Caladuno (frequentemente registado na herança latina como Caladunum ou Calladunum, e em grego antigo como Καλαδούνον), foi um relevante povoado fortificado de origem céltica (oppidum) e, posteriormente, uma importante estação viária romana (mansio), situado na antiga província da Galécia, no território administrativo e jurídico do Convento Bracarense, no Noroeste da Península Ibérica, cujo topónimo apresenta uma clara etimologia celta derivada da aglutinação dos radicais kala (que significa rocha ou lugar escarpado) e dunon / dunum (designação para fortaleza ou cidade muralhada). A antiga povoação encontra-se documentada desde o século II d.C. pelo geógrafo Cláudio Ptolomeu na sua obra Geographia como um dos núcleos urbanos pertencentes ao povo dos brácaros (bracari), convertendo-se mais tarde num nó de comunicações crucial ao longo da Via XVII, a calçada romana registada no Itinerário de Antonino que assegurava a ligação direta entre as grandes capitais regionais de Bracara Augusta (a atual cidade de Braga, em Portugal) e Asturica Augusta (Astorga, em Espanha). Na historiografia e na arqueologia contemporâneas, a localização geográfica exata de Caladuno continua a suscitar intensos debates académicos, embora a hipótese mais aceite na atualidade — amplamente respaldada pelo cálculo rigoroso das distâncias em milhas romanas e por recentes descobertas arqueológicas, tais como o acampamento militar romano de Ciada — situe esta mansio na região de Vilar de Perdizes (Montalegre), nas proximidades do alto vale do rio Cávado e das fraldas da Serra do Larouco, estando estreitamente vinculada ao monumental sítio do Castro de Pedrário, o que contraria as velhas tradições cartográficas europeias que no passado tentavam identificar esta estação com o território de Mirandela. A comunidade pré-romana dos caladunos (caladuni), que dominava estes territórios montanhosos, foi integrada progressivamente nas estruturas económicas e administrativas do Império Romano, transformando o assentamento num posto estratégico para o controlo dos recursos mineiros locais e das rotas comerciais em direção a Aquae Flaviae (Chaves), legando à posteridade valiosos testemunhos epigráficos recolhidos no Corpus Inscriptionum Latinarum (CIL II, 2487), onde o nome «Caladunus» aparece amplamente atestado como antropónimo em toda a área setentrional do Portugal moderno.

Categoria:Sítios arqueológicos romanos em Portugal