miniaturadaimagem|Fotografia de Teresa Roza d'Oliveira Teresa Roza d’Oliveira (Ilha de Moçambique, 1945 – 2019) foi uma artista plástica moçambicana. A sua produção artística, marcada pela representação de figuras humanas e animais antropomórficos, desenvolveu-se sobretudo nos domínios da pintura, do desenho, da litografia e da gravura. Integrada na geração de artistas ligada ao Núcleo de Arte de Lourenço Marques, manteve contacto e colaboração com artistas como João Ayres, Bertina Lopes, José Júlio e Malangatana.

A sua trajetória esteve ligada ao ambiente artístico e político de Moçambique durante o período que antecedeu a independência do país. A partir de 1977 viveu em Portugal, embora tenha mantido relações com Moçambique e regressado ao país durante a década de 1990. Após a sua morte, a sua obra voltou a receber atenção através da integração do seu espólio em coleções e de exposições e leilões realizados em Portugal, França e Reino Unido.

Biografia Teresa Roza d’Oliveira nasceu em 1945 na Ilha de Moçambique, então território colonial português, no seio de uma família de origem portuguesa. Ainda durante a infância mudou-se com a família para Lourenço Marques, atual Maputo.

Frequentou o Núcleo de Arte de Lourenço Marques, onde estudou pintura. Entre os seus professores e referências encontravam-se Frederico Ayres, João Ayres e Bertina Lopes. Posteriormente frequentou também um curso de litografia e gravura na Sociedade Cooperativa Portuguesa de Gravadores. Ao longo da sua formação e carreira manteve contacto próximo com vários artistas moçambicanos, entre os quais José Júlio e Malangatana.

Começou a expor publicamente ainda no final da década de 1950. Entre as primeiras distinções encontram-se uma menção honrosa de pintura em 1959, o primeiro prémio de desenho em 1962 e o segundo prémio de pintura em 1964, tendo recebido posteriormente outras menções honrosas de pintura.

Vida pessoal e contexto político Durante a sua permanência em Moçambique, Teresa Roza d’Oliveira esteve envolvida no ambiente político e cultural que antecedeu a independência do país. Fontes sobre a sua trajetória referem a influência do movimento independentista na sua vida e na sua produção artística, bem como a sua proximidade com artistas que desempenharam um papel importante na cena cultural moçambicana.

Foi casada com o poeta Lourenço de Carvalho, com quem teve dois filhos. O casal separou-se no final da década de 1970. Em 1977, Teresa Roza d’Oliveira fixou-se em Portugal, depois de uma breve passagem pela África do Sul.

Na década de 1970, passou a viver com uma mulher, relação que se prolongou até à sua morte. Durante os últimos anos de vida viveu na aldeia do Meco, em Portugal, com a sua companheira, Maria Emília Moraes. Na década de 1990 permaneceu durante cerca de um ano em Moçambique.

Algumas fontes posteriores associam a sua vida pessoal e a sua defesa da igualdade de género à dimensão política da sua obra. A galeria Ed Cross Fine Art considerou que a sua relação com uma mulher contribuiu para o seu apagamento da história artística e política em que havia participado. Esta interpretação tem sido retomada em exposições e textos recentes sobre a artista.

Obra A obra de Teresa Roza d’Oliveira caracteriza-se pela utilização de figuras humanas e animais, frequentemente apresentados de forma antropomórfica, e por uma combinação de cores e formas que cria um universo de carácter simbólico e imaginativo. A sua produção é descrita como recorrendo a elementos poéticos e a imagens de carácter onírico.

As suas pinturas abordam frequentemente personagens, animais e situações de carácter alegórico. Segundo o curador Richard Gray, responsável pela exposição da artista em Londres em 2024, as obras apresentadas nessa mostra evocavam situações marcadas pela vulnerabilidade e pela dor e podiam ser interpretadas como representações de dramas da vida privada.

Entre as obras conhecidas da artista encontram-se pinturas como Camões (2011), realizada em óleo sobre tela, e diversas obras sem título produzidas nas décadas de 2000 e 2010. A sua produção inclui também trabalhos em desenho, litografia e gravura.

A sua produção artística desenvolveu-se num contexto marcado pela presença de importantes artistas moçambicanos, entre os quais Malangatana, Bertina Lopes e João Ayres. A proximidade com esse grupo colocou-a entre os artistas associados à renovação da produção artística em Moçambique durante o período colonial e após a independência.

