Nuaime ibne Abedalá (), conhecido pelo epíteto Anaame (), foi um companheiro de Maomé e um dos primeiros convertidos ao islã. Pertencia aos aditas, ramo dos coraixitas de Meca, e era conhecido por sua riqueza e pelo auxílio que prestava aos pobres, viúvas e órfãos. As tradições o apresentam como um dos dez primeiros muçulmanos ou como o trigésimo oitavo a se converter. Segundo relatos transmitidos por Ibne Isaque e Ibne Hixame, desempenhou papel nos acontecimentos que levaram à conversão de Omar ibne Alcatabe, ao revelar-lhe que sua irmã Fátima e seu cunhado Saíde ibne Zaíde já haviam abraçado o islã. Apesar de sua conversão precoce, Nuaime permaneceu em Meca sob a proteção de seus parentes e somente emigrou para Medina na época do Tratado de Hudaibia, acompanhado por quarenta membros de sua família. A partir de então, participou de todas as campanhas militares de Maomé e foi enviado aos cabitas como coletor do zacate. Também transmitiu dois hádices atribuídos ao profeta. As fontes divergem sobre sua morte: segundo uma tradição, morreu na Batalha de Muta, enquanto outra afirma que foi morto combatendo os bizantinos na Batalha de Ajenadaim, durante o califado de Omar.

Vida

Nuaime ibne Abedalá pertencia aos aditas, ramo dos coraixitas, e sua mãe era Faquita binte Harbe Aladauia. Era conhecido pelo epíteto Anaame, associado, segundo a tradição, a um ruído ou chiado que apresentava no peito, provavelmente decorrente de dificuldade respiratória. Relata-se que Maomé teria afirmado ter ouvido no paraíso o ruído do peito de Nuaime, anunciando-lhe assim sua entrada no paraíso. As fontes divergem quanto à posição de Nuaime entre os primeiros convertidos ao islã, apresentando-o tanto como um dos dez primeiros muçulmanos quanto como o trigésimo oitavo a se converter. Segundo relatos transmitidos por Ibne Isaque e Ibne Hixame, Nuaime desempenhou um papel nos acontecimentos que antecederam a conversão de Omar ibne Alcatabe. Quando Omar, incitado pelos politeístas de Meca, decidiu matar Maomé e partiu à sua procura, encontrou Nuaime no caminho e revelou-lhe sua intenção. Nuaime advertiu-o de que os abedemanafitas não o deixariam vivo caso matasse Maomé e revelou que a própria irmã de Omar, Fátima, e seu marido, Saíde ibne Zaíde, haviam se convertido ao islã. A revelação levou Omar a dirigir-se à casa do casal e desencadeou os acontecimentos que, segundo a tradição, culminaram em sua própria conversão.

Nuaime figurava entre os homens ricos de Meca e era conhecido por prestar auxílio aos pobres, viúvas e órfãos. Por esse motivo, seus parentes e outros notáveis da cidade procuraram convencê-lo a não emigrar e lhe garantiram que poderia permanecer em Meca e viver como desejasse sob sua proteção. Nuaime permaneceu na cidade até a época do Tratado de Hudaibia, quando emigrou para Medina acompanhado de quarenta membros de sua família. Segundo a tradição, Maomé o recebeu com um abraço e um beijo e observou que o povo de Nuaime o havia tratado melhor do que os próprios conterrâneos do profeta, pois estes o haviam expulsado e tentado matá-lo, enquanto os parentes de Nuaime o haviam protegido de perseguições. Nuaime teria respondido que, enquanto os coraixitas haviam levado Maomé à obediência a Deus e à luta contra seus inimigos, seus próprios parentes o haviam impedido de emigrar e de obedecer a Deus. Após o Tratado de Hudaibia, Nuaime acompanhou Maomé em todas as suas campanhas militares e, em certa ocasião, foi enviado aos cabitas como coletor do zacate. Transmitiu dois hádices atribuídos a Maomé. Há relatos segundo os quais morreu na Batalha de Muta, em 629, mas outras tradições situam sua morte durante o califado de Omar, quando teria sido morto combatendo os bizantinos na Batalha de Ajenadaim.

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VI Categoria:Muçulmanos envolvidos nas guerras bizantino-árabes Categoria:Generais do Califado Ortodoxo Categoria:Aditas (coraixitas) Categoria:Tratado de Hudaibia