A Batalha de Adanaibe ou Dia de Adanaibe () foi um dos principais confrontos da Guerra de Albaçus, conflito da Arábia pré-islâmica travado entre os taglibitas e os becritas, dois grupos pertencentes aos rebiaítas. As tradições árabes apresentam Adanaibe como uma vitória taglibita acompanhada por grande mortandade entre os becritas, sendo descrito como o maior confronto travado até então entre os dois grupos. Entre os mortos encontravam-se chefes pertencentes a diferentes ramos de Becre, incluindo xaibanitas, dulitas, taimalatitas e caicitas.
Entre as baixas atribuídas ao combate figuraram os xaibanitas Xarail e Alharite ibne Murra e o caicita Tamime ibne Caice ibne Talaba que, dada sua idade, foi transportado ao campo de batalha numa liteira, onde foi morto pelo taglibita Anre ibne Maleque ibne Alfadaucas. A memória do confronto tornou-se particularmente associada à poesia de Almualhil, que menciona nominalmente Adanaibe numa longa cássida dedicada à morte de seu irmão Culaibe ibne Rebia e às vinganças realizadas durante a guerra.
A mesma tradição poética relaciona-se ao Dia dos Axatamanes, cuja identificação nas fontes é divergente: enquanto uma tradição o situa em Uaridate, versos de Alactal associam a morte dos Axatamanes a Adanaibe. O próprio topônimo aparece em diferentes fontes geográficas e poéticas da literatura árabe medieval. Iacute Alhamaui descreve Adanaibe como três colinas de Négede, situadas à esquerda de Falja para quem seguia em direção a Meca, e registra ainda uma tradição que o localiza na parte ocidental do Hima de Daria.
Antecedentes
A Guerra de Albaçus foi um conflito da Arábia pré-islâmica travado entre os taglibitas e os becritas, grupos aparentados pertencentes aos rebiaítas. Segundo as tradições árabes, sua origem esteve ligada à morte do chefe taglibita Culaibe ibne Rebia, cuja posição entre as tribos teria sido acompanhada pela imposição de restrições ao acesso a áreas de pastagem e pontos de água. Um dos episódios associados ao agravamento das tensões envolveu Sarabi, uma camela cuja propriedade varia segundo as fontes e que teria sido morta ou ferida por Culaibe depois de entrar numa área reservada por ele. A afronta atingiu Albaçus binte Munquide, tia materna do becrita Jassas ibne Murra, e os versos de lamento que lhe são atribuídos foram tradicionalmente interpretados como uma incitação para que o sobrinho reagisse. Jassas posteriormente matou Culaibe, embora as fontes preservem versões diferentes das circunstâncias do assassinato e relacionem o confronto tanto ao episódio da camela quanto às disputas sobre pastagens e águas. A morte de Culaibe deu início a uma sucessão de vinganças entre becritas e taglibitas que ficou conhecida como Guerra de Albaçus. Entre os principais dirigentes taglibitas durante o conflito figurou Almualhil, irmão de Culaibe, cuja poesia preservou referências a diferentes combates travados durante a guerra.
Localização
Adanaibe (al-Dhanāʾib) situava-se em Négede e figurava entre as antigas moradas dos rebiaítas. Iacute Alhamaui, ao reproduzir uma tradição atribuída a Abu Almondir Hixame ibne Maomé sobre a dispersão dos becritas e taglibitas, inclui Adanaibe juntamente com Uaridate, Alasse, Xabite, Bátene Aljaribe e outros lugares ocupados pelos dois grupos. O geógrafo descreve Adanaibe como três colinas em Négede e situa-as à esquerda de Falja para quem seguia em direção a Meca. Registra ainda Du Salime como um vale que desaguava em Adanaibe. Em outra tradição geográfica, atribuída a Abu Ziade, Adanaibe é situado na parte ocidental do Hima de Daria.
Batalha
Ibne Abede Rabi apresenta o Dia de Adanaibe como o maior confronto travado até então entre taglibitas e becritas durante a Guerra de Albaçus. O combate terminou numa vitória taglibita e numa grande matança entre os becritas. Entre os chefes mortos figuraram o xaibanita Xarail ibne Murra, morto pelo taglibita Atabe ibne Sade, e Alharite ibne Murra, morto por Cabe ibne Zuair. Dos dulitas morreu ainda Anre ibne Sadus ibne Xaibane; dos taimalatitas, Jamil ibne Maleque e Abedalá ibne Maleque; e dos caicitas, Sade ibne Dabia e Tamime ibne Caice. Este último, já muito idoso, teria sido levado ao campo de batalha numa liteira, até ser alcançado e morto por Anre ibne Maleque.
Poesia
Adanaibe ocupa lugar destacado na poesia atribuída a Almualhil sobre a Guerra de Albaçus. Numa longa cássida de lamento por Culaibe ibne Rebia e evocação das vinganças realizadas em sua memória, o poeta associa diretamente o lugar à duração de sua noite e imagina que, caso o irmão pudesse deixar a sepultura, reconheceria em Adanaibe aquilo em que Almualhil se transformara:
A referência a zīr relaciona-se a uma tradição segundo a qual Culaibe censurava Almualhil por sua dedicação às mulheres, chamando-o de zīr al-nisāʾ. Almubarrade, ao transmitir os mesmos versos, explica que Almualhil teria provocado em Adanaibe uma grande matança entre os adversários e que o sentido da passagem era que, se Culaibe pudesse testemunhar aquilo que o irmão fizera, saberia que ele já não correspondia à antiga acusação. A associação dos versos ao topônimo tornou-se também um testemunho geográfico: Iacute Alhamaui os reproduz em seu verbete sobre Adanaibe. A mesma composição associa a vingança por Culaibe ao chamado Dia dos Axatamanes (Yawm al-Shaʿthamayni):
A identificação desse dia apresenta divergências na tradição. Ibne Abede Rabi identifica o Dia dos Axatamanes com Uaridate, enquanto outra evidência poética o associa a Adanaibe. A edição do Kitab al-Aghani observa essa divergência e reproduz, em apoio à segunda identificação, um verso de Alactal, no qual o poeta celebra os feitos de seus antepassados taglibitas e afirma que os Axatamanes foram destruídos no Dia de Adanaibe:
Segundo a mesma tradição, os Axatamanes eram dois irmãos dos dulitas, filhos de Moáuia ibne Amir, e o dia teria recebido deles sua designação porque ambos morreram no confronto. As fontes preservam variantes tanto para seus nomes quanto para a identificação do combate em que foram mortos. Os versos sobre Adanaibe integram uma composição mais extensa na qual Almualhil reúne diferentes episódios da Guerra de Albaçus. Depois da evocação de Adanaibe e do Dia dos Axatamanes, algumas recensões conservam a referência à morte de Bujair ibne Alharite em Uaridate e ao estrondo produzido pelo choque das espadas, que o poeta afirma que poderia ter sido ouvido em Hajer, em Iamama. A cássida circulou em diferentes recensões e foi reproduzida ou citada por autores de gêneros diversos, entre eles Ibne Abede Rabi, Almubarrade e Iacute.
Bibliografia
Categoria:Batalhas do século V Categoria:Batalhas do século VI Categoria:Batalhas da Guerra de Albaçus