Os tujibitas () foram uma tribo árabe de origem quindaíta, estabelecida originalmente no Hadramaute, no sul da Península Arábica. Descendiam de Adi e Sade, filhos de Axerace ibne Xabibe ibne Sacune, mas receberam seu nome de sua mãe, Tujibe binte Saubane ibne Sulaime, pertencente aos madijitas. Já convertidos ao islã, enviaram uma delegação de treze homens a Maomé em Medina em 630 e permaneceram fiéis após sua morte durante as Guerras Rida. Posteriormente participaram da conquista muçulmana do Egito, onde membros da tribo se estabeleceram e exerceram funções administrativas e judiciais durante os períodos omíada e abássida.
Os tujibitas participaram também das conquistas do Magrebe e do Alandalus, adquirindo neste último uma importância política particularmente significativa. Estabeleceram-se sobretudo na Marca Superior, no vale do Ebro, onde dominaram cidades como Saragoça, Daroca, Calataiude e Huesca e, a partir do final do , tornaram-se uma das principais famílias aristocráticas da região. Durante a desagregação do Califado de Córdova, um de seus ramos estabeleceu a Taifa de Saragoça, que governou até 1039, quando foi substituído pelos húdidas. Outro ramo, os , estabeleceu posteriormente a Taifa de Almeria. A influência dos tujibitas sobreviveu à perda desses domínios, e a nisba Atujibi continuou documentada entre os muçulmanos do nordeste da Península Ibérica mesmo após a conquista cristã de parte da região.
Origens
Os tujibitas eram um ramo dos quindaítas, tribo catanita originária do Iêmem. Descendiam de Adi e Sade, filhos de Axerace ibne Xabibe ibne Sacune, pertencente aos , um dos principais ramos quindaítas. A designação Banu Tujibe, contudo, derivava da ascendência materna dos dois irmãos: sua mãe, Tujibe binte Saubane ibne Soleime, pertencia aos madijitas, e seus descendentes passaram a ser conhecidos pelo nome dela. Antes do advento do islã, a tribo habitava o Hadramaute, no sul da Península Arábica.
História
Primeiros tempos islâmicos
Em 9 A.H. (630), uma delegação de treze tujibitas chegou a Medina. Segundo a tradição, os integrantes trouxeram consigo o zacate de seus bens para entregá-lo a Maomé, que lhes ordenou que o levassem de volta e o distribuíssem entre os pobres de sua tribo. Os tujibitas responderam que a quantia correspondia ao excedente que restara depois de atendidos os necessitados, deixando-a então com o profeta. O episódio é apresentado como indício de que os tujibitas já haviam adotado o islã antes de sua chegada a Medina. Maomé teria demonstrado satisfação com a conduta da delegação, conversado pessoalmente com seus integrantes e encarregado Bilal ibne Rabá de hospedá-los. Durante sua permanência na cidade, os tujibitas fizeram perguntas acerca do Alcorão e da suna e receberam as respostas por escrito. Quando a delegação decidiu regressar, Maomé teria pedido que permanecesse por mais algum tempo e, por ocasião da despedida, presenteou seus integrantes e orou por eles. Mandou ainda chamar um jovem que havia permanecido cuidando dos camelos da comitiva; ao contrário dos demais, este pediu apenas que Maomé orasse por ele, embora o profeta também determinasse que recebesse um presente. Os tujibitas voltaram a encontrar Maomé em Mina, durante a Peregrinação de Despedida. Após a morte do profeta, apesar da disseminação das Guerras da Apostasia entre as tribos do Iêmem, segundo as fontes nenhum tujibita aderiu aos movimentos. A tradição atribui papel importante nessa fidelidade ao jovem que havia permanecido junto aos animais durante a delegação a Medina.
Durante o califado de Omar ibne Alcatabe, os tujibitas participaram particularmente da conquista muçulmana do Egito. Depois da conquista, Moáuia ibne Hudaije esteve entre os encarregados por Anre ibne Alas de delimitar e organizar os bairros destinados às diferentes tribos durante a fundação de Fostate. Alguns tujibitas estabelecidos no Egito envolveram-se posteriormente nos conflitos políticos do califado; , por exemplo, foi associado ao |assassinato do califa Otomão. Durante os períodos omíada e abássida, membros da tribo ocuparam cargos administrativos e judiciais no Egito, incluindo os de governador, cádi e comandante da xurta. , nomeado cádi por Moáuia ibne Abi Sufiane, permaneceu no cargo por longo período e é considerado o primeiro cádi do Egito a manter registros escritos das decisões judiciais. Durante o governo de Abedalazize ibne Maruane, Abederramão ibne Moáuia Atujibi exerceu simultaneamente as funções de cádi e comandante da xurta, enquanto Ziade ibne Hanate Atujibi também foi nomeado comandante desta. Abedalá ibne Abederramão Atujibi, escolhido cádi pelos soldados antes de receber a aprovação de , conservou o cargo sob os abássidas e, em 152 A.H. (769), foi nomeado governador do Egito pelo califa Almançor. Após sua morte, seu irmão Maomé ibne Abederramão assumiu o governo, enquanto outro irmão, Abás, foi nomeado comandante da xurta.
Alandalus
Os tujibitas participaram das conquistas muçulmanas do Magrebe e do Alandalus, exercendo neste último uma influência política consideravelmente maior que no Egito. Segundo Ibne Hasme, constituíam uma tribo de origem iemenita estabelecida desde a conquista árabe principalmente no nordeste da Península Ibérica, nas regiões de Saragoça, Calataiude e Daroca, no vale do Ebro e na . A presença tujibita tornou-se particularmente duradoura nessa região: a nisba Atujibi continuou a ser utilizada mesmo depois da conquista cristã de algumas dessas localidades e aparece entre muçulmanos em documentos jurídicos árabes do provenientes de Huesca e seus arredores. A região nordeste do Alandalus, cuja principal cidade era Saragoça, recebeu desde cedo numerosos grupos árabes considerados de origem iemenita. Em 124 A.H. (742), durante os conflitos provocados pela chegada dos contingentes sírios de Balje ibne Bixer Alcuxairi, a oposição aos sírios foi liderada na região por Abederramão ibne Alcama, dos lacmitas. A Marca Superior permaneceu uma área de difícil controle para os emires de Córdova, marcada por frequentes rebeliões e pela atuação autônoma de chefes iemenitas, que ocasionalmente estabeleceram relações com os francos; foi nesse contexto que Carlos Magno empreendeu sua expedição contra Saragoça em 778. Os tujibitas são mencionados na região já nesse período. Segundo Ibne Hasme, o ramo que viria a dominar a Marca Superior a partir do descendia de Abedalá ibne Almuajir, cujo irmão havia entrado no Alandalus com Muça ibne Noçáir em 93 A.H. (712). Outro ramo da tribo, os , exerceu anteriormente o poder local em Huesca, até que uma revolta provocada por seus abusos encerrou seu domínio em 182 A.H. (798).
A predominância dos árabes na Marca Superior diminuiu no final do com a ascensão de famílias muladis, sobretudo os Banu Cassi, originários da parte oriental da região, em torno de Arnedo e Tudela. Apesar das frequentes intervenções dos emires de Córdova, o foi marcado por revoltas locais e sucessivas mudanças de governadores. Na década de 870, o emir incorporou os tujibitas ao seu serviço e confirmou seu chefe, Abederramão ibne Abedalazize, à frente de seu próprio grupo, restituindo-lhe diversas localidades da Marca Superior, entre elas Daroca e Calataiude. Em troca, os tujibitas deveriam combater em nome do governo central, recebendo 100 dinares por campanha. Essa aliança contribuiu para o declínio dos Banu Cassi e, a partir de 276 A.H. (889–890), os tujibitas assumiram o governo de Saragoça. A cidade permaneceu sob Abederramão e seu filho Abu Iáia Maomé, conhecido como Alauar ou Alancar, até 312 A.H. (924). O poder da família já estava suficientemente consolidado para sobreviver à política centralizadora de . Depois que seu chefe estabeleceu uma aliança com , o califa realizou expedições contra Saragoça em 323 A.H. (935) e 325 A.H. (937), buscando restabelecer a autoridade direta de Córdova e submeter os tujibitas. Os governantes tujibitas de Daroca e Calataiude foram executados, enquanto cerca de cinquenta outros membros da família receberam anistia. Maomé ibne Haxime, que governava Saragoça, submeteu-se ao califa e foi autorizado a permanecer no cargo sob a condição de romper suas relações com os cristãos, conservar-se fiel ao califa e pagar tributo. Também é mencionado nesse período um cádi tujibita de Saragoça chamado Mane ibne Maomé, que pode ter mantido algum parentesco distante com os , outro ramo da tribo que posteriormente adquiriria importância política.
