Vincent Rodney Cheesman (Reading, 21 de maio de 1943 – Londres, 14 de fevereiro de 1989), conhecido profissionalmente como Vincent Crane, foi um músico, compositor e teclista britânico, conhecido sobretudo como fundador e principal força criativa dos Atomic Rooster e como teclista dos The Crazy World of Arthur Brown. Biografia

Primeiros anos e formação

Vincent Crane estudou no Trinity College of Music, em Londres, entre 1961 e 1964. Durante a adolescência interessou-se pelo piano boogie-woogie e, influenciado pelo organista Graham Bond, adotou posteriormente o órgão Hammond, que se tornaria o seu principal instrumento.

The Crazy World of Arthur Brown

Em 1966, Crane juntou-se a Arthur Brown, participando na formação dos The Crazy World of Arthur Brown, nos quais assumiu os teclados. O grupo tornou-se presença regular no circuito underground britânico, atuando em locais como o UFO Club, em Londres, e em festivais como os de Reading e Montrose. Em Londres, estabeleceu também uma residência no Middle Earth, em Covent Garden, onde chamou a atenção de Pete Townshend. Impressionado com a banda, Townshend recomendou-a ao seu empresário Kit Lambert, que acabaria por contratá-la para a Track Records.

Crane participou na composição de grande parte do álbum The Crazy World of Arthur Brown e nos seus arranjos orquestrais. O grupo alcançou sucesso internacional em 1968 com o single Fire. O intenso ritmo de digressões acabou, contudo, por afetar a saúde de Crane, que sofreu um colapso nervoso.

Atomic Rooster

Após regressar ao Reino Unido, Crane e o baterista Carl Palmer começaram a preparar a formação de uma nova banda. Depois de considerarem vários músicos, entre os quais Noel Redding e Ric Grech, recrutaram o baixista e vocalista Nick Graham, formando os Atomic Rooster. O álbum de estreia, Atomic Roooster, lançado em 1970, alcançou o 49.º lugar na tabela britânica de álbuns.

A formação sofreu alterações pouco depois, com a saída de Graham e, posteriormente, de Palmer, que se juntou aos Emerson, Lake & Palmer. Crane manteve-se como o único elemento constante do grupo, recrutando o guitarrista e vocalista John Du Cann e o baterista Paul Hammond. Esta formação gravou Death Walks Behind You (1970), que alcançou o 12.º lugar no Reino Unido, enquanto o single Tomorrow Night chegou ao 11.º lugar.

Os Atomic Rooster alcançaram novo êxito em 1971 com The Devil's Answer, que atingiu o 4.º lugar da tabela britânica. Após novas mudanças de formação, Crane reorganizou o grupo. Entre os músicos que passaram pela nova formação encontravam-se o vocalista Chris Farlowe, o guitarrista Steve Bolton, o baterista Ric Parnell e o guitarrista Johnny Mandala. Durante este período, a música dos Atomic Rooster incorporou progressivamente elementos de soul e funk.

Depois da dissolução do grupo em meados da década de 1970, Crane retomou os Atomic Rooster em 1980, voltando a trabalhar com John Du Cann. A banda manteve-se ativa, com novas alterações de formação, até à edição de Headline News em 1983, álbum que contou com participações de guitarristas como David Gilmour e Bernie Tormé. Crane encerrou novamente a atividade dos Atomic Rooster no ano seguinte.

Colaborações e últimos anos

Paralelamente à sua atividade nos Atomic Rooster, Crane colaborou com outros músicos. Em 1971 participou no álbum de estreia a solo de Rory Gallagher, tocando piano nos temas Wave Myself Goodbye e I'm Not Surprised.

No final da década de 1970, Crane voltou a colaborar com Arthur Brown, participando em Time Actor, projeto de Klaus Schulze editado sob o nome Richard Wahnfried, no qual tocou teclados. A colaboração com Brown prosseguiu em Faster Than the Speed of Light (1980), álbum creditado a ambos, no qual Crane tocou órgão e piano.

Em 1983, Crane integrou o projeto de blues Katmandu, juntamente com Peter Green e Ray Dorset, participando na gravação do álbum A Case for the Blues.

Em 1985, Crane participou no álbum Don't Stand Me Down, dos Dexys Midnight Runners, tocando piano.

Problemas de saúde e morte miniatura|esquerda|155px|Sepultura do músico. Crane enfrentou problemas de saúde mental durante grande parte da vida adulta, tendo sido diagnosticado com perturbação bipolar, então frequentemente designada por psicose maníaco-depressiva. Os seus problemas já se haviam manifestado no final da década de 1960, quando sofreu um colapso nervoso durante o período de intensa atividade dos The Crazy World of Arthur Brown, seguindo-se outros períodos de tratamento e internamento ao longo dos anos.

Nos últimos anos da sua vida, Crane continuou a enfrentar períodos de depressão. Barry Winton, da revista Record Collector, que o conhecia pessoalmente, recordou ter falado com Crane na manhã da sua morte e relatou que, algumas semanas antes, o músico lhe dissera encontrar-se profundamente deprimido.

Vincent Crane morreu em Londres, em 14 de fevereiro de 1989, aos 45 anos, por suicídio, após uma overdose de medicamentos.

Estilo e técnica

Crane destacou-se pela utilização do órgão Hammond como instrumento central da sua música. Após os Atomic Rooster abandonarem a formação inicial com baixo elétrico, Crane passou a assumir também as linhas de baixo através do seu Hammond C3, permitindo ao grupo atuar como trio de órgão, guitarra e bateria sem recorrer a um baixista. Discografia

The Crazy World of Arthur Brown The Crazy World of Arthur Brown (1968)

Atomic Rooster Atomic Roooster (1970) Death Walks Behind You (1970) In Hearing of Atomic Rooster (1971) Made in England (1972) Nice 'n' Greasy (1973) Atomic Rooster (1980) Headline News (1983)

Katmandu A Case for the Blues (1983)

Referências

Categoria:Organistas do Reino Unido Categoria:Compositores da Inglaterra Categoria:Tecladistas da Inglaterra