O desaparecido Palacete Flores foi uma das mais imponentes e interessantes residências particulares da Póvoa de Varzim, sendo um ícone regional da Belle Époque e de uma época áurea da história da cidadeVASCONCELOS, Gustavo Duarte – “A arquitetura habitacional na Póvoa de Varzim no tempo da I Grande Guerra”. In Póvoa de Varzim Boletim Cultural. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, n.o 51, 2019.VASCONCELOS, Gustavo Duarte – Contributos para o estudo do urbanismo e dos equipamentos da Póvoa balnear (1871–1930). Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2017..
A sua memória tem sobrevivido através da ampla divulgação da sua fachada em monografias, no filme-documentário Póvoa de Varzim, de Leitão de Barros (1942), em genealogias, em postais, crónicas jornalísticas, em blogues, em páginas de redes sociais sobre história local, em desenhos e em pinturasCIPRIANO, Fernando – Póvoa – Minha Matriz. Póvoa de Varzim: Junta de Freguesia da Póvoa de Varzim/Norprint: Casa do Livro, 2011.Jornal A Propaganda, 23.05.1904Jornal O Comércio da Póvoa de Varzim de 16.03.2006. O palacete surge representado no painel artístico de azulejos criado, em 2004, por Fernando Gonçalves (Nando), no qual são apresentados personalidades, tradições e os monumentos emblemáticos do concelho.
História
O edifício, demolido no final da década de 1970, localizava-se no lado norte da praça Marquês de Pombal/avenida Mouzinho de Albuquerque, na Póvoa de Varzim, nº de polícia 373.
A 20 de março de 1899, Delfim Martins Flores (1872–1948), então presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, comprou o terreno por 200$00. A área envolvente do palacete, delimitada por muros, estendia-se até à rua da Vila Velha e confrontava a poente e a nascente com terrenos ocupados com explorações agrícolas. Foi a residência permanente da família de D. Julieta Pereira Loureiro (1882–1978) e Delfim Martins Flores. Nele também residiram, já casados e com filhos, D. Antonieta Maria da Assunção Loureiro Flores (1900–1989) e Frederico Mário da Gama Durão de Sá Ferreira (1896–1963) e, entre 1925 e 1934, D. Julieta Loureiro Flores (1902–1993) e Joaquim Torres da Costa Reis (1899–1962)REIS, José Manuel de Seabra da Costa – “A Casa de Fraião: estudo histórico genealógico de uma casa e prazo da freguesia de Beiriz”. In Póvoa de Varzim Boletim Cultural. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, 1994.REIS, José Manuel de Seabra da Costa – Genealogias dos Carneiro da Grã e dos Costa Reis: memórias de morgados e enfiteutas da freguesia de Santa Eulália de Balasar. 2020.. A casa foi usufruída por seis gerações, entre D. Josefa de Oliveira da Silva Campos, avó materna de D. Julieta Pereira Loureiro, e a descendência nascida até à sua destruição, nomeadamente por José Manuel de Seabra da Costa Reis, que, em 2022, publicou um livro memorialístico intitulado “O Palacete Flores: memórias da minha família e da Póvoa de Varzim” REIS, José Manuel de Seabra da Costa – O Palacete Flores: memórias da minha família e da Póvoa do Varzim. Porto: 2022..
O palacete
O Palacete Flores foi construído segundo projeto do arquiteto Gonçalo Artur Cruz, de 1899, cujo desenho da fachada e plantas se conservam respetivamente no Arquivo Municipal da Póvoa de Varzim e na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. O edifício revelava um gosto atualizado que combinava vários estilos, contextos, fontes de inspiração e materiais, assim como um reboco pintado num tom verde-claro, à moda da época.
A família Martins Flores mudou-se para o Palacete Flores em novembro de 1901, o que significa que a sua construção demorou apenas 28 meses. O palacete tinha quatro andares, dois de serviço, um de receção e outro de uso privado da família. No R/C: Cavalariça; Arrumos do Torreão e da caldeira; Quarto de costura; Adega/Garrafeira; Corredor e Hall de serviço; Cozinha; Copa; Retrete dos criados. No 1º piso (andar nobre): Patamar da entrada; Sala Amarela; Salão; Biblioteca; Torreão; Hall da escadaria; Saleta cor-de-rosa (de fumo); Sala de Jantar; Sala Cinzenta; Hall das escadas de serviço; Quarto de banho; Sala Azul (ou do piano); Sala de bilhar; Terraço do jardim e Entrada poente. No 2º piso: Oratório; Quarto da Mãe; Quarto do Pai; Quarto em frente; Quarto roxo; Quarto Azul; Quarto cinzento; Quarto das Precetoras; Quarto de banho; Retrete; “Falso”; Torreão; Corredor; Terraço. No 3º piso: 7 Quartos para criadas internas; Quarto de banho; Retrete; 2 Arrumos, Corredor; Hall das escadas de serviço; Hall da escadaria; Quarto da fotografia. Excetuando a sala de jantar, com um azul mais forte nas paredes, todas as divisões encontravam-se decoradas com tons suaves pastel, dentro de um estilo de interiores moderno do início do século XX. Paredes pintadas (tinta a óleo), forradas a papel de parede ou a palhinha.
O jardim
Ao centro da planta retangular do jardim, definia-se, de norte a sul, um canteiro central elíptico no qual se plantou uma palmeira. O desenho dos limites exteriores dos canteiros adossados aos muros respeitava esta intenção geral de criar simetria, através de linhas curvas concêntricas ordenadas pelo eixo. O traçado completava-se com um par oposto de canteiros recortados situados nas pontas norte e sul.
Os canteiros do jardim eram delimitados por escalracho com o centro preenchido com plantas ornamentais, tais como pequenas árvores, arbustos, e flores anuais e de bolbos (roseiras, gladíolos, dálias, cravos, cravos túnicos, cosmos cor-de-rosa, petúnias multicolores, sécias multicolores, margaridas de Paris, watsónias borbónicas brancas, violetas, amores-perfeitos, hidranjas azuis e cor-de-rosa, jarros, solano azul, e diversas variedades de sardinheiras, etc.).
Lisgações Externas O Palacete Flores no cinema[] O Palacete Flores pelo artista poveiro Fernando Fonçalves[ Lançamento do livro sobre o Palacete Flores, 2022 [] Notícia sobre o Palacete Flores no jornal A voz da Póvoa [] Referências
Categoria:Património edificado na Póvoa de Varzim Categoria:Palacetes de Portugal Categoria:Edifícios demolidos em Portugal