Hájeras ibne Culaibe () foi um árabe taglibita e poeta da Jailia, ativo no final do . Era filho de Culaibe ibne Rebia, chefe dos taglibitas, e de Jalila binte Murra, irmã do xaibanita Jassas ibne Murra. Segundo a tradição, nasceu após Jassas matar Culaibe nos acontecimentos que desencadearam a Guerra de Albaçus e foi criado entre seus parentes maternos sem conhecer inicialmente sua verdadeira ascendência.
Hájeras é lembrado sobretudo pela tradição segundo a qual, depois de descobrir sua filiação, vingou a morte do pai matando Jassas e se reuniu aos parentes paternos, embora outra versão, considerada mais difundida por Ibne Alatir, atribua a morte de Jassas aos ferimentos recebidos em combate contra os taglibitas. Versos atribuídos a Hájeras e preservados por Almarzubani expressam o conflito decorrente de ter no próprio tio materno o assassino de seu pai e associam sua poesia ao tema da vingança de Culaibe.
Vida
Hájeras ibne Culaibe nasceu em data incerta durante a Jailia no final do . Era filho de Culaibe ibne Rebia, chefe dos taglibitas, e de Jalila binte Murra, filha do chefe xaibanita Murra ibne Dul e irmã de Jassas. Segundo Ibne Hasme, Hájeras era o único filho conhecido de Culaibe e não deixou descendência conhecida digna de menção. Seu pai foi morto por Jassas durante os acontecimentos que desencadearam a Guerra de Albaçus, quando Jalila ainda estava grávida. Depois do assassinato, ela retornou para junto de sua família e ali deu à luz Hájeras. Essa filiação e as circunstâncias de seu nascimento são registradas também por Almarzubani no Muʿjam al-shuʿarāʾ. Segundo uma tradição preservada no Kitab al-Aghani de Abu Alfaraje Alisfaani, Hájeras foi criado entre seus parentes maternos por Jassas e durante a juventude desconhecia sua verdadeira ascendência, considerando o tio como seu pai. Jassas posteriormente o casou com uma de suas próprias filhas. A situação mudou depois que, durante uma discussão, um homem dos becritas aludiu à verdadeira identidade de seu pai. Perturbado, Hájeras procurou sua mãe e soube que era filho de Culaibe, cuja morte provocara a longa guerra entre taglibitas e becritas.
A mesma tradição afirma que Jassas, ao perceber que Hájeras descobrira sua ascendência, procurou convencê-lo a aceitar a reconciliação já estabelecida entre os dois grupos. Levou-o consigo para que aderisse formalmente ao acordo, mas Hájeras compareceu armado e, durante a cerimônia, jurou por seu cavalo, sua lança e sua espada que um homem não poderia contemplar o assassino de seu pai e deixá-lo vivo. Em seguida, teria atingido Jassas com a lança, matando-o, e se reunido aos parentes paternos. Uma fórmula semelhante do juramento atribuído a Hájeras circulou também na tradição lexicográfica: Ibne Duraide, ao explicar uma expressão relativa aos gumes da espada, transmite palavras nas quais Hájeras jura por sua espada, lança e cavalo que um homem não poderia contemplar o assassino do próprio pai sem agir contra ele, acrescentando que em seguida matou Jassas. A morte de Jassas, contudo, é transmitida de maneiras divergentes. Ibne Alatir registra primeiro uma versão segundo a qual os taglibitas perseguiram Jassas e um grupo comandado por Abu Nuaira Ataglibi o alcançou; no combate subsequente, Jassas matou Abu Nuaira e vários adversários, mas sofreu ferimentos graves dos quais morreu. O historiador apresenta em seguida, como versão alternativa, a tradição segundo a qual Hájeras matou o tio depois de descobrir sua ascendência, e declara que a primeira versão era a mais difundida.
Poesia
Hájeras é conhecido também pela poesia que lhe é atribuída em relação à morte de seu pai e à vingança contra Jassas. Almarzubani inclui-o no Muʿjam al-shuʿarāʾ e preserva versos nos quais Hájeras apresenta o conflito provocado pelo fato de o assassino de Culaibe ser seu próprio tio materno. Neles, afirma que seu pai fora atingido por seu tio e que não colocaria no mesmo plano o pai e o parente materno, acrescentando que Jassas lhe causara uma angústia cujo ardor não se extinguia. Almarzubani atribui-lhe ainda um verso no qual Hájeras lamenta não poder encontrar consolo enquanto sua vingança permanecesse junto de Jassas.
Bibliografia
Categoria:Poetas árabes do século V Categoria:Poetas árabes do século VI Categoria:Juxamitas (taglibitas) Categoria:Murraítas (xaibanitas) Categoria:Pessoas envolvidas na Guerra de Albaçus