Abu Jandal ibne Suail (), de nome pessoal Alás ibne Suail (), foi um dos primeiros muçulmanos de Meca e filho do proeminente coraixita Suail ibne Anre. Convertido antes da Batalha de Badre, foi impedido pelo pai de emigrar para Medina e tornou-se particularmente conhecido por sua participação involuntária nas negociações do Tratado de Hudaibia, em 628. Após escapar da prisão e alcançar o acampamento de Maomé, foi devolvido aos coraixitas por exigência de Suail, em cumprimento das condições que estavam sendo acordadas entre as duas partes.

Posteriormente, Abu Jandal conseguiu fugir novamente de Meca e juntou-se a Abu Bacir em Alis, onde um grupo de muçulmanos passou a atacar as caravanas coraixitas que percorriam a rota comercial para a Síria. A pressão resultante levou os próprios coraixitas a solicitar que Maomé recebesse o grupo em Medina. Abu Jandal participou depois das campanhas muçulmanas, mas as tradições divergem quanto à sua morte: algumas a situam na Batalha de Iamama, durante as Guerras da Apostasia, em 12 A.H. (633–634), enquanto outras afirmam que morreu durante a Peste de Emaús, na Síria, em 18 A.H. (639).

Vida

Abu Jandal era filho de Suail ibne Anre, um dos principais membros dos coraixitas de Meca, e seu nome pessoal era Alás. Converteu-se ao islã ainda em Meca, antes da Batalha de Badre, mas foi impedido por seu pai de emigrar para Medina e mantido preso em razão de sua conversão. Permaneceu em Meca até 628, quando conseguiu escapar durante as negociações que resultaram no Tratado de Hudaibia. Enquanto Maomé e Suail negociavam os termos do tratado, Abu Jandal chegou ao acampamento muçulmano depois de escapar de suas amarras em Meca. Segundo Aluaquidi, apresentou-se portando uma espada e, ao vê-lo, Suail golpeou-lhe o rosto com um ramo espinhoso e agarrou-o pelo pescoço. Abu Jandal apelou aos muçulmanos para que não o entregassem novamente aos politeístas, afirmando que estes procurariam fazê-lo abandonar sua religião. Sua situação provocou forte comoção entre os presentes. Suail, porém, exigiu que o filho fosse devolvido como condição para concluir o acordo, apesar de Maomé argumentar que o documento ainda não havia sido formalizado e procurar obter uma exceção para Abu Jandal. Suail recusou-se, e Maomé acabou aceitando sua devolução, exortando-o a ter paciência e afirmando que Deus proporcionaria uma saída para ele e para os demais muçulmanos que permaneciam em Meca.

O episódio agravou a insatisfação de alguns muçulmanos com as condições do tratado. Omar ibne Alcatabe aproximou-se de Abu Jandal enquanto este era levado de volta e procurou encorajá-lo a resistir, chamando sua atenção para a espada que carregava. Segundo o relato preservado por Aluaquidi, Omar esperava que Abu Jandal utilizasse a arma contra o próprio pai, mas ele se recusou a fazê-lo. A devolução de Abu Jandal tornou-se um dos episódios mais marcantes das negociações de Hudaibia, pois concretizou imediatamente a cláusula segundo a qual os habitantes de Meca que fugissem para junto de Maomé sem autorização de seus responsáveis deveriam ser devolvidos aos coraixitas.

Algum tempo depois, Abu Bacir, outro muçulmano de Meca devolvido aos coraixitas em cumprimento ao tratado, conseguiu escapar e estabeleceu-se em Alis, na rota comercial entre Meca e a Síria. Abu Jandal fugiu então de Meca e juntou-se a ele. Outros muçulmanos que se encontravam em situação semelhante fizeram o mesmo, formando um grupo que passou a atacar as caravanas comerciais dos coraixitas. A ameaça à rota comercial levou os próprios coraixitas a pedir a Maomé que recebesse esses homens em Medina e deixasse de aplicar a cláusula que determinava sua devolução. Abu Jandal pôde, assim, reunir-se definitivamente à comunidade muçulmana de Medina. Após estabelecer-se entre os muçulmanos, Abu Jandal participou das campanhas posteriores. As fontes registram tradições divergentes sobre sua morte. Segundo uma delas, morreu em 12 A.H. (633–634), durante as Guerras da Apostasia, combatendo na Batalha de Iamama contra as forças de Muçailima. Outra tradição situa sua morte alguns anos depois, durante a Peste de Emaús, que atingiu a Síria em 18 A.H. (639).

Bibliografia

Categoria:Naturais de Meca Categoria:Amiritas (coraixitas) Categoria:Árabes do século VII Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras da Apostasia