Conselho de Entidades de Campinas (também referido como Conselho das Entidades de Campinas, sigla CEC) foi uma entidade civil fundada em março de 1955, na cidade de Campinas, estado de São Paulo, reunindo representantes de associações de classe, culturais e de serviço da cidade para debater assuntos de interesse da coletividade local. Ficou conhecido principalmente por seu papel de liderança na campanha pela instalação de uma faculdade de medicina em Campinas, movimento que resultou na criação da Universidade de Campinas (posteriormente Universidade Estadual de Campinas, Unicamp) em 1962.

Fundação O Conselho foi criado por iniciativa da Associação Comercial de Campinas e do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, sob a secretaria executiva de Ruy Rodriguez, com a finalidade de debater problemas sociais e defender os interesses da cidade e de sua coletividade. Reuniu-se pela primeira vez em 19 de março de 1955, no salão nobre da Associação Comercial de Campinas. Participaram da reunião inaugural o próprio Ruy Rodriguez; o otorrinolaringologista Paulo Mangabeira Albernaz, representando o Rotary Club de Campinas; Herculano Gouvêa Neto, representando o Centro de Ciências, Letras e Artes; e o deputado estadual Ruy de Almeida Barbosa. Também estavam presentes representantes de outras quatorze entidades, entre elas o Clube dos Leões, a Sociedade Amigos da Cidade, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, a Associação Médica "Penido Burnier", a Associação dos Engenheiros de Campinas e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

Um dos primeiros temas debatidos pelo Conselho foi a instalação de uma faculdade de medicina na cidade — já criada pela Lei estadual nº 2.154, de 30 de junho de 1953, mas ainda sem funcionamento efetivo.

Campanha pró-instalação da Faculdade de Medicina Nos anos seguintes à fundação, a atuação do Conselho aparece de forma esparsa na imprensa campineira, tendo, segundo uma reportagem de janeiro de 1961, cessado suas atividades por um período não especificado nas fontes consultadas.

Em 1961, após o médico patologista Roberto Franco do Amaral assumir a presidência da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas e colocar a questão da faculdade de medicina como prioridade da entidade, o Conselho de Entidades foi reativado, chegando a reunir 18 organizações. A campanha desse período, organizada por Roberto Franco do Amaral e Ruy Rodrigues, ficou conhecida como "Campanha Pró-Instalação da Faculdade de Medicina". Para conduzi-la, o Conselho constituiu onze comissões internas encarregadas de mobilizar a comunidade, a imprensa e os prefeitos da região, a fim de pressionar o governo estadual e a Assembleia Legislativa.

Como parte da campanha, o Conselho elaborou um memorial descritivo enviado ao governador Carvalho Pinto, detalhando a infraestrutura de saúde e as condições econômicas e geográficas de Campinas para sediar a escola médica. Em 1962, foi criado o logotipo da campanha, de autoria de Milton Brescia. A mobilização, somada à proposta do presidente Juscelino Kubitschek de instalar uma faculdade federal de medicina na cidade, é apontada pelo livro comemorativo da FCM-Unicamp como fator de pressão sobre o governo estadual.

A campanha culminou na sanção, em 28 de dezembro de 1962, da Lei nº 7.655, que criou a Universidade de Campinas como entidade autárquica, incorporando a Faculdade de Medicina de Campinas.

Acervo documental A documentação produzida e reunida pelo Conselho de Entidades de Campinas compõe o "Fundo Conselho de Entidades de Campinas", custodiado pelo Arquivo Central do Sistema de Arquivos da Unicamp (Siarq), com datas-limite de 1951 a 1962. O fundo está dividido em três partes — Campanha do Conselho de Entidades de Campinas, A Campanha na Imprensa e Correspondências de Apoio — e reúne correspondências, recortes de jornal, relatórios de grupos de trabalho e o dossiê "Contribuição para a História da Faculdade de Medicina de Campinas", compilado por Ary de Arruda Veiga.

Referências

Bibliografia