Pouco depois, Maomé ibne Haxime foi capturado temporariamente pelas forças leonesas após a vitória cristã na Batalha de Simancas, em 327 A.H. (939). Abederramão III deixou posteriormente de intervir pessoalmente na Marca Superior, concedendo considerável autonomia às grandes famílias aristocráticas e militares da região. Entre elas encontravam-se os dois ramos tujibitas estabelecidos em Saragoça e Daroca. Antes de sua morte, em 338 A.H. (950), Maomé ibne Haxime recebeu os títulos de vizir e caide da Marca Superior. Durante o reinado de , os tujibitas continuaram a ocupar posição de destaque, embora o califa, aparentemente desconfiado de sua fidelidade, procurasse afastá-los de sua base de poder mediante sua incorporação à corte ou sua participação em expedições ao Magrebe. Durante a hegemonia de Almançor, as divisões internas da família tornaram-se mais evidentes. No conflito entre Almançor e Galibe ibne Abederramão em 369 A.H. (980), havia tujibitas em ambos os lados. Um deles, , conhecido como Jance Alárabe ("campeão dos árabes"), tornou-se particularmente próximo de Almançor, embora posteriormente tenha sido executado por ele. Apesar dessas disputas, os numerosos ramos tujibitas conservaram seu domínio sobre a Marca Superior e chegaram a ampliá-lo. Em 396 A.H. (1006), , pertencente a um ramo distinto da linhagem principal, tomou o poder em Huesca aos muladis Banu Xabrite, que haviam dominado a cidade durante a maior parte do .
Durante a crise final do Califado de Córdova, um ramo tujibita descendente de Iunus ibne Abedalazize, antigo governante de Daroca executado por Abederramão III em 325 A.H. (937), assumiu o poder no vale do Ebro e estabeleceu a taifa tujíbida de Saragoça. Seu primeiro governante, , havia sido um dos generais de Almançor e participou intensamente das disputas entre os diversos pretendentes ao poder nos últimos anos do califado. Possivelmente recebeu do primeiro califa hamúdida, Ali Anácer , os títulos de hájibe, Almançor e Dul Riaçataim. Almondir consolidou seu poder na Marca Superior e expulsou de Huesca Maomé ibne Amade ibne Sumadi, que se retirou para Valência; seu filho Mane viria posteriormente a fundar a taifa dos sumádidas em Almeria. Almondir cercou-se de secretários renomados e nomeou governadores para cidades secundárias, entre eles , futuro fundador da dinastia dos húdidas de Saragoça, inicialmente estabelecido em Tudela e depois em Lérida. A expansão de exerceu crescente pressão sobre os domínios de Almondir, circunstância que provavelmente o levou a estabelecer alianças com os condes de Barcelona e com Castela. As relações com esta última foram reforçadas por uma aliança matrimonial entre as duas dinastias, aparentemente celebrada em Saragoça sob a presidência do emir tujibita. Após sua morte, seu filho sucedeu-o entre 414 e 420 A.H. (1023–1029), adotando igualmente o título de hájibe e o lacabe Almozafar, segundo o modelo dos amíridas. Iáia foi o primeiro governante de uma taifa, com exceção dos hamúdidas, a cunhar moeda própria, na qual figuravam seu nome e o título de hájibe. Reconheceu como suseranos, sucessivamente, o hamúdida Alcácime Almamune e o califa omíada , estabelecido em Córdova em 420 A.H. (1029).