A Crítica ao fascismo vem de diversos grupos, incluindo muitas ideologias políticas, disciplinas académicas, sobreviventes de governos fascistas, e outros observadores.

A derrota das potências do Eixo na II Guerra Mundial e a subsequente revelação dos crimes contra a humanidade cometidos durante o Holocausto pela Alemanha Nazi levaram a uma condenação quase universal das formas no passado e presente do fascismo na era moderna. "Fascismo" é hoje usado pelo espetro político como um pejorativo ou sinónimo do autoritarismo percebido e outras formas de mal político.

Tópicos da crítica

Anti-democrático e tirânico

Uma das críticas mais comuns e fortes do fascismo é de que é uma tirania. O fascismo é deliberadamente e inteiramente não-democrático e anti-democrático.

O autoritarismo e o nacionalismo extremo do Fascismo frequentemente manifesta-se como uma crença em pureza racial ou numa raça superior, normalmente misturada com alguma variante de racismo ou discriminação contra um "Outro" demonizado, como judeus, homossexuais, pessoas transgênero, minorias étnicas, ou imigrantes. Estas ideias motivaram regimes fascistas a cometer massacres, esterilizações forçadas, deportações, e genocídios. Durante a II Guerra Mundial, as ambições genocidas e imperialistas das potências do Eixo fascistas resultaram no assassinato de milhões de pessoas. Federico Finchelstein escreveu que o fascismo...englobava totalitarismo, terrorismo de estado, imperialismo, racismo e, no caso alemão, o genocídio mais radical do último século: o Holocausto. O fascismo, nas suas muitas formas, não hesitou em matar os seus cidadãos como também os seus sujeitos coloniais na sua procura por resolução ideológica e política. Milhões de civis morreram numa escala global durante o apogeu das ideologias fascistas na Europa e além.O historiador Robert Paxton escreveu que o fascismoredesenhou as fronteiras entre privado e público, fortemente diminuindo o que tinha uma vez sido intocavelmente privado. Mudou a prática de cidadania da satisfação de direitos constitucionais e deveres para a participação em cerimónias em massa de afirmação e conformidade. Reconfigurou relações entre o indivíduo e a coletividade, para que um indivíduo não tivesse direitos fora do interesse da comunidade.A palavra "totalitária" (italiano: totalitaria) foi criada em resposta ao fascismo, e muitos observadores consideram que o fascismo é um tipo de totalitarismo. Foi usada pela primeira vez em maio de 1923 num artigo de Giovanni Amendola, que a usou para descrever os esforços Fascistas em controlar todos os cargos públicos, mas o termo rapidamente se expandiu para incluir tentativas Fascistas de outros tipos de controlo total.

Desonestidade ideológica Franz Neumann observou que "a ideologia do Nacional-Socialismo está constantemente a mudar...Tem certas crenças mágicas—adoração da liderança, supremacia da raça superior—mas não é estabelecido numa série de pronunciamentos categóricos e dogmáticos." O historiador Robert Paxton argumentou que o fascismo não era como outras ideologias do mesmo período de tempo, porqueo fascismo tem uma relação diferente com ideias...[As suas] posições intelectuais (não paixões mobilizadoras básicas como ódios raciais, claro) eram prováveis de serem largadas ou adicionadas de acordo com as necessidades táticas do momento. Todos os "ismos" fizeram isto, mas apenas o fascismo tinha tal desprezo pela razão e intelecto que nunca sequer se incomodou em justificar as suas mudanças.

Glorificação da guerra O fascismo vê a guerra como uma experiência positiva e um meio de rejuvenescimento nacional. Walter Laqueur discutiu o "culto de guerra" e nostalgia pelo perigo entre alguns sobreviventes da I Guerra Mundial. Mussolini acreditava que o principal papel dos homens era serem guerreiros, dizendo uma vez, "Guerra é para os homens o que a maternidade é para a mulher".

Filippo Tommaso Marinetti, fundador do movimento de arte Futurista e co-autor do Manifesto Fascista (1919), estetizou a guerra nas suas obras e alegava que a "guerra é linda".

Em The Anatomy of Fascism, Paxton escreveu que os governos fascistas precisam de adquirir ativamente novo território para sobreviverem, o que leva à sua escolha de procurar guerras agressivas. Paxton distingue entre glorificação militar em ditaduras autoritárias, que usam a "pompa militar, mas pouca luta real, para ajudar a sustentar regimes dedicados a preservar o status quo," e o "comprometimento emocional de regimes fascistas à guerra".

