Abedalá ibne Auane (), cujo nome completo era Abu Auane Abedalá ibne Auane ibne Artabane Almuzani Albáceri (; –), foi um tradicionalista, jurista e asceta muçulmano de Baçorá. Cliente dos muzainaítas por intermédio de seu avô, estudou com algumas das principais autoridades religiosas de sua época, entre elas Alhaçane de Baçorá, Ibne Sirine, e Atá ibne Abi Rabá.
Reconhecido pelos críticos de hádice como transmissor particularmente confiável, destacou-se pelo rigor com que selecionava e transmitia as tradições e por evitar o tadlis. Entre os estudiosos que transmitiram por sua autoridade estiveram Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, Abedalá ibne Almubaraque e Huxaime ibne Baxir, e suas tradições foram incorporadas às seis principais coleções canônicas de hádice. Além de seus conhecimentos de hádice, recitação do Alcorão e fiqh, tornou-se conhecido por sua devoção, ascetismo e aversão à ostentação.
Vida e formação
Abedalá ibne Auane nasceu em 66 A.H. (685), em Baçorá, embora também seja registrado o ano de 64 A.H. (683). Seu avô, , era um dos clientes dos muzainaítas, razão pela qual Abedalá recebeu a nisba Almuzani. Viveu aproximadamente setenta anos em Baçorá e chegou a ver Anas ibne Maleque. Estudou hádice com numerosos estudiosos de sua época, entre eles Saíde ibne Jubair, , , Atá ibne Abi Rabá, Alhaçane de Baçorá e Ibne Sirine. Por sua vez, transmitiram tradições por sua autoridade , Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri, Abedalá ibne Almubaraque, , Huxaime ibne Baxir, Uaqui ibne Aljarrá e . Além do hádice, Abedalá era conhecido por seus conhecimentos de recitação do Alcorão e de fiqh. Morreu em Baçorá em Rajabe de 151 A.H. (agosto de 768), embora as fontes também indiquem os anos de 150 e 152 A.H. para sua morte. Sua oração fúnebre foi conduzida por , então governador de Baçorá.
Atividade como tradicionalista
Abedalá foi considerado um transmissor confiável pelos críticos de hádice. , que o julgava confiável em todos os aspectos, qualificou-o como thabt e thiqa. Xuba ibne Alhajaje, que o descrevia como uma pessoa excepcional, afirmou desejar receber dele hádices todos os dias e incluiu-o entre os dois transmissores que haviam conseguido manter-se livres da prática do tadlis. Para expressar a confiança que depositava em seu conhecimento, Xuba chegou a afirmar que preferia uma informação duvidosa transmitida por Abedalá à informação certa de outra pessoa. Sufiane Atauri, , , e Abedalá ibne Almubaraque igualmente afirmaram não ter conhecido alguém comparável a ele, enquanto Abederramão ibne Mádi declarou que ninguém no Iraque conhecia a suna melhor que Abedalá. Todos os autores das seis principais coleções canônicas de hádice transmitiram tradições por sua autoridade. Abedalá era particularmente rigoroso na transmissão de hádices. Apesar de ter vivido em Baçorá durante cerca de setenta anos, absteve-se de transmitir tradições na cidade enquanto estavam vivos Aiube Açaquetiani e , duas das principais autoridades locais nesse campo, por respeito a ambos. Somente após a morte deles passou a transmitir hádices publicamente em Baçorá.
Personalidade e ascetismo
Embora fosse um homem abastado, Abedalá tornou-se conhecido pela devoção religiosa e pelo ascetismo. Falava pouco e vestia-se bem, mas procurava evitar cuidadosamente qualquer forma de ostentação. Recomendava às pessoas de seu convívio que lessem o Alcorão, permanecessem apegadas à suna e evitassem causar danos aos outros. Sua reputação de virtude impressionou particularmente seu discípulo , que permaneceu ao seu lado durante 24 anos e declarou considerar improvável que os anjos tivessem registrado qualquer falta cometida por seu mestre durante esse período.
Bibliografia
Categoria:Muzainaítas Categoria:Pessoas do Califado Abássida Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Iranianos do século VII Categoria:Iranianos do século VIII