Ática binte Abede Almotalibe () foi uma mulher dos haxemitas, filha de Abede Almotalibe e tia paterna de Maomé. Casou-se com Abu Omaia ibne Almuguira, dos maquezumitas, com quem teve Abedalá, Zuair ibne Abi Omaia e Cariba. É lembrada nas tradições como poetisa e pela atribuição de elegias a seu pai e a Maomé. Ática tornou-se particularmente conhecida na tradição islâmica por um sonho que teria tido pouco antes da Batalha de Badre, interpretado posteriormente como um presságio do confronto e das perdas sofridas pelos coraixitas. As fontes divergem quanto à sua conversão ao Islã: enquanto uma tradição afirma que Safia foi a única tia paterna de Maomé a se converter, Ibne Sade sustenta que Ática abraçou o Islã em Meca e posteriormente migrou para Medina. Se forem autênticos os poemas que lhe são atribuídos, entre os quais uma elegia pela morte de Maomé, ela ainda estaria viva em 632.

Vida

As datas de nascimento e morte de Ática são desconhecidas. Era filha de Abede Almotalibe e, como as demais filhas deste, é descrita pelas fontes como poetisa. Segundo a tradição, nos últimos dias de vida, Abede Almotalibe reuniu suas seis filhas e pediu-lhes que recitassem as elegias que comporiam em sua memória depois de sua morte. Cada uma teria então declamado um poema em louvor ao pai, e uma das elegias atribuídas a Ática foi preservada. Ática casou-se com Abu Omaia ibne Almuguira, dos maquezumitas, que posteriormente seria também pai de Ume Salama, esposa de Maomé. Do casamento de Ática e Abu Omaia nasceram dois filhos, Abedalá e Zuair ibne Abi Omaia, e uma filha, Cariba.

Ática tornou-se particularmente conhecida na tradição islâmica por um sonho que teria tido pouco antes da Batalha de Badre. Na ocasião, Abu Sufiane regressava da Síria à frente de uma caravana coraixita e, diante da ameaça de um ataque dos muçulmanos, enviou a Meca para pedir auxílio. Alguns dias antes da chegada do mensageiro, Ática teria tido um sonho que a amedrontou e posteriormente causou inquietação entre os habitantes da cidade. No sonho, um homem montado num camelo chegava rapidamente a Meca e, passando sucessivamente por , pela Caaba e pelo monte Abu Cubais, convocava os habitantes a se dirigirem, dentro de três dias, ao lugar onde combateriam e seriam mortos. Do alto do monte, o homem lançava então uma rocha que, ao chegar à parte baixa da cidade, fragmentava-se e espalhava seus pedaços por todas as casas de Meca. Ática contou o sonho a seu irmão Alabás, pedindo-lhe que o mantivesse em segredo. Abas, contudo, relatou-o a seu amigo Alualide ibne Uqueba, e a notícia acabou se difundindo entre os habitantes de Meca.

A repercussão do sonho teria provocado a reação de Abu Jal, que confrontou Abas junto à Caaba e ironizou o fato de que, segundo ele, os homens da família já não se contentavam em reivindicar a profecia, pois agora também suas mulheres faziam o mesmo. Declarou ainda que, se nada acontecesse dentro dos três dias anunciados, a família seria considerada uma das mais mentirosas entre os árabes. Segundo o relato, precisamente no terceiro dia Damedame chegou a Meca anunciando o perigo enfrentado pela caravana e solicitando auxílio, circunstância interpretada como a realização do sonho de Ática. Seu irmão Abu Laabe, embora adversário de Maomé, teria ficado tão impressionado pelo episódio que não participou pessoalmente da Batalha de Badre.

Ática também teria composto um poema após a Batalha de Badre. As tradições, contudo, divergem quanto à sua conversão ao Islã. Alguns transmissores, entre eles Ibne Isaque, afirmam que, entre as tias paternas de Maomé, somente Safia se converteu. Em contraste, Ibne Sade atribui a Ática três poemas em louvor a Maomé e afirma que ela abraçou o Islã em Meca e posteriormente realizou a migração para Medina. Caso sejam aceitos como autênticos os poemas que lhe são atribuídos, um deles, composto como elegia pela morte de Maomé, indicaria que Ática ainda estava viva quando ele morreu, em 632.

Bibliografia

Categoria:Maquezumitas Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Tios de Maomé Categoria:Poetas árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII