Iáia ibne Saíde Alcatane (; Baçorá, 120 A.H. / – 12 de Sáfar de 198 A.H. / ), nome completo Abuçaíde Iáia ibne Saíde ibne Faruque Alcatane Atamimi Albáceri (), foi um tradicionalista e crítico de transmissores muçulmano. Natural de Baçorá, estudou hádice sobretudo com Xuba ibne Alhajaje e Sufiane Atauri e viajou para Cufa, Baguedade e Meca em busca de tradições. Entre os numerosos estudiosos que transmitiram sob sua autoridade estiveram Ali ibne Almadini, Iáia ibne Maine, Amade ibne Hambal e , e suas transmissões foram incorporadas aos Seis Livros.

Iáia tornou-se particularmente conhecido por sua atuação na crítica das cadeias de transmissão e dos transmissores, figurando entre os mais rigorosos especialistas em e no estudo das . Sua atividade contribuiu para o desenvolvimento e a sistematização dos métodos de crítica do hádice no Iraque e exerceu influência sobre importantes estudiosos da geração seguinte. Também possuía conhecimentos de fiqh e de recitação do Alcorão. São-lhe atribuídas algumas das primeiras obras especializadas na crítica do hádice e dos transmissores, embora nenhuma delas tenha sobrevivido de forma independente.

Vida

Iáia ibne Saíde Alcatane nasceu em Baçorá no início de 120 A.H. (738). Seu nome completo era Abuçaