A Batalha de Alcuçaibate ou Dia de Alcuçaibate (), também conhecido como Dia de Bátene Açaru (Yawm Baṭn al-Sarw), foi um dos confrontos da Guerra de Albaçus, conflito da Arábia pré-islâmica travado entre os taglibitas e os becritas, ambos pertencentes aos rebiaítas. As tradições que preservam o episódio atribuem a vitória a Taglibe, e algumas o apresentam como uma derrota particularmente severa para Becre. Em reconstruções transmitidas por Albacri e Ibne Alatir, Alcuçaibate constitui o quarto de uma sequência de cinco grandes confrontos da guerra, depois de Unaiza, Uaridate e Alhinu e antes do Dia de Quida.

Uma das tradições mais desenvolvidas sobre o confronto situa nele a morte do chefe becrita Hamame ibne Murra, irmão de Jassas. Segundo a narrativa preservada por Abu Alfaraje Alisfaani, Hamame foi morto por Naxira, um jovem taglibita que ele próprio teria acolhido e criado depois de encontrá-lo abandonado. Ibne Alatir transmite a mesma versão e acrescenta que Jassas quase foi capturado durante o combate, mas registra também uma tradição concorrente segundo a qual Hamame teria morrido anteriormente, no Dia de Uaridate.

O campo de batalha é identificado por Alisfaani como Bátene Açaru (Baṭn al-Sarw), nas terras ocupadas por Becre e Taglibe, e o topônimo Alcuçaibate aparece também no singular, Alcuçaiba (al-Quṣayba), enquanto a tradição manuscrita preserva Alcaçabate (al-Qaṣabāt) como variante. O confronto possui ainda uma tradição poética própria: além de integrar uma série de dias celebrados numa cássida atribuída a Almualhil, é associado a um lamento pela morte de Hamame e a versos nos quais Almualhil ameaça prosseguir sua vingança contra os becritas.

Antecedentes

A Guerra de Albaçus foi um conflito da Arábia pré-islâmica travado entre os taglibitas e os becritas, grupos aparentados pertencentes aos rebiaítas. Segundo as tradições árabes, sua origem esteve ligada à morte do chefe taglibita Culaibe ibne Rebia, cuja posição entre as tribos teria sido acompanhada pela imposição de restrições ao acesso a áreas de pastagem e pontos de água. Um dos episódios associados ao agravamento das tensões envolveu Sarabi, uma camela cuja propriedade varia segundo as fontes e que teria sido morta ou ferida por Culaibe depois de entrar numa área reservada por ele. A afronta atingiu Albaçus binte Munquide, tia materna do becrita Jassas ibne Murra, e os versos de lamento que lhe são atribuídos foram tradicionalmente interpretados como uma incitação para que o sobrinho reagisse. Jassas posteriormente matou Culaibe, embora as fontes preservem versões diferentes das circunstâncias do assassinato e relacionem o confronto tanto ao episódio da camela quanto às disputas sobre pastagens e águas. A morte de Culaibe deu início a uma sucessão de vinganças entre becritas e taglibitas que ficou conhecida como Guerra de Albaçus. Entre os principais dirigentes taglibitas durante o conflito figurou Almualhil, irmão de Culaibe, cuja poesia preservou referências a diferentes combates travados durante a guerra.

Localização

O confronto ocorreu em Bátene Açaru (Baṭn al-Sarw), local que Abu Alfaraje Alisfaani identifica expressamente com Alcuçaibate (al-Quṣaybāt). Segundo a tradição transmitida por Mucatil, o episódio era conhecido como Dia de Bátene Açaru ou Dia de Alcuçaibate, sendo registrado também no singular como Dia de Alcuçaiba (al-Quṣayba). A tradição manuscrita do Kitab al-Aghani preserva ainda a forma Alcaçabate (al-Qaṣabāt) como variante do mesmo topônimo. Albacri situa Alcuçaibate nas terras ocupadas por Becre e Taglibe, incluindo o lugar entre os locais associados aos confrontos da Guerra de Albaçus.

