Satibarzanes (, ; século IV a.C.) foi sátrapa de Ária (uma região no nordeste do atual Irã) durante a invasão de Alexandre, o Grande ao Império Aquemênida.

Satibarzanes pertencia à aristocracia local. Participou da Batalha de Gaugamela de 331 a.C. Após a derrota, fugiu do campo de batalha juntamente com outros comandantes, mas posteriormente Alexandre, o Grande, confirmou Satibarzanes no cargo de sátrapa. Pouco depois, Satibarzanes rebelou-se, obrigando Alexandre a adiar sua campanha para conquistar a Báctria. No início de 329 a.C., Satibarzanes morreu pelas mãos de Erígio durante um combate singular que deveria decidir o resultado da batalha entre os ários e os macedônios.

Biografia thumb|300px|Mapa da divisão do Império Aquemênida em satrapias. A Ária está localizada no leste, entre a Pártia e a Báctria Satibarzanes pertencia à aristocracia do Império Aquemênida. Por nacionalidade, era provavelmente persa. Sob Dario III, governava, como sátrapa, a Ária, uma região localizada no nordeste do atual Irã. Com seus destacamentos, juntou-se ao exército persa pouco antes da Batalha de Gaugamela, em 331 a.C. Durante a batalha, ele e seu exército estavam no flanco esquerdo, que enfrentava diretamente Alexandre, o Grande. Após a derrota, os comandantes persas fugiram para o leste. Satibarzanes pode ter participado da conspiração de Besso para depor Dario III. Arriano escreveu que o sátrapa da Ária, Satibarzanes, juntamente com Barsaentes, governador da Aracósia e da Drangiana, foi o responsável direto pelo assassinato de Dario III. É possível que, nesse trecho, o autor da Antiguidade tenha confundido Satibarzanes com Nabarzanes. A. A. Kleimenov observa que essa informação, cuja fonte primária são as memórias de Ptolemeu, não encontra correspondência em outras fontes antigas. Além disso, ela não é compatível com os acontecimentos posteriores.

Quando Alexandre, o Grande, invadiu com seu exército o território da Ária, Satibarzanes rendeu-se a ele em Súsia. Segundo Quinto Cúrcio Rufo, Satibarzanes contou a Alexandre sobre os preparativos de Besso para a guerra, sua adoção do título real e do nome de trono "Artaxerxes". Arriano escreveu que o rei macedônio manteve Satibarzanes no cargo de sátrapa da Ária, mas colocou junto dele um de seus "amigos", Anaxipo, com "40 cavaleiros lançadores de dardos, para estabelecer postos de guarda nas aldeias, a fim de evitar os abusos que o exército, ao passar, poderia infligir aos ários". Segundo a opinião da maioria dos historiadores modernos, a principal tarefa de Anaxipo era observar a situação na província conquistada.

Pouco depois da partida de Alexandre para a Báctria, Satibarzanes organizou uma revolta, durante a qual os macedônios deixados na província foram massacrados. As forças rebeldes concentraram-se na capital da Ária. De lá, pretendiam marchar para se juntar a Besso. Arriano escreveu que Alexandre, ao tomar conhecimento disso, avançou rapidamente contra o sátrapa rebelde juntamente com os hetairos, arqueiros, Artacoana e infantaria sob o comando de Amintas e Ceno, deixando o restante do exército sob o comando de Cratero. Ao saber disso, Satibarzanes fugiu para junto de Besso, enquanto Artacoana foi capturada pelos macedônios. Alexandre puniu severamente aqueles que haviam participado da revolta. Como sátrapa da Ária, nomeou Arsaces. Diodoro Sículo e Quinto Cúrcio Rufo apresentam uma sequência de acontecimentos um pouco diferente. Em seu relato, Satibarzanes, com dois mil cavaleiros, fugiu para junto de Besso, ordenando aos habitantes locais que se refugiassem em uma montanha inexpugnável. Entretanto, Alexandre, com sua energia característica, iniciou o cerco e obrigou, segundo Diodoro Sículo, os rebeldes a se renderem. Segundo Quinto Cúrcio Rufo, os macedônios não conseguiram tomar a rocha de assalto. Contudo, foram ajudados por um fator natural. Os macedônios prepararam grande quantidade de madeira para construir máquinas de cerco. Quando se levantou um vento que soprava em direção aos sitiados, iniciou-se um incêndio. Nuvens de fumaça e faíscas eram levadas pelo vento em direção à montanha. Alexandre ordenou não apenas que o fogo não fosse apagado, mas também que fosse mantido. Logo, um incêndio começou na montanha e os ários morreram: alguns pelo fogo, outros ao saltarem da rocha para baixo e outros pelas mãos dos macedônios durante a fuga. Depois disso, Alexandre ocupou toda a Ária no prazo de um mês.

