Jalila binte Murra () foi uma poetisa árabe da Jailia, pertencente aos xaibanitas, ramo dos becritas. Filha de Murra ibne Dul, um dos senhores dos xaibanitas, e irmã de Jassas ibne Murra, casou-se com Culaibe ibne Rebia, chefe dos taglibitas. Sua posição entre as duas famílias colocou-a no centro dos acontecimentos que deram origem à Guerra de Albaçus, desencadeada depois que Jassas matou Culaibe. Após a morte do marido e o fracasso das tentativas de conciliação entre os grupos, Jalila retornou para junto de sua família xaibanita. Na tradição literária árabe, Jalila é conhecida sobretudo pela elegia que lhe é atribuída em lamentação pela morte de Culaibe. O poema explora sua posição excepcional no conflito, dividida entre o marido assassinado e o irmão responsável por sua morte, e associa sua perda pessoal à perspectiva da guerra e da destruição de seus próprios parentes. Segundo outra tradição preservada no Al-Aghani, Jalila estava grávida quando Culaibe foi morto e posteriormente deu à luz Hájeras, a quem se atribui a vingança da morte do pai mediante o assassinato de Jassas.
Vida
Jalila binte Murra nasceu em data incerta durante a Jailia. Era filha de Murra ibne Dul, um dos senhores dos xaibanitas, ramo dos becritas, e irmã de Jassas. Casou-se com Culaibe ibne Rebia, chefe dos taglibitas. Segundo Ibne Abede Rabi, os Banu Juxame, aos quais pertencia Culaibe, e os Banu Xaibane viviam então conjuntamente em Tiama, e o casamento de Jalila com Culaibe constituía um dos vínculos familiares entre os dois grupos. Jalila ficou diretamente envolvida nos acontecimentos que deram origem à Guerra de Albaçus quando seu irmão Jassas matou Culaibe. Depois da morte do marido, as mulheres do grupo reuniram-se para lamentá-lo. Segundo uma tradição preservada por Abu Alfaraje Alisfaani e atribuída a Axarqui ibne Alcutami, as mulheres taglibitas instaram a irmã de Culaibe a retirar Jalila do luto, alegando que a presença da irmã do assassino constituiria motivo de vergonha perante os árabes. A irmã de Culaibe ordenou então que Jalila partisse, chamando-a irmã daquele que produzira sua vingança e irmã germana de seu assassino.
Ao sair, Jalila encontrou seu pai, Murra, e descreveu-lhe sua situação como a perda permanente do marido, a iminente perda do irmão e o surgimento de ódios que dilacerariam os envolvidos. Murra perguntou se o perdão e o pagamento de uma elevada compensação poderiam impedir o conflito, mas Jalila rejeitou essa possibilidade, afirmando que os taglibitas não aceitariam camelos em troca do sangue de seu senhor. Depois do fracasso das tentativas de conciliação, retirou-se para junto de sua família e de seu povo. A tradição preservada no Al-Aghani afirma ainda que Jalila estava grávida quando Culaibe foi morto e que, depois de retornar à família, deu à luz Hájeras. O menino teria sido criado entre os parentes maternos sem conhecer inicialmente sua verdadeira ascendência e, ao descobrir posteriormente que Jassas matara seu pai, teria vingado Culaibe matando o próprio tio.
Poesia
Jalila é lembrada na tradição literária árabe como poetisa da Jailia, sobretudo por uma longa elegia dedicada a Culaibe e às consequências de sua morte. A composição é preservada em diferentes fontes e coletâneas antigas, entre elas o Al-Aghani e o al-Waḥshiyyāt, nas quais é atribuída a Jalila. No relato de Abu Alfaraje Alisfaani, o poema foi composto depois de Jalila deixar o luto pelo marido. Ao saber que a irmã de Culaibe interpretara sua partida como a fuga de uma inimiga satisfeita com sua morte, Jalila respondeu em versos iniciados por Yā binta al-aqwāmi in lumti fa-lā / taʿjalī bi-l-lawmi ḥattā tasʾalī ("Ó filha dos povos, se me censuras, não te apresses na censura antes de perguntar"). A elegia desenvolve a posição excepcional de Jalila no conflito: Culaibe, cuja morte lamentava, fora assassinado por seu próprio irmão. O poema apresenta o feito de Jassas como causa simultânea de sua dor pelo marido e da ruína que ameaçava sua família de origem, de modo que a vingança pelo morto não poderia oferecer-lhe consolo, pois recairia sobre seus próprios parentes. A composição associa assim o lamento individual pela morte de Culaibe à perspectiva da destruição provocada pela vingança entre taglibitas e xaibanitas.
Bibliografia
Categoria:Poetas árabes do século V Categoria:Poetas árabes do século VI Categoria:Murraítas (xaibanitas) Categoria:Mulheres do século V Categoria:Mulheres do século VI Categoria:Pessoas envolvidas na Guerra de Albaçus