Julián de Mendoza foi um conquistador e militar activo na Província da Venezuela durante as décadas de 1550 e 1560. Encontra-se documentalmente em Coro em 1553, quando declarou ter 23 ou 24 anos, e voltando a aparecer em episódios ligados a Borburata, à conquista do vale de Caracas e à expedição de Diego de Losada.Arquivo Geral das Índias (AGI), JUSTICIA,74,N.1, ff. 58r–58v, pesquisa secreta, Coro, 1553..
Em 1561, durante a passagem de Lope de Aguirre pela região, as relações da jornada apresentam Mendoza como genro do alcalde Chaves de Borburata. A relação publicada no século XIX sob o nome de Francisco Vázquez chama-lhe alguacil mayor da povoação; Pedro de Aguado, numa narrativa muito próxima dos acontecimentos, descreve a sua participação na captura de Pedrarias de Almesto e Diego de Alarcón e na condução dos dois prisioneiros até Aguirre, em Valencia...
Uma informação de méritos de Garci González de Silva, conservada no Arquivo Geral das Índias, contém uma referência documental à morte de Mendoza: o texto menciona a «muerte que le avían dado al capitán don Julián de Mendoça» no contexto das «montañas del río de Mamo».Arquivo Geral das Índias (AGI), PATRONATO,80,N.2,R.4, Méritos y servicios: García González de Silva: Dorado, imagem 4. A Cronología de historia de Venezuela, da Fundación Empresas Polar, situa a morte em 1569 e identifica Mendoza como encomendero da região de Mamo. Os pormenores tradicionalmente associados ao episódio — os caciques Parnamacay e Prepocunate, a ida de Mendoza para reconhecer as aldeias e tomar posse da encomienda e a forma concreta da sua morte — são narrados por José de Oviedo y Baños, que escreveu sobre eles mais de um século depois dos acontecimentos..
Coro em 1553
Mendoza aparece em 1553 no âmbito de uma pesquisa secreta, na qual prestou juramento, declarou no processo e indicou ter «23 o 24 años, poco más o menos»; a peça conserva igualmente a subscrição do seu nome. Marianela Ponce incluiu-o entre os depoentes ao estudar esta pesquisa secreta como fonte para o conhecimento da sociedade urbana venezuelana do século XVI. A mesma unidade documental contém outra intervenção de Mendoza no descargo de Juan Pérez de Tolosa, uma declaração testemunhal integrada na defesa de Tolosa.Arquivo Geral das Índias (AGI), JUSTICIA,74,N.1, ff. 80r–82r, descargo de Juan Pérez de Tolosa.
Borburata e a crise de Lope de Aguirre
Relação com Francisco Fajardo e Juan Rodríguez Suárez
A cronologia histórica da Fundación Empresas Polar coloca Mendoza em Borburata em 1561, quando Juan Rodríguez Suárez ali reuniu homens para uma nova entrada na região dos caracas. Mendoza fazia parte dos conquistadores que conheciam o território por terem acompanhado anteriormente Francisco Fajardo, antes do ataque indígena à povoação da Villa del Rosario. Na continuação da jornada, Rodríguez Suárez estabeleceu-se no vale de San Francisco. A mesma cronologia refere que, ao sair para se encontrar com Fajardo no litoral, deixou alguns homens sob o comando de Julián de Mendoza. Pouco depois, o grupo foi atacado por forças comandadas por Paramaconi.
Oviedo y Baños oferece uma versão mais desenvolvida deste episódio, segundo a qual Rodríguez Suárez deixou a gente do acampamento «a cargo de Don Julián de Mendoza» e seguiu para El Collado acompanhado por dois infantes. Paramaconi teria então descido pela abra de Catia com cerca de seiscentos flecheiros. Mendoza, Antón de Albornoz, Fraga, Pallares e Castillo avançaram a cavalo; durante o combate, Mendoza foi atingido por uma macana, caiu sem sentidos e ficou exposto no terreno. O cronista atribui a Alonso Fajardo, Juan Ramírez e aos restantes espanhóis o movimento que impediu que fosse levado ou morto, seguindo-se a retirada das forças de Paramaconi..