Por outro lado, Morgan e Bret Devereaux escreveram que ao perder a II Guerra Mundial, o fascismo falhou em cumprir os seus padrões para o sucesso. Devereaux avaliou uma série de regimes históricos fascistas e perto de serem fascistas, e descreveu uma moda geral em atuações pobres na guerra, apesar da eficácia militar ser um princípio central que o fascismo usa para se justificar. Ele escreveu que dos dois regimes históricos ambiguamente fascistas, ambos foram destruídos em guerras que começaram, com a Alemanha Nazi perdendo a sua guerra "tão exaustivamente e completamente como é possível perder". De forma semelhantes, ele descreveu a Itália Fascista como tendo apenas conseguindo sucessos militares em guerras coloniais que foram vencidas com grande custo e com repercussões severas para a posição internacional da Itália. Ao analisar outros regimes que foram considerados fascistas sob várias definições, como os regimes baathista da Síria e do Iraque, ele descobriu que os seus recordes na guerra eram também muito fracos. Morgan escreveu que quando o fascismo "falou o teste que se tinha colocado" ao ser incapaz de ganhar na II Guerra Mundial, isto foi um grande fatos no colapso no apoio ao regime italiano. O historiador Mark Mazower escreveu que enquanto os Nazis se concentravam extensivamente na produção militar, e a retórica fascista enfatizava a eficiência e a coordenação na economia, eles eram incapazes de ter sucesso nestes fatores e a economia de guerra alemã foi no final superada pelos capitalistas e os comunistas. Umberto Eco escreveu que a retórica fascista diminui o seu esforço de guerra porque os inimigos são descritos como tanto "muito fortes e muito fracos", levando aos governos que são "condenados a perder guerras porque são constitucionalmente incapazes de objetivamente avaliar a força do inimigo."

Em geral, não-democracias são menos prováveis a ganhar guerras do que democracias.Ajin Choi, (2004). Isto foi atribuído a fatores como o fraco uso de recursos quando comparado a democracias, cooperação menos eficaz com aliados, e iniciativa reduzida e liderança inferior nas forças armadas.

Governo e economia O historiador Hans Mommsen observou que o governo Nazi "não era organizado em princípios racionais de eficácia burocrática" e que Hitler era alheio aos assuntos do estado, o que de forma final fez dele um "ditador fraco". Paxton escreveu que a liderança de Hitler "reduziu o governo a feudos pessoais incapaz de discutir opções de política e escolher entre elas racionalmente", e Mussolini era da mesma forma incapaz de fazer o governo funcionar mais eficientemente.

Uma vez no poder, os governos fascistas tentaram apresentar uma imagem de união constante por detrás do líder. Esta ideia foi apoiada pela propaganda e amplamente acreditada, e ainda existem em conceções populares de governos fascistas. No entanto, fações dentro dos governos fascistas frequentemente se opõem. Existiram conflitos significativos entre conservadores, fascistas, e elites tradicionais, como também entre o partido e o estado (como no modelo de Ernst Fraenkel do estado normativo e o estado de prerrogativas). Paxton descreveu uma tensão permanente de quatro-formas entre o líder fascista, o partido, o aparelho do estado, e a sociedade civil. Por todos os grupos necessitarem do apoio dos outros, a sua relação envolveu "lutas prolongadas por supremacia" dentro do governo fascista. Ele escreveu, "Nós temos de ver o governo fascista como uma luta que nunca acaba por preeminência dentro de uma coligação, exacerbada pelo colapso de restrições constitucionais e a regra da lei, e por um clima prevalecente de Darwinismo social."

Paxton escreveu que alguns estudiosos pensavam do fascismo como uma "ditadura de desenvolvimento" que poderia aumentar o crescimento industrial de um país, mas esta ideia "dá errado...em supor que o fascismo procurava qualquer objetivo económico racional. Hitler queria dobrar a economia para servir fins políticos. Até no caso de Mussolini, o prestígio contava muito mais que a racionalidade económica quando sobrevalorizou o lira em 1926, e quando, depois de 1935, ele escolheu os riscos da guerra expansionista sobre o desenvolvimento económico sustentado". Além disso, enquanto a economia italiana cresceu sob Mussolini, a sua taxa de crescimento foi muito mais rápida tanto antes de 1914 e depois de 1945.

Ver também

Ideologia fascista

Referências

Bibliografia

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