Os corais hermatípicos são organismos marinhos pertencentes à classe Anthozoa — maioritariamente à ordem Scleractinia — caracterizados pela sua capacidade única de secretar um exoesqueleto rígido de carbonato de cálcio, atuando como os principais engenheiros biológicos na formação e sustentação dos recifes de coral tropicais. Estes animais coloniais vivem numa relação de simbiose mutualista obrigatória com microalgas fotossintéticas unicelulares chamadas zooxantelas, as quais residem no interior dos seus tecidos e lhes fornecem oxigénio, glucose e aminoácidos vitais; em troca, as algas recebem proteção e nutrientes orgânicos como o dióxido de carbono e compostos azotados. Devido à dependência extrema que estas microalgas têm da radiação solar para realizarem a fotossíntese, o desenvolvimento dos corais hermatípicos está estritamente limitado à zona eufótica do oceano, prosperando apenas em águas limpas, pouco profundas (geralmente até aos trinta metros) e com temperaturas quentes e estáveis, situadas predominantemente nas regiões intertropicais do planeta. Ao longo de milhares de anos, a acumulação contínua e a cimentação dos esqueletos calcários deixados pelas sucessivas gerações destes pólipos originam estruturas geológicas massivas que albergam cerca de vinte e cinco por cento de toda a biodiversidade marinha global, prestando serviços ecológicos e económicos cruciais, como a proteção costeira contra a erosão e o suporte às pescas. Contudo, estes ecossistemas enfrentam atualmente ameaças severas decorrentes das alterações climáticas e da atividade humana; o aumento global da temperatura da água do mar e a acidificação oceânica perturbam a simbiose com as zooxantelas, forçando a sua expulsão e desencadeando o fenómeno do branqueamento dos corais que, se for prolongado, resulta na morte generalizada da colónia e no colapso de toda a barreira de recife.

Categoria:Anthozoa Categoria:Biologia marinha Categoria:Cnidários Categoria:Corais Categoria:Scleractinia