Entretanto, pouco depois, Satibarzanes retornou à Ária com 2.000 cavaleiros e iniciou uma revolta. Alexandre enviou um exército contra os rebeldes. Os autores antigos fornecem diferentes nomes dos comandantes encarregados de reprimir a revolta de Satibarzanes. Arriano menciona Erígio, Carano, Artabazo II e Fratafernes; Quinto Cúrcio Rufo — Erígio, Carano, Artabazo e Andrônico; Diodoro Sículo — Erígio e Stasanor. O comando geral foi confiado a Erígio, que estava entre os amigos e companheiros mais próximos de Alexandre, o Grande. A. A. Kleimenov sugeriu que a cavalaria dos ários evitava um confronto direto com a bem treinada infantaria macedônia. Arqueiros montados e lançadores de lanças e dardos realizavam ataques breves, seguidos de uma retirada para suas posições anteriores. Como os macedônios também possuíam unidades semelhantes, o confronto poderia ser extremamente prolongado. Então Satibarzanes, com o capacete aberto, avançou e desafiou qualquer um dos comandantes macedônios a enfrentá-lo em combate singular. Essa prática, na qual o resultado de uma batalha era determinado por um duelo entre dois guerreiros, era comum entre a nobreza persa. Erígio aceitou o desafio, e Satibarzanes foi morto por um golpe de lança no pescoço. Depois disso, os rebeldes ários, que lutavam desesperadamente, reconheceram sua derrota. Quinto Cúrcio Rufo escreveu que Erígio levou a Alexandre a cabeça de Satibarzanes como troféu. Segundo outra versão, ambos os comandantes morreram durante a batalha. J. Lendering datou o acontecimento na primavera de 329 a.C.

Avaliações Diodoro Sículo chamou Satibarzanes de um comandante experiente e um homem corajoso. F. Schachermeyr via em Satibarzanes um dos líderes dos rebeldes e combatentes pela liberdade entre os povos orientais subjugados pelos macedônios, "um verdadeiro cavaleiro, sempre pronto para decisões corajosas". G. Berve chamou Satibarzanes de um dos líderes nacionais que se uniram em torno de Besso para resistir à invasão macedônia. Ao mesmo tempo, F. Schachermeyr chamou Satibarzanes de "traiçoeiro" ao descrever o episódio do assassinato de Anaxipo.

G. A. Koshelenko e V. A. Gaibov destacaram a séria resistência aos macedônios organizada por Satibarzanes. Eles também consideraram que sua rendição inicial a Alexandre poderia estar relacionada ao desejo de preservar o poder em sua satrapia. Depois de algum tempo, Satibarzanes pode ter decidido que o apoio a Besso era preferível para ele, pois lhe proporcionava maior liberdade.