A cronologia da Fundación Empresas Polar acrescenta que Mendoza decidiu retirar-se durante a noite, levando os feridos, mas encontrou Rodríguez Suárez que regressava em socorro do grupo; ambos voltaram então ao assentamento de San Francisco.
Família em Borburata
As fontes narrativas da jornada de Aguirre identificam Mendoza como genro do alcalde Chaves de Borburata. Pedro de Aguado relata que a mulher do alcalde e uma filha deste, casada com Don Julián de Mendoza, ficaram na região quando homens de Aguirre saquearam propriedades próximas da povoação. A passagem refere-a apenas como filha do alcalde e mulher de Mendoza.
Na edição de 1881 da relação atribuída a Francisco Vázquez, Mendoza surge designado como alguacil mayor del pueblo de Borburata. A designação pertence ao relato da jornada e é aqui conservada tal como transmitida por essa fonte.
Pedrarias de Almesto e Diego de Alarcón
Quando Aguirre abandonou Borburata, dois dos seus homens, Pedrarias de Almesto e Diego de Alarcón, fugiram. Aguado relata que o alcalde Chaves e o seu genro Mendoza mobilizaram criados e amigos para os procurar, pois Aguirre mantinha a mulher de Chaves e a mulher de Mendoza como garantia da entrega dos fugitivos. Os dois homens foram encontrados, presos e ligados por correntes e colares de ferro. Mendoza encarregou-se de os conduzir de Borburata a Valência, onde Aguirre se encontrava. Durante o caminho, Pedrarias recusou-se ou mostrou-se incapaz de continuar a marcha; segundo Aguado, Mendoza desembainhou a espada e começou a feri-lo no pescoço, interrompendo a agressão quando o prisioneiro aceitou prosseguir. A relação publicada sob o nome de Vázquez conserva uma versão substancialmente semelhante da entrega dos dois fugitivos.
Aguado afirma que, depois da chegada a Valência, Mendoza entregou os prisioneiros e recuperou a mulher e a sogra. Diego de Alarcón foi posteriormente mandado executar e esquartejar por Aguirre; Pedrarias de Almesto sobreviveu e continuou ligado à documentação narrativa da jornada.
Jornada dos Caracas
Petição de 4 de Fevereiro de 1566
Mendoza reaparece documentalmente em Barquisimeto em 4 de Fevereiro de 1566. Numa petição apresentada no processo que conduziu à continuação da jornada dos Caracas sob Diego de Losada, a abertura nominal identifica cinco requerentes leigos: Diego de Herrera, Antón Pérez, Pedro Mateos, Juan de Mora e Julián de Mendoza. O escrito apresenta Losada como capitão experiente e homem adequado para impedir a dissolução da empresa dos caracas, num momento em que já existiam mobilização de homens e preparativos para a jornada, documentando assim Mendoza dentro do grupo que promoveu a continuação da expedição sob o comando de Losada.Arquivo Geral das Índias (AGI), JUSTICIA,93, ff. 380r–384v, Barquisimeto, 4 de Fevereiro de 1566.
Expedição de Diego de Losada em 1567
A biografia de Diego de Losada no Diccionario de Historia de Venezuela, da Fundación Empresas Polar, inclui Julián de Mendoza entre os homens que se juntaram à expedição em Villa Rica, actual Nirgua. A relação inclui igualmente Francisco Infante, Francisco Maldonado de Almendaris, Francisco Madrid, Gabriel de Ávila, Alonso Andrea e Tomé de Ledesma, Sebastián Díaz de Alfaro, Damián del Barrio, Pedro Alonso Galeas, Diego de Paradas, Juan de Gámez, Pedro García Camacho e Juan Serrano.
Segundo a mesma fonte, a força avançou de Villa Rica para Mariara e daí para o chamado vale do Medo, antes de entrar no vale de San Francisco. A presença de Mendoza nessa lista coloca-o entre os participantes da jornada que culminou no estabelecimento de Santiago de León de Caracas.
