"Like Father, Like Clown" (no Brasil, "Tal Pai, Tal Palhaço") é o sexto episódio da terceira temporada da série de televisão animada norte-americana The Simpsons. Foi exibido originalmente nos Estados Unidos em 24 de outubro de 1991 pela Fox Broadcasting Company. Escrito por Jay Kogen e Wallace Wolodarsky e dirigido por Jeffrey Lynch e Brad Bird, acompanha Bart e Lisa na tentativa de reconciliar Krusty com o pai, o rabino Hyman Krustofsky, que rompeu com o filho por não aceitar sua carreira de comediante.

Inspirado em The Jazz Singer (1927), a origem judaica de Krusty é apresentada no episódio, cujo roteiro foi desenvolvido com a orientação de dois rabinos. Jackie Mason interpretou Hyman Krustofsky e recebeu o Emmy de melhor interpretação vocal pelo papel em 1992. Na estreia, o episódio registrou 12,7 pontos de audiência e foi o programa mais assistido da Fox naquela semana. A crítica destacou a abordagem do conflito familiar e o desenvolvimento do lado mais sensível de Krusty.

Enredo Após adiar várias vezes um jantar de agradecimento a Bart por tê-lo ajudado a provar sua inocência, Krusty finalmente visita os Simpsons. Ao recitar uma bênção em hebraico, revela sua origem judaica e conta que seu verdadeiro nome é Herschel Krustofsky. Seu pai, o rabino Hyman Krustofsky, queria que seguisse a mesma vocação, mas o jovem preferiu a comédia e passou a se apresentar escondido. Quando o rabino descobriu a profissão do filho durante uma apresentação, rompeu com ele, e os dois estão afastados há 25 anos. Abalado pela lembrança, Krusty começa a chorar durante seu programa. Bart e Lisa decidem ajudar, mas Hyman se recusa a aceitar a escolha do filho. Lisa pesquisa ensinamentos judaicos sobre o perdão, que Bart apresenta ao rabino sem conseguir convencê-lo. Por fim, o garoto cita uma passagem de Sammy Davis Jr., também um artista judeu, que faz Hyman reconsiderar sua posição. Os irmãos levam o rabino ao estúdio, onde pai e filho se reconciliam. Krusty o apresenta ao público, e Hyman demonstra sua aceitação ao participar da brincadeira e jogar uma torta no rosto do filho.

Produção Jay Kogen e Wallace Wolodarsky propuseram estabelecer a origem judaica de Krusty em uma história inspirada em The Jazz Singer. Segundo Kogen,Sam Simon rejeitou a ideia, mas James L. Brooks a aprovou. A equipe pesquisou passagens da Bíblia e do Talmude com a consultoria dos rabinos Lavi Meier e Harold M. Schulweis. No livro The Gospel According to The Simpsons, Mark I. Pinsky registra que Schulweis revisou o roteiro e elogiou a seriedade com que o conflito moral foi tratado. Brad Bird dividiu a direção com Jeffrey Lynch para auxiliá-lo em sua estreia na função. Jackie Mason gravou as falas do rabino em Nova Iorque, ao lado de Dan Castellaneta, intérprete de Krusty.

Referências culturais O conflito entre Krusty e seu pai faz referência a The Jazz Singer (1927), sobre um jovem que contraria a formação religiosa e as expectativas paternas para seguir carreira artística. A sequência da infância de Krusty, em que os dois caminham juntos, parodia uma cena de The Godfather Part II, enquanto o momento em que o garoto ensaia suas piadas no banheiro remete ao romance Portnoy's Complaint, de Philip Roth. O argumento usado por Bart para convencer o rabino vem da autobiografia Yes, I Can (1965), de Sammy Davis Jr.. No final, pai e filho cantam "O Mein Papa", de Eddie Fisher.

Repercussão Audiência e análise da crítica Em sua exibição original nos Estados Unidos, "Like Father, Like Clown" registrou 12,7 pontos de audiência, segundo a Nielsen Ratings, e terminou em 34.º lugar na semana de 21 a 27 de outubro de 1991. Foi o programa mais assistido da Fox naquele período.

Warren Martyn e Adrian Wood, em sua análise para o site da BBC, elogiaram a interpretação exagerada de Jackie Mason e a cena em que a secretária Lois Pennycandy repreende Krusty por decepcionar Bart. Alan Sepinwall e Matt Zoller Seitz, do jornal The Star-Ledger, escolheram o episódio entre dez exemplos da variedade de humor e emoção da série. Para os críticos, a história desenvolve o lado afetivo de Krusty, geralmente associado à ganância e ao desprezo pelos outros. Colin Jacobson, do DVD Movie Guide, considerou que o episódio oferece menos gargalhadas, mas trata o conflito familiar com sensibilidade sem cair no sentimentalismo. Em uma avaliação retrospectiva para o The A.V. Club, Nathan Rabin destacou a vulnerabilidade do personagem, que ainda sofre com a rejeição paterna e deseja a convivência familiar que vê nos Simpsons.

Reconhecimento Jackie Mason recebeu o Emmy de melhor interpretação vocal em 1992 por interpretar Hyman Krustofsky. Foi um dos seis integrantes do elenco de vozes de The Simpsons premiados no primeiro ano da categoria. Em 1998, a revista TV Guide incluiu "Like Father, Like Clown" em sua seleção dos doze melhores episódios da série. No livro Springfield Confidential (2018), Mike Reiss o apontou como um dos episódios que abriram novas possibilidades para o programa, por colocar um personagem secundário no centro da história, abordar uma religião não cristã e recorrer a especialistas para elaborar o debate religioso.

Retorno de Hyman Krustofsky Hyman Krustofsky passou a aparecer ocasionalmente na série, com falas também interpretadas por Dan Castellaneta. Jackie Mason voltou ao papel em "Today I Am a Clown", da 15.ª temporada, e participou de outros episódios posteriores, como "Clown in the Dumps", da 26.ª temporada, em que o rabino morre.

Ligações externas "Like Father, Like Clown" no The Simpsons Archive (em inglês)

Categoria:Episódios da 3.ª temporada de The Simpsons Categoria:Episódios de 1991