André Freitas Francisco (São José dos Campos, 5 de agosto de 1975) é um quadrinhista, ilustrador e professor brasileiro. Formou-se em Desenho Industrial pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo no ano de 2000 e realizou cursos livres de Quadrinhos e Ilustração pela Fábrica de Quadrinhos e pela Academia Brasileira de Arte (ABRA), instituição onde ingressou no corpo docente.
Biografia Juventude e formação Nascido em São José dos Campos, mudou-se jovem para a capital paulista com sua mãe e irmã para morar com os avós. Por incentivo do avô, tornou-se leitor precoce de histórias em quadrinhos, acompanhando desde as revistas da Turma da Mônica até as publicações de super-heróis das editoras Marvel e DC Comics.
Aos 13 anos, em 1989, realizou seu primeiro curso de desenho na ABRA, descobrindo o interesse pela arte sequencial. Durante a adolescência, seguiu produzindo HQs curtas protagonizadas por super-heróis inspirados em personagens existentes ou em seus amigos de infância. Em 1993, aos 18 anos, cursou animação na escola HGN, fundada pelo animador Haroldo Guimarães Neto, experiência que influenciou a estética do seu traço.
Em 1997, enquanto cursava a faculdade, ingressou na primeira turma do curso de Histórias em Quadrinhos da Fábrica de Quadrinhos. Seu estilo artístico desenvolveu-se a partir da integração de técnicas estudadas nas aulas de ilustração da Belas Artes, ministradas pelo professor Luiz Bagno, com os conhecimentos práticos adquiridos na Fábrica de Quadrinhos com Octávio Cariello e Marcelo Campos.
Nessa época, produziu seus primeiros fanzines: Boo (durante o curso de zines de Sam Hart) e Fambigo de Quadrinhos (trabalho de conclusão do segundo ano na Fábrica). Durante o último ano do curso, criou o personagem Vampiro Ozman para um projeto de aula; o personagem foi posteriormente publicado no fanzine Defeito de Fábrica e na coletânea Miscelânea, da editora Nona Arte.
O Yes Cabrita Studio e primeiras publicações Após a formação acadêmica, André fundou o Yes Cabrita Studio, passando a produzir ilustrações para livros de RPG da editora Daemon e obras infantojuvenis para a FTD. No segundo ano do estúdio, os ilustradores Caio Majado e Ronaldo Barata integraram a equipe. O estúdio expandiu sua área de atuação para o web design e ilustrações para livros das editoras Nobel, Tipo, Conex e Marco Zero.
Em 2004, André participou do fanzine Orbital com uma história elaborada em seu período na Fábrica de Quadrinhos. Em 2005, assumiu a coedição da revista Front, publicada pela Editora Via Lettera, veículo no qual publicou suas primeiras histórias por uma editora e conquistou seu primeiro Troféu HQ Mix. Em 2006, em parceria com Cristina Koskinas e Isabela Sarkis, integrou a Cápsula Design, atuando com web design e criação de produtos licenciados.
Retorno aos quadrinhos e financiamento coletivo Em 2011, André decidiu focar na produção de histórias em quadrinhos. Voltou a frequentar convenções em busca de oportunidades no mercado internacional e marcou presença no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte.Em 2013, lançou pelo Catarse a HQ independente do personagem Ozman, consolidando sua atuação no mercado via financiamento coletivo. No ano seguinte, desenhou a adaptação em quadrinhos do romance Onde Andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu, com roteiro de Arnaldo Branco — obra que permaneceria inédita até 2026. Em 2015, participou de projetos como a campanha Vampiros Independentes (com André Farias e Paulo César Santos) e a antologia O Rei Amarelo em Quadrinhos, lançada pela editora Draco e vencedora do Troféu HQ Mix em 2016. Em seguida, dividiu o projeto da narrativa mais longa do universo de Ozman em duas edições encadernadas: Ozman: Thanatos (2016) e Ozman: Keres (2017).
Editais, série META e Prêmio Jabuti Entre 2018 e 2020, André dedicou-se ao primeiro volume de META: Depto. de Crimes Metalinguísticos, projeto desenvolvido com apoio do programa Rumos Itaú Cultural. A obra foi laureada em 1º lugar no Prêmio Jabuti de 2021 na categoria Histórias em Quadrinhos. A série ganhou continuações publicadas pela editora Zarabatana Books, todas mantendo a equipe criativa composta por Marcelo Saravá (argumento), André Freitas (arte), Omar Viñole (cores) e Deyvison Manes (letras). Paralelamente, teve projetos contemplados no Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC): - Vida Selvagem (2021) — em parceria com Felipe Menduni, Caio Majado e Omar Viñole. - Setembro, quando estivemos aqui (2023) — com roteiro de Freitas e arte de Samuel Bono. Em 2026, lançou as graphic novels Entropia Tropical, com roteiro de Gabriel Arrais, e a versão em quadrinhos de Onde Andará Dulce Veiga?, lançada pelo selo Quadrinhos na Cia.
Prêmios e indicações
Prêmio Jabuti (2021): Vencedor na categoria Histórias em Quadrinhos por META: Depto. de Crimes Metalinguísticos (Vol. 1). Troféu HQ Mix: Vencedor em edições do prêmio através de participações em obras coletivas (Front e O Rei Amarelo em Quadrinhos); indicado por META 2 e Vida Selvagem. Prêmio Ângelo Agostini: Indicado pela obra Setembro, quando estivemos aqui.
Bibliografia Front 16 (2005) Front 18 (2007) Ozman Nemesis (2013) Ozman Harpocrates (2015) Rei Amarelo em Quadrinhos (2015) Ozman Thanatos (2016) Ozman Keres (2017) META: Depto. de crimes metalinguísticos volume 1 (2020) Os Arquivos secretos de Demetrius Dante volume 4 (2021) Vida Selvagem (2022) META: Depto. de crimes metalinguísticos volume 2 (2022) META: Depto. de crimes metalinguísticos volume 3 (2024) Setembro, quando estivemos aqui (2025) Entropia Tropical (2026) Onde Andará Dulce Veiga? (2026)
Referências
https://quadrinhopedia.com.br/pessoas/andre-freitas/
https://abra.com.br/nosso-ensino/professores/andre-freitas-1
https://yescabrita.com.br/sobre-o-artista/