Exposições Teresa Roza d’Oliveira realizou exposições individuais e participou em exposições coletivas em Moçambique, Angola, Portugal, Espanha e outros países. Entre os locais onde apresentou a sua obra encontram-se o Núcleo de Arte e a Sociedade de Estudos de Moçambique, em Lourenço Marques, o Centro de Cultura e Arte da Beira, a Galeria Moira, em Lisboa, a Galeria de Arte Lóios, no Porto, e instituições e espaços culturais em Lisboa, Porto e Maputo.

Entre as suas participações coletivas destacam-se exposições relacionadas com a independência de Moçambique, mostras de artistas moçambicanos e exposições dedicadas à produção artística de mulheres. Foi também convidada para a 3.ª Bienal de Pintura de Óbidos e participou na III Bienal de Gravura do Ceará, no Brasil.

A partir de 1977, depois de se estabelecer em Portugal, manteve uma presença regular no circuito artístico português. Durante as décadas de 1980, 1990 e 2000 apresentou obras em galerias, instituições culturais e exposições coletivas, incluindo a Biblioteca-Museu República e Resistência, a Galeria Paula Cabral, a Fundação Sousa Pedro e a Cooperativa Árvore.

Coleções A obra de Teresa Roza d’Oliveira encontra-se representada em diversas coleções institucionais e privadas. Entre as instituições que possuem obras suas encontram-se o Museu Nacional de Arte, em Maputo, o Museu da Cidade de Durban e o Museu de Pretória, na África do Sul, e a Casa-Museu Chissano, em Moçambique.

As suas obras também integraram coleções de instituições e empresas, incluindo a Universidade Eduardo Mondlane, o Banco Nacional Ultramarino, o Banco de Moçambique, o Banco Pinto & Sotto Mayor, o Banco de Fomento Exterior, as Linhas Aéreas de Moçambique, a Petromoc, a Portugal Telecom, a Cimpor, a Petrogal e os Petróleos de Angola. Obras suas integraram ainda o espólio artístico da escritora Natália Correia.

Em janeiro de 2022, mais de 30 obras de Teresa Roza d’Oliveira foram adquiridas pela Perve Galeria e integradas na coleção Lusofonias. A incorporação ocorreu no âmbito de uma iniciativa dedicada à produção artística dos países de língua portuguesa.

Redescoberta e reconhecimento póstumo Após a morte da artista, ocorrida em 2019, verificou-se uma renovada atenção à sua obra. Em 2022, trabalhos seus foram apresentados no VIP Lounge da feira AKAA — Also Known As Africa, em Paris, juntamente com obras da ceramista moçambicana Reinata Sadimba. Nesse mesmo ano, participou num leilão da casa francesa Piasa dedicado à arte moderna e contemporânea africana.

Em 2023, obras suas foram incluídas num leilão da Sotheby's em Londres e a sua produção foi apresentada na secção África em Foco da feira ARCO Lisboa. A artista também integrou exposições relacionadas com a produção artística de mulheres moçambicanas, nomeadamente em diálogo com a obra de Reinata Sadimba.

Em 2022, a Perve Galeria apresentou a sua obra no contexto da exposição Novas Lusofonias, realizada na própria galeria e na Casa da Liberdade — Mário Cesariny, em Lisboa. A mostra reuniu obras de artistas dos países de língua portuguesa e incluiu Teresa Roza d’Oliveira entre as aquisições recentes da coleção Lusofonias.

Em fevereiro de 2024 realizou-se em Londres a primeira exposição individual da artista no Reino Unido, na Ed Cross Fine Art. A exposição apresentou obras de diferentes períodos da sua produção e contribuiu para a divulgação internacional do seu trabalho.

Morte Teresa Roza d’Oliveira morreu em abril de 2019, aos 74 anos. Segundo o escritor Eduardo Pitta, que publicou um texto sobre a artista após a sua morte, a causa foi relacionada com problemas cardíacos.

Legado A trajetória de Teresa Roza d’Oliveira situa-se entre a história da arte moderna moçambicana e a diáspora artística desenvolvida em Portugal após a independência de Moçambique. A sua produção esteve associada ao ambiente artístico do Núcleo de Arte de Lourenço Marques e manteve relações com alguns dos principais nomes da arte moçambicana do século XX.

A valorização póstuma da sua obra, particularmente a partir da integração do seu espólio na coleção da Perve Galeria em 2022, levou à realização de novas exposições e à presença das suas obras em feiras e leilões internacionais. Esta recuperação tem também colocado em discussão a sua posição enquanto mulher artista e a relação entre a sua produção artística, a defesa da igualdade de género e a sua vida pessoal.

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