Alaquefaxe, o Médio (), nome pelo qual ficou conhecido Abu Alhaçane Saíde ibne Maçada Almujaxii Albalqui (), foi um gramático e filólogo árabe da escola de Baçorá, ativo entre os séculos VIII e IX. Originário de Balque, viveu em Baçorá e era maula dos , dos tamimitas. Foi cronologicamente o segundo dos três gramáticos mais célebres conhecidos pela alcunha Alaquefaxe (al-Akhfash) e tornou-se o mais famoso entre eles, de modo que a alcunha empregada sem qualificação passou geralmente a designá-lo. Sua morte é situada pelas fontes entre 210 e 221 A.H. (825–835), sendo tradicionalmente indicada, com incerteza, em 215 A.H. (830–831).

Discípulo do mutazilita e sobretudo de Sibauai, Alaquefaxe desempenhou papel fundamental na transmissão do Kitab deste último, que ensinou e ajudou a difundir entre as gerações posteriores de gramáticos. Embora pertencente à escola de Baçorá, formulou opiniões próprias em numerosas questões gramaticais e exerceu influência também sobre a escola de Cufa. Sua aproximação com contribuiu para a circulação do Kitab entre os gramáticos cufanos, e algumas de suas posições foram posteriormente adotadas por estudiosos dessa escola. Dedicou-se ainda ao calâm, à exegese do Alcorão e à métrica árabe, área na qual acrescentou ao sistema de quinze metros de Alcalil ibne Amade Alfaraídi um décimo sexto metro, conhecido como al-khabab ou mutadarik.

Autor de numerosas obras sobre gramática, estudos corânicos, métrica, rima e lexicografia, Alaquefaxe exerceu influência duradoura sobre a tradição filológica árabe. Entre seus trabalhos preservados destacam-se o Kitāb al-Qawāfī, sobre a rima, o Kitāb al-ʿArūḍ, sobre métrica, e o Maʿānī al-Qurʾān, dedicado à análise linguística e gramatical do Alcorão e composto por solicitação de Alquiçai. Esta última obra serviu de modelo para trabalhos posteriores do mesmo gênero, inclusive os atribuídos a Alquiçai e a Alfarrá. Entre os numerosos títulos que as fontes lhe atribuem encontram-se ainda obras de gramática, lexicografia e estudos corânicos que não chegaram integralmente à atualidade.

Vida

Originário de Balque, Abu Alhaçane Saíde viveu em Baçorá e era maula dos , pertencentes aos tamimitas. Foi cronologicamente o segundo dos três gramáticos mais célebres conhecidos pela alcunha Alaquefaxe (al-Akhfash). Depois de Alaquefaxe, o Velho, foi durante algum tempo chamado Alaquefaxe, o Moço, mas essa designação passou posteriormente a Alaquefaxe, o Moço, levando os autores de obras biográficas a distingui-lo como Alaquefaxe, o Médio. Sua reputação tornou-se tão grande que, entre os estudiosos da língua árabe chamados Alaquefaxe, a alcunha empregada isoladamente passou geralmente a designá-lo.

Alaquefaxe completou sua formação em Baçorá. Entre seus mestres esteve o mutazilita , mas seu professor mais importante foi Sibauai, embora este fosse mais jovem que ele. Estudou também com alguns dos mestres de Sibauai e adquiriu formação nas diferentes disciplinas da língua árabe. Sua relação com Sibauai teve importância particular para a história da gramática árabe. Alaquefaxe sobreviveu ao mestre por muitos anos e desempenhou papel fundamental na transmissão do Kitab, obra que estudou, ensinou e contribuiu para difundir entre as gerações posteriores de gramáticos. A Encyclopaedia of Islam atribui-lhe diretamente a divulgação da obra e sua transformação numa referência amplamente conhecida.

Depois da morte de Sibauai, Alaquefaxe tornou-se uma das principais autoridades da escola gramatical de Baçorá. Sua influência, contudo, não ficou restrita aos estudiosos baçoranos, pois suas opiniões foram conhecidas e discutidas também pelos gramáticos de Cufa. Dedicou-se principalmente à gramática e à filologia, mas seus interesses abrangeram igualmente a interpretação linguística do Alcorão, a métrica e a teoria da rima. Sua posição entre as tradições gramaticais e a circulação de suas opiniões entre estudiosos posteriores fizeram dele uma das figuras mais influentes da filologia árabe dos séculos VIII e IX. A data de sua morte não é conhecida com segurança. A Encyclopaedia of Islam registra que teria morrido entre 210 e 221 A.H. (825–835), enquanto a tradição adotada pela TDV situa sua morte, com incerteza, em 215 A.H. (830–831).

Atividade filológica

Alaquefaxe destacou-se sobretudo como gramático e exerceu papel importante na transmissão e no desenvolvimento da tradição da escola de Baçorá. Sua relação intelectual mais importante foi com Sibauai, de quem se tornou discípulo e amigo próximo, apesar de ser mais velho que o mestre. Segundo a tradição preservada pela TDV, Sibauai mostrava a Alaquefaxe as partes do Kitab à medida que as redigia e discutia com ele as questões mais difíceis. Depois da morte de Sibauai, Alaquefaxe ensinou a obra e desempenhou papel fundamental em sua difusão entre os estudiosos posteriores. A Encyclopaedia of Islam igualmente atribui a Alaquefaxe a divulgação do Kitab e sua transformação numa obra amplamente conhecida.

A relação de Alaquefaxe com a tradição cufana tornou-se particularmente estreita depois da célebre controvérsia entre Sibauai e em Baguedade. Segundo a TDV, depois que Sibauai regressou a Baçorá e lhe relatou o ocorrido, Alaquefaxe dirigiu-se a Baguedade para encontrar Alquiçai. Embora o tenha colocado em dificuldade com as perguntas que lhe dirigiu, foi bem recebido pelo gramático cufano e, a pedido deste, permaneceu com ele, ensinou seus filhos e lhe transmitiu o Kitab de Sibauai. Também por insistência de Alquiçai, Alaquefaxe escreveu seu Maʿānī al-Qurʾān, obra que posteriormente serviu de modelo para trabalhos homônimos do próprio Alquiçai e de seu discípulo Alfarrá.

Embora pertencente à escola de Baçorá, Alaquefaxe divergiu de Sibauai em numerosas questões gramaticais e formulou opiniões próprias, muitas das quais foram posteriormente adotadas por estudiosos de Cufa. A TDV relaciona essa influência ao desenvolvimento da própria escola de Cufa, fazendo de Alaquefaxe uma figura de ligação importante entre as duas tradições gramaticais. Além da gramática, dedicou-se ao calâm, à exegese do Alcorão e à métrica árabe. Nesta última área, acrescentou ao sistema de quinze metros estabelecido por Alcalil ibne Amade Alfaraídi um décimo sexto metro, conhecido como al-khabab ou mutadarik. Entre seus discípulos são mencionados , Abu Hatime Assijistani, e Alquiçai. Alaquefaxe era ainda adepto do mutazilismo, orientação à qual pertencera também seu mestre Abu Xamir.

Obras

Alaquefaxe escreveu numerosas obras sobre gramática, exegese corânica, métrica, rima, lexicografia e outros aspectos da língua árabe. Entre as que chegaram à atualidade encontra-se o Kitāb al-Qawāfī, dedicado à rima, publicado pela primeira vez por ʿIzzat Ḥasan em Damasco, em 1970, e novamente por Aḥmad Rātib al-Naffākh em Beirute, em 1974. Outra obra preservada é o Maʿānī al-Qurʾān, dedicado à análise linguística e gramatical do Alcorão. O trabalho foi escrito por insistência de Alquiçai e exerceu influência sobre obras posteriores do mesmo gênero. Foi editado por Fāʾiz Fāris e publicado em dois volumes no Cuaite em 1979, recebendo posteriormente outra edição preparada por ʿAbd al-Amīr Muḥammad Amīn al-Ward, publicada em Beirute em 1985. Também se conserva o Kitāb al-ʿArūḍ, tratado de métrica árabe conhecido por um único manuscrito de catorze fólios conservado na Biblioteca Aḥmadiyya de Tanta. O texto foi publicado por Sayyid al-Baḥrāwī em 1986.As fontes atribuem ainda a Alaquefaxe numerosas obras, entre elas Kitāb al-Awsaṭ fī al-naḥw, Kitāb al-Maqāyīs fī al-naḥw, Kitāb al-Masāʾil al-kabīr, Kitāb al-Masāʾil al-ṣaghīr, Kitāb Ṣifāt al-ghanam wa-alwānihā wa-ʿilājihā wa-asnānihā, Kitāb al-Wāḥid wa-al-jamʿ fī al-Qurʾān, Kitāb al-Taṣrīf, Kitāb al-Aṣwāt, Kitāb al-Arbaʿa, Kitāb al-Nawādir, Kitāb al-Ishtiqāq, Kitāb Gharīb al-Qurʾān e Gharīb al-ḥadīth.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Bactro Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Árabes do século IX Categoria:Pessoas do Califado Abássida