Sérgio Tufik é um médico e pesquisador brasileiro, professor titular aposentado do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e fundador do Instituto do Sono, em São Paulo. É considerado o principal nome da medicina do sono no Brasil e responsável pela consolidação da área como campo de pesquisa e de assistência no país.
Formação Neto do imigrante libanês Tufik José Kalil, Tufik fez curso técnico em química industrial e chegou a iniciar engenharia antes de migrar para a medicina. Cursou medicina entre 1967 e 1972 na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Entre 1973 e 1976 fez o mestrado em fisiologia na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, orientado por Miguel Rolando Covian, com dissertação sobre estimulação elétrica do sistema nervoso central. Em 1978 doutorou-se em psicofarmacologia na Escola Paulista de Medicina sob orientação de Elisaldo Carlini, com a tese Privação de sono paradoxal e sistemas dopaminérgicos cerebrais do rato — trabalho defendido um ano antes da primeira classificação internacional dos distúrbios do sono.
Carreira Tufik lecionou por cerca de três décadas no Departamento de Psicobiologia da Unifesp, do qual é professor titular aposentado desde 2008. Ainda na década de 1970, durante o doutorado, criou a Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (AFIP), entidade filantrópica destinada a suprir lacunas de financiamento da pesquisa acadêmica e da qual é presidente; a associação opera hoje dezenas de laboratórios em nove estados brasileiros. Em 1992 fundou o Instituto do Sono, ligado à Unifesp, que se tornou referência internacional em pesquisa e assistência na área e formou centenas de especialistas responsáveis pela abertura de laboratórios de sono em todo o país.
Participou da fundação da Associação Brasileira do Sono e coordenou, entre 2000 e 2012, o Centro de Estudos do Sono, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiados pela FAPESP. É pesquisador nível 1A do CNPq, consultor científico da FAPESP e da CAPES e integra conselhos editoriais de periódicos como Sleep Medicine e Sleep Medicine Reviews. Participa de cerca de treze sociedades científicas nacionais e internacionais, entre elas a Associação Brasileira do Sono, a Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento, a Federação Latino-Americana de Sociedades de Sono e a American Academy of Sleep Medicine.
Pesquisa A linha de pesquisa iniciada em sua tese de doutorado — os efeitos da privação de sono sobre os sistemas dopaminérgicos cerebrais — foi desenvolvida ao longo de décadas e associada a alterações neuroquímicas, hormonais e comportamentais, com implicações cardiovasculares.
Seu trabalho de maior repercussão é o EPISONO, estudo epidemiológico do sono na cidade de São Paulo, baseado em amostra probabilística de mais de mil moradores submetidos a polissonografia completa. Os resultados indicaram síndrome da apneia obstrutiva do sono em 32,8% da população estudada — prevalência muito superior às estimativas internacionais então vigentes —, com maior frequência entre homens, idosos e pessoas com obesidade.
Pesquisa aplicada O grupo de Tufik também investigou os efeitos da privação de sono sobre o desempenho e a segurança no trabalho. Um estudo conduzido junto a uma transportadora rodoviária associou a reorganização das escalas de motoristas a uma redução das mortes em acidentes de 3,6 para 0,6 por cem mil quilômetros rodados. Tufik e sua equipe também atuaram no ajuste de ritmo circadiano de atletas de alto rendimento, incluindo atletas paralímpicos e clubes de futebol.
Entre seus trabalhos de maior repercussão internacional está a estimativa global da prevalência e da carga da apneia obstrutiva do sono publicada em 2019 no The Lancet Respiratory Medicine, da qual é coautor.
Atuação cultural Tufik produziu, durante cinco anos, um programa de televisão sobre cultura árabe na TV Gazeta e participou da fundação do Centro Cultural Árabe-Brasileiro.
Produção científica Segundo a Unifesp, Tufik publicou mais de 1,5 mil artigos científicos, com índice h de 67 e mais de 20 mil citações na base Web of Science, e orientou 39 teses de doutorado e 32 dissertações de mestrado. Perfil publicado pela Revista Pesquisa FAPESP em 2022 registrava 1.044 trabalhos indexados na base Scopus e 28.666 citações. O agregador bibliométrico Research.com, com dados de 2026, atribui-lhe 1.768 publicações, 60.856 citações e índice h de 117, colocando-o em terceiro lugar no ranking brasileiro da área médica. O Instituto do Sono descreve-o como líder mundial em publicações científicas sobre sono na base Web of Science.
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