.

A investigação teve apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O secretário de Direitos Digitais do Ministério da Justiça afirmou que a pasta pretendia encaminhar à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um pedido de investigação contra o Discord e o Telegram em razão da morte da adolescente. As plataformas estejam apresentando falhas sistêmicas no cumprimento das leis implementadas para regulamentar o ambiente digital.

Reações No dia 6 de agosto, durante cerimônia no Planalto, Janja, primeira-dama do Brasil, afirmou que o Discord deveria ser retirado imediatamente do ar: "Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos ser mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Eu não consigo admitir um país desse."

Em 7 de agosto, a ANPD abriu um processo de fiscalização contra o Discord para apurar indícios de falhas na proteção de crianças e adolescentes, o que descumpriria o ECA Digital. Em reunião com a Advocacia-Geral da União, o Discord afirmou que apresentaria um plano de ampliação da proteção a menores de idade en sua plataforma.

Em 12 de agosto, a ANPD determinou a suspensão de transmissões ao vivo do Discord no Brasil, até que a "empresa comprove a adoção de medidas para proteger crianças e adolescentes". A medida começará a valer em até três dias úteis. Em resposta, o Discord disse que a transmissão não ocorreu em sua plataforma, e sim por outra, sendo apenas retransmitida para o Discord, já que o servidor onde os criminosos atuavam foi excluído antes da morte da menina.Em medida preventiva, ANPD determina que Discord suspenda transmissões ao vivo no Brasil. Foram identificadas falhas na implementação de medidas estruturais e procedimentos para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes - Em 18/08/2026 por GOV.BRUma carta à comunidade do Discord no Brasil - Discord

Consequências Em 19 de setembro, a reportagem da GloboNews identificou que pelo menos duas ferramentas continuavam disponíveis na seção nativa de "atividades" do Discord e permitiam a transmissão de vídeo e o compartilhamento de tela em tempo real no Brasil. A brecha foi identificada mais de um mês após a ANPD determinar a suspensão imediata de todas as transmissões ao vivo na plataforma no país. Em 21 do mesmo mês, o Discord afirmou que removeu da plataforma aplicativos de terceiros usados para contornar a suspensão dos recursos de vídeo no Brasil, determinada pela ANPD.

Ver também Caso Discord (2023)

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