A revolta de Satibarzanes obrigou Alexandre, o Grande, a adiar sua campanha para conquistar a Báctria. A. S. Shofman relacionou a ele uma mudança na política de Alexandre, o Grande, que passou a ser mais cauteloso ao nomear representantes dos povos conquistados para cargos de liderança. A experiência bem-sucedida de repressão da revolta de Satibarzanes na província conquistada mediante o envio de uma força expedicionária exerceu certa influência sobre a decisão tomada por Alexandre durante a revolta de Espitamenes na Sogdiana e na Báctria. Entretanto, Spitamenes escolheu uma estratégia de resistência aos macedônios mais eficaz do que a de Satibarzanes e infligiu-lhes uma derrota significativa na Batalha do Polítimeto.

Na literatura Satibarzanes é mencionado em obras históricas de ficção sobre Alexandre, o Grande, "Fogos sobre os túmulos", de V. YanJan V. Luzes nos Montículos. Capítulo "A Morte de Satibarzan" // Obras Completas em 4 volumes.- Moscou : Pravda , 1989.- V. 4. e "Nas profundezas dos séculos", de L. F. Voronkova.Voronkova L. F. Rei Dario Kodoman / / Nas profundezas dos séculos.- M .: Azbuka-classic, 2003.- P.134, 174, 185.- 400p.- (Filho de Zeus).

Obras Fontes primárias Arriano. A Campanha de Alexandre / traduzido do grego antigo por M. E. Sergeenko. Editor-chefe: Doutor em Ciências Históricas O. O. Krueger.- M. - L .: Editora da Academia de Ciências da URSS, 1962. Quinto Cúrcio Rufo. História de Alexandre, o Grande. Com apêndice de obras de Diodoro, Justino e Plutarco sobre Alexandre / Editor-chefe A. A. Vigasin.- Moscou: Editora da Universidade Estatal de Moscou, 1993.- 464p. - ISBN 5-211-02061-8.

Diodoro Sículo. Biblioteca Histórica. Livro XVII / / História de Alexandre, o Grande. Com o apêndice das obras de Diodoro, Justino e Plutarco sobre Alexandre / Editor-chefe A. A. Vigasin. Traduzido por M. E. Sergeenko .- M .: Editora da Universidade Estatal de Moscou, 1993.- 464p.- ISBN 5-211-02061-8.

Outras obras Kleymenov A. A. Supressão da Rebelião Satibarzan em Aria (Aspecto Militar) // Universidade do Século XXI: Publicação Científica. Atas da Conferência Científica do Corpo Docente, Pós-Graduandos, Mestrandos e Candidatos da Universidade Pedagógica Estadual L. N. Tolstoy de Tula: em 2 volumes. - Tula: Editora da Universidade Pedagógica Estadual L. N. Tolstoy de Tula, 2010. - Vol. 2. - Pp.

Kleymenov A. A. A batalha de Politimeto: a maior derrota do exército de Alexandre, o Grande // Questões de História. - 2014. - Nº 12. - P. 84-97.

Koshelenko G. A., Gaibov V. A. Os Destinos dos Sátrapas do Oriente. A Era de Alexandre, o Grande // Problemas de História, Filologia, Cultura.- 2007.- Nº 17 .- P. 202-222.- ISSN 2658-316X.

Shahermayr F. Alexandre, o Grande. - Rostov n / D.: Phoenix, 1997. - 576 p. - ISBN 5-85880-313-X.

Shofman, A. S., A Política Oriental de Alexandre, o Grande / Publicado por ordem do Conselho Editorial e de Publicações da Universidade de Kazan. Editor-chefe: V. D. Zhigunin.Kazan: Editora da Universidade de Kazan, 1976.

Heckel W. Quem é Quem na Era de Alexandre e seus Sucessores. De Queroneia a Ipsos (338-301 a.C.) (em inglês) .— Barnsley: Greenhill Books, 2021.— 554p.— ISBN 978-1-78438-648-1.

Jona [Inglês]. Satibarzanes (Inglês). livius.org (23 de novembro de 2018). Acessado em 11 de outubro de 2023.

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