A conversão em tempo real induzida por tremor (real-time quaking-induced conversion ou RT-QuIC) é um ensaio altamente sensível para a detecção de príons. Ele apresenta quase 100% de especificidade para o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob.

Técnica O termo "quaking" (tremor) no nome da técnica refere-se ao fato de que as amostras no ensaio RT-QuIC são submetidas a agitação. Esse movimento fragmenta agregados da proteína priônica (PrP), que em seguida são incubados, amplificando a quantidade de PrP mal enovelada até níveis detectáveis.

Trata-se de um método precoce, rápido e específico para doenças priônicas. Pode ser aplicado a diferentes tipos de amostras, como líquido cefalorraquidiano (LCR), cérebro, linfonodos, sangue, músculo e pele. Por isso, é útil em casos como paraplexia enzoótica dos ovinos (scrapie) em ovelhas, Doença Emaciante Crónicaa (CWD) em cervídeos, encefalopatia espongiforme bovina (BSE) em vacas e a forma esporádica (sCJD) da doença de Creutzfeldt-Jakob em humanos.

O ensaio utiliza príons normalmente enovelados produzidos de forma recombinante — frequentemente uma proteína truncada de hamster-sírio (aminoácidos 90-231). Quando amostras suspeitas de conter príons mal enovelados são adicionadas, ocorre a indução de mal enovelamento e agregação da proteína normal. Esses agregados podem ser detectados por fluorescência no espectro visível usando tioflavina T. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) incluem um resultado positivo de RT-QuIC em seus critérios diagnósticos para provável.

Aplicações O RT-QuIC também pode ser usado para testar scrapie, BSE e CWD. Existem procedimentos que aumentam a sensibilidade e especificidade, como a extração com óxido de ferro (IOME), que aproveita a afinidade metálica natural da proteína priônica. Nesse método, a amostra é incubada com microesferas magnéticas que se ligam à proteína, permitindo a coleta da fração rica em príons para análise. Os tecidos mais comumente testados são homogenatos de cérebro e tecidos linfáticos. Contudo, príons também já foram detectados em pele e sangue. Alguns tecidos apresentam maior dificuldade de análise — por exemplo, amostras de sangue tendem a conter níveis baixos de príons intracelulares circulantes e inibidores do ensaio.

Categoria:Príons Categoria:Distúrbios neurológicos