Petição de 25 de Julho de 1568
Em 25 de Julho de 1568, o nome de Don Julián de Mendoza figura numa petição apresentada em Barquisimeto por intermédio de Lope de Neira. A petição era dirigida ao governador Pedro Ponce de León, solicitando que Diego de Losada, então capitão-general e tenente de governador, não se ausentasse da província dos caracas ou, se saísse, regressasse em prazo muito breve. Os requerentes alegavam que a notícia da saída de Losada favorecia novos levantamentos entre as comunidades indígenas e que a permanência do capitão era necessária para a estabilidade do assentamento. O nome de Mendoza aparece no corpo da lista publicada por Bermejo, entre Juan de Burgos e Abraham Desqué.. Mamo e morte
Referência documental
A informação de méritos de Garci González de Silva contém uma referência directa à morte de Julián de Mendoza, situando a narrativa nas «montañas del río de Mamo» e mencionando «la muerte que le avían dado al capitán don Julián de Mendoça». O documento designa-o expressamente como capitão, associando a sua morte ao contexto do rio de Mamo.
A Cronología de historia de Venezuela, da Fundación Empresas Polar, coloca o acontecimento em 1569, apresentando Mendoza como encomendero de Mamo e resumindo o conflito como consequência da tentativa de obrigar as comunidades da região a trabalhar nas terras por ele exploradas.
Relato de Oviedo y Baños
A narrativa mais extensa do episódio encontra-se na Historia de la conquista y población de la Provincia de Venezuela, de José de Oviedo y Baños. O cronista chama ao lugar vale de Mamo, acrescentando que também era conhecido como vale das Goiabas. Atribui a chefia local aos caciques Parnamacay e Prepocunate, juntamente com outros chefes da região.
Segundo Oviedo y Baños, Mendoza enviou recado às comunidades para que fossem trabalhar nas suas lavouras, apresentando-se no relato como seu encomendero. Parnamacay, Prepocunate e os restantes chefes teriam reagido contra essa exigência, mas ocultado a intenção de resistir. Alguns indígenas deslocaram-se então à cidade e entregaram a Mendoza redes de dormir, frutos e alimentos, gesto que ele interpretou como obediência e aceitação da relação de encomienda. Mendoza terá pedido então licença a Bartolomé García, responsável pelo governo local de Santiago, para visitar as aldeias e tomar posse da encomienda. Teria seguido para a foz do rio Mamo acompanhado apenas por dois soldados. Prepocunate teria então atacado Mendoza pelas costas com um machete, matando-o; os dois acompanhantes refugiaram-se numa casa próxima do rio, onde acabaram mortos depois de o edifício ser incendiado. Bermejo de Capdevila salienta que Oviedo y Baños escreveu cerca de 130 anos depois da conquista dos Caracas, defendendo que partes do Livro V parecem conservar materiais de uma crónica quinhentista hoje perdida, atribuída ao poeta Ulloa..
Campanhas posteriores no vale
Nectario María apresenta a morte de Mendoza como antecedente de novas campanhas espanholas na região. Na sua reconstrução, Bartolomé García enviou Sancho del Villar com quarenta soldados contra as comunidades do vale; os indígenas ter-se-iam fortificado nas montanhas próximas do rio Mamo, com a força espanhola a retirar-se depois de sofrer cinco mortos e três feridos graves..
O mesmo autor descreve uma entrada posterior comandada por Francisco de Vides, que também teria fracassado, e afirma que homens de Parmanacay se apoderaram da bagagem espanhola. Nectario María situa este segundo episódio entre o final de 1569 e o princípio de 1570. Segundo o mesmo autor, uma terceira campanha foi conduzida por Garci González de Silva, atribuindo a essa operação a morte de Prepocunate e a submissão posterior de sobreviventes da região.
Bibliografia
Categoria:Conquistadores Categoria:História colonial da Venezuela Categoria:Mortos no século XVI