Cabe ibne Adi ibne Hanzala Atanuqui (; m. ) foi um comerciante e diplomata árabe dos primeiros tempos do islã, tradicionalmente incluído entre os companheiros de Maomé. De origem iemenita, pertencia ao ramo Ibade dos tujibitas e era aliado dos tanuquitas de Hira. Antes do islã, dedicava-se ao comércio de tecidos juntamente com Omar e realizou diversas viagens a Alexandria. Pouco antes da morte de Maomé, integrou uma delegação enviada de Hira a Medina para obter informações sobre o profeta e, segundo as tradições que o consideram um companheiro, converteu-se ainda durante sua vida. Após a morte de Maomé, prestou juramento de fidelidade a Abu Becre e participou da Batalha de Iamama.

Conhecedor do Egito em razão de suas atividades comerciais, Cabe foi enviado tanto por Abu Becre quanto por Omar como emissário ao Almucauquis em Alexandria, sendo posteriormente inscrito no divã instituído por Omar. Participou da conquista muçulmana do Egito, estabeleceu-se no país e provavelmente morreu ali por volta de 25 A.H. (646). Sua condição de companheiro de Maomé foi discutida pelos biógrafos muçulmanos: Aldaabi considerou possível que pertencesse aos tabis ou aos mucadrames, enquanto Ibne Hajar julgou mais consistentes as tradições que o classificavam entre os companheiros.

Vida

Cabe ibne Adi ibne Hanzala Atanuqui provavelmente nasceu em Hira. Pertencia ao ramo ibadita da tribo iemenita dos tujibitas e era aliado dos tanuquitas, estabelecidos nas proximidades de Hira, razão pela qual aparece nas fontes tanto com a nisba Atanuqui quanto com a designação Alibadi. Durante a Jailia, dedicava-se ao comércio de tecidos juntamente com Omar, atividade que o levou a realizar diversas viagens a Alexandria. Pouco antes da morte de Maomé, em 11 A.H. (632), Cabe integrou uma delegação de quatro habitantes de Hira enviada a Medina para obter informações a respeito do profeta. Segundo os relatos que o incluem entre os companheiros de Maomé, converteu-se ao islã algum tempo depois. Após retornar a Hira, recebeu a notícia da morte de Maomé e, influenciado por parentes que haviam abandonado o islã, teria passado por um breve período de hesitação. Recuperou-se, porém, dessa crise, dirigiu-se novamente a Medina, prestou juramento de fidelidade ao califa Abu Becre e estabeleceu-se na cidade. Durante as Guerras da Apostasia, participou da Batalha de Iamama contra Muçailima.

A experiência adquirida em suas anteriores viagens comerciais ao Egito contribuiu para que Cabe desempenhasse funções diplomáticas durante os primeiros califados. Abu Becre enviou-o como emissário ao Almucauquis, referido nas fontes como Jureije ibne Mina e estabelecido em Alexandria. Sua atuação parece ter sido considerada bem-sucedida, pois Omar voltou a enviá-lo ao Almucauquis na mesma função em 15 A.H. (636). Em reconhecimento aos serviços prestados, Cabe foi incluído entre os beneficiários remunerados inscritos no divã instituído por Omar. Posteriormente, participou da conquista muçulmana do Egito e estabeleceu-se no país após a conquista. Acredita-se que tenha morrido no Egito por volta de 25 A.H. (646). As fontes mencionam um filho chamado Alcama. A condição de Cabe como companheiro de Maomé foi objeto de divergência entre os biógrafos muçulmanos. É-lhe atribuída uma única tradição, transmitida por um único narrador. Adaabi, apoiando-se em relatos segundo os quais Cabe não teria se convertido ao islã durante a vida de Maomé, considerou que deveria ser classificado entre os tabis ou entre os mucadrames, isto é, aqueles que viveram tanto na época pré-islâmica quanto no período islâmico sem terem sido companheiros de Maomé. Ibne Hajar, por outro lado, considerou mais consistentes os relatos que situavam sua conversão ainda durante a vida de Maomé e, por isso, incluiu-o entre os companheiros.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VI Categoria:Tujibitas Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Conquista muçulmana do Egito Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo