O Centro de Arte de Porto Príncipe, () também conhecido como Centro de Arte do Haiti, é uma escola e galeria de arte situada em Porto Príncipe, no Haiti. Foi fundado em 1944 pelo aquarelista estadunidense DeWitt Peters e vários artistas e intelectuais haitianos, como Maurice Borno, Albert Mangonès, Geo Remponeau, Jean Chenet e Gerald Bloncourt. Em 2010, o edifício do centro foi destruído pelo terremoto que atingiu o país e foi encontrada uma solução provisória para voltar a oferecer cursos. Em 2014, o centro foi reaberto em instalações provisórias, nas quais continua a operar até a atualidade.

História A instituição, fundada em 1944, permitiu recriar uma dinâmica que favoreceu o surgimento de um movimento artístico haitiano inspirado no movimento indígena, oferecendo formações e expondo artistas que se tornaram célebres mundialmente. O centro foi fundado pelo pintor e professor estadunidense Dewitt Peters, com alguns intelectuais e artistas haitianos, entre os quais destacam-se , , Geo Remponeau, Jean Chenet e , num momento em que ainda não existiam galerias de arte e em que já não existia escola pública de arte no Haiti. Dewitt Peters foi o seu primeiro diretor e Maurice Borno o primeiro presidente do conselho de administração. Inicialmente, o ensino no centro permaneceu acadêmico e influenciado pelas correntes ocidentais ou americanas.

Contudo, entre janeiro e fevereiro de 1945, um crítico de arte cubano, , esteve em Porto Príncipe, acompanhando uma exposição de artistas do seu país, organizada em conjunto com o Centre d'Art. Na ocasião, ele encontrou no acervo do centro uma pintura enviada ao estabelecimento por , pintor haitiano. A obra representa a visita do presidente americano Franklin D. Roosevelt ao Cabo Haitiano em 5 de julho de 1934 e foi adquirida pelo centro, mas, considerada uma tela de um artista amador, permaneceu armazenada sem ser exposta. José Gómez Sicre destacou essa criação, que lhe parecia particularmente interessante. Para ele, a tela inscrevia-se numa corrente de arte naïf já reconhecida na Europa e no continente americano. Estava previsto, na sequência dessa exposição de artistas cubanos em Porto Príncipe, que o Centro de Arte haitiano organizasse de forma recíproca em Havana uma exposição de telas de artistas haitianos. A direção do centro hesitava sobre a seleção de obras suscetíveis de interessar ao público cubano. Consultado, José Gómez Sicre sugeriu-lhes expor as obras de Philomé Obin e de artistas com estilo semelhante. A exposição foi realizada em abril de 1945 e foi a primeira exposição consagrada à pintura naïf do Haiti. esquerda|miniaturadaimagem|259x259px|Damballah La Flambeau, de Hector Hyppolite Impressionado com a acolhida dada a essa arte naïf dos pintores de rua, Dewitt Peters decidiu acolher, em complemento aos seus estudantes tradicionais, autodidatas a quem forneceu o material que lhes permitia expressar o seu talento. Uma primeira leva desses artistas começou a ter certa notoriedade, como , , Castera Bazile, , e Robert Saint-Brice. Galerias de exposição abriram e outras gerações de artistas surgiram, sendo este o início do movimento do "naïf haitiano".

O francês e surrealista André Breton, de passagem por Porto Príncipe, mostrou-se igualmente interessado nas criações de Hector Hyppolite. No fim do ano de 1946, Dewitt Peters decidiu promover prioritariamente essa arte naïf, o que confirmou num artigo que redigiu para um número da Harper's Bazaar, publicado em janeiro de 1947.

Outros artistas, como ou , ampliaram a paleta dos modos de expressão e permitiram conciliar a arte popular haitiana com a diversa evolução da arte contemporânea no mundo. O local tornou-se também, de forma duradoura, além de um lugar de formação artística, um centro de exposição de referência.

O ano de 1950 trouxe uma crise no do Centre d'Art: os artistas queixavam-se de discriminação, da exploração do seu trabalho e de uma predominância concedida à arte naïf. Vários artistas deixaram o Centre d'Art para constituir o Foyer des Arts Plastiques (FDAP), outro centro artístico mais ligado a um certo realismo social nos temas dos seus criadores e que animou a corrente pictórica haitiana durante a década de 1950.

Terremoto de 2010 O Centro de Arte foi destruído durante o Sismo do Haiti de 2010 e muitas obras de arte da sua coleção foram danificadas, assim como a , decorada pelos artistas do centro. O Instituto Smithsonian, bem como várias outras organizações locais e internacionais, associaram-se aos esforços de recuperação e conservação.

O centro retomou os seus cursos e oficinas de arte num espaço temporário a partir de 2012. Em dezembro de 2019, a instituição comprou uma grande casa de estilo Gingerbread no bairro de Pacot, em Porto Príncipe, com a ajuda de doadores como a Fondation de France. O centro planeja mudar-se para o novo endereço.

Leitura adicional

Ligações externas

Categoria:Construções do Haiti Categoria:Museus do Haiti Categoria:Artes do Haiti Categoria:Porto Príncipe Categoria:Arte naïf