Batalha

Ibne Abede Rabi inclui o Dia de Alcuçaibate entre uma série de confrontos da Guerra de Albaçus nos quais os taglibitas teriam prevalecido sobre os becritas. Em sua enumeração, Alcuçaibate aparece juntamente com Alhinu, Uairidate, Anique e Daria. Segundo essa tradição, as sucessivas derrotas provocaram perdas tão severas entre os becritas que estes chegaram a considerar difícil recuperar-se dos reveses sofridos. Abu Alfaraje Alisfaani preserva uma descrição mais específica do confronto. Segundo a tradição transmitida por Mucatil, becritas e taglibitas encontraram-se em Bátene Açaru, no chamado Dia de Alcuçaibate, e a vitória coube a Taglibe. A derrota teria sido tão severa que os becritas chegaram a acreditar que seriam exterminados. Mucatil afirma ainda que Hamame ibne Murra, irmão de Jassas, foi morto nesse confronto.

Segundo a mesma tradição, Hamame permaneceu como comandante de Becre até sua morte em Alcuçaibate. Anos antes, teria encontrado um menino abandonado, que acolheu, criou e chamou de Naxira. Ao crescer, Naxira descobriu que pertencia aos taglibitas. Durante o combate de Alcuçaibate, Hamame retirava-se periodicamente da luta para beber água de um odre e, numa dessas ocasiões, depôs suas armas. Naxira aproveitou-se de sua desatenção, atacou-o com uma lança e o matou, fugindo em seguida para junto dos taglibitas. Ibne Alatir preserva tradições divergentes sobre a morte de Hamame. Segundo uma delas, ele teria sido morto anteriormente, no Dia de Uaridate, durante outra vitória de Taglibe; Almualhil, ao encontrar seu corpo, teria lamentado sua morte e declarado que, depois de Culaibe, nenhuma perda lhe era mais dolorosa. O autor registra, contudo, a versão segundo a qual Hamame morreu em Alcuçaibate, antes do Dia de Quida, morto por Naxira, e reproduz essencialmente a mesma narrativa sobre a criação do jovem por Hamame e seu posterior retorno aos taglibitas. Acrescenta que Jassas quase foi capturado durante o confronto, mas conseguiu escapar.

Albacri, citando Abu Ubaida, inclui igualmente Alcuçaibate entre uma série de confrontos posteriores da guerra nos quais Taglibe teria prevalecido sobre Becre. O episódio permanece também na tradição de Abu Ubaida transmitida por Ibne Aciquite, que apresenta cinco grandes combates em sequência: Unaiza, Uaridate, Alhinu, Alcuçaibate e Quida. Nessa reconstrução, Alcuçaibate constitui o quarto confronto e termina com uma vitória taglibita. Ibne Alatir preserva igualmente uma reconstrução em cinco grandes confrontos, na mesma sequência, e afirma que em Alcuçaibate os becritas sofreram perdas tão severas que chegaram a considerar que não conseguiriam recuperar-se.

Poesia

Depois de enumerar Alhinu, Uairidate, Anique, Daria e Alcuçaibate entre os confrontos vencidos pelos taglibitas, Ibne Abede Rabi atribui a Almualhil uma longa cássida na qual, segundo o autor, o poeta descreveu esses dias e recordou aos becritas as derrotas sofridas. A composição é introduzida pelos seguintes versos:

Ibne Abede Rabi reproduz em seguida outros trechos da composição, nos quais Almualhil evoca diferentes episódios da Guerra de Albaçus, mencionando Culaibe, Adanaibe, Unaiza, Uaridate e a morte de Bujair ibne Alharite. Embora Alcuçaibate não seja mencionado nominalmente nos versos reproduzidos, o autor apresenta expressamente a cássida como referente ao conjunto de dias que acabara de enumerar, entre os quais se encontrava Uairidate. A morte de Hamame em Alcuçaibate foi igualmente associada à poesia. Depois de narrar o assassinato cometido por Naxira, Alisfaani preserva um verso atribuído ao lamentador de Hamame, no qual o golpe é apresentado como causa do desamparo daqueles que dependiam do chefe becrita e se dirige uma imprecação ao responsável por sua morte:

Ibne Alatir atribui ainda a Almualhil versos imediatamente depois de narrar a versão que situa a morte de Hamame em Alcuçaibate. Neles, o poeta ameaça conduzir sua cavalaria contra os becritas e prosseguir a vingança pelas mortes que motivavam o conflito:

Bibliografia

Categoria:Batalhas do século V Categoria:Batalhas do século VI Categoria:Batalhas da Guerra de Albaçus