Marlene Apresenta Sucessos de Assis Valente é um álbum de estúdio da cantora brasileira Marlene, lançado em 1956 pela gravadora Sinter. O álbum reúne composições de Assis Valente, incluindo canções anteriormente popularizadas por Carmen Miranda, e foi concebido como uma homenagem ao compositor.

O álbum recebeu avaliações favoráveis da imprensa da época, que destacou as interpretações de Marlene e o caráter retrospectivo do repertório, embora alguns arranjos tenham sido criticados. A imprensa também apontou o disco como um possível marco na carreira da cantora. Apesar disso, não obteve o retorno financeiro esperado com as vendas, devido ao alto custo das radiolas da época.

Antecedentes O projeto de um disco em homenagem a Assis Valente, surgiu após uma sugestão publicada na revista A Cigarra em 1956. Na época, Assis enfrentava problemas econômicos e pediu vários empréstimos, esperando que com as vendas do LP pudesse quitá-los. Marlene aceitou participar pois considerava o compositor e sua época de auge, um dos mais importantes da história da música popular brasileira..

Produção e lançamento A produção ficou a cargo de Ary Vasconcelos e Lírio Alberto Pitigliani, um dos proprietários da gravadora Sinter, enquanto os arranjos foram realizados por Lyrio Panicali. As gravações ocorreram entre 22 de maio e 6 de junho de 1956, Assis estava nas gravações, mas não teve envolvimento nelas. O álbum traz algumas das canções de maior sucesso de Assis Valente, incluindo algumas populares na voz de Carmen Miranda. A primeira faixa do lado A, apresenta algumas palavras de Marlene sobre o artista homenageado, considerado por alguns setores de imprensa como incompreendido em vida, e segue com as canções de Valente. A canção "Sai de Baixo" de Assis, não foi gravada por complicações de direitos autorais. Na capa do álbum, a cantora aparece com lenço no pescoço e com "pinta de malandra". A contracapa traz um texto de Ary Vasconcelos, acompanhado por uma fotografia de Assis Valente, Marlene e Lírío Alberto Pitigliani.

O jornal Diario Carioca informou em 27 de maio que a cantora gravou os sucessos de Valente e em questão de dias, seria lançado ao público as gravações em disco. No mês seguinte, o jornal carioca A Noite publicou a mesma informação sobre a gravação, mas não mencionou a data de lançamento. A revista do Disco incluiu o álbum no suplemento de lançamentos da Sínter de junho de 1956.

Recepção crítica O jornal A Cigarra elogiou a escolha de Marlene como intérprete, afirmando que ela deu às canções selecionadas de Assis Valente uma interpretação que, embora não se mantivesse de forma uniforme ao longo do álbum, "assinalou novo marco em sua carreira tão ascensional"; o jornal destacou números de "irrepreensível interpretação", nos quais ela se mostrou capaz de suceder Carmen Miranda na interpretação da música personalíssima do compositor, mas criticou alguns arranjos orquestrais, afirmando que as introduções de "Boas-Festas" e "Tê já" foram "absolutamente deturpadas", além de ressaltar o "caráter documental" do álbum como registro de uma importante época da música popular brasileira.

A Revista do Disco escreveu que o disco colocaria "Marlene como digna sucessora da saudosa Carmen Miranda, pois suas interpretações "estão bastante identificadas com o estilo da "Pequena Notável" e as composições do bonachão Assis bem inspiradas e gostosas, auxiliaram em muito o brilho do LP". O Jornal considerou Valente "um dos melhores e mais populares" compositores brasileiros e classificou o disco como uma "excelente" seleção retrospectiva. Embora afirmasse não considerar Marlene uma "grande cantora popular", o jornal reconheceu que, no álbum, ela conseguia "dar valor e relevo" às antigas canções de Valente e recordar "uma bela época da música popular carioca". O Correio da Manhã, considerou que o sambista Assis Valente foi "lembrado, em boa hora" por Marlene, descrevendo-o como um "poeta autêntico" e "sambista de primeira linha", apontando suas canções como "bem feito[s], com história, sem xaropadas", além de chamá-lo de "todo um potencial de talento a serviço do samba gostos". O cronista radiofônico Djalma Sobrinho, afirmou que o long play poderia "constituir perfeitamente o marco de uma nova fase na vida artística de Marlene". Eliete Negreiros, da Revista Piauí, definiu o trabalho como "uma joia rara".

Desempenho comercial De acordo com Gonçalo Silva Junior, autor do livro Quem samba tem alegria: A vida e o tempo de Assis Valente, compositor das célebres Brasil pandeiro, Cai, cai, balão, Camisa listada e Boas festas, a popularidade de Marlene e as críticas favoráveis ao álbum, não se refletiram nas vendas do disco. O alto custo da radiola para tocar um LP foi apontada como o fator da baixa repercussão.

Lista de faixas Créditos adaptados da contracapa do LP Marlene Apresenta Sucessos de Assis Valente, de 1956.

Ficha técnica Créditos adaptados da contracapa do LP Marlene Apresenta Sucessos de Assis Valente, de 1956.

Direção: Lyrio Panicali Arranjos: Lyrio Panicali Notas: Ary Vascoscelos

Categoria:Álbuns de 1956 Categoria:Álbuns de música popular brasileira Categoria:Álbuns em língua portuguesa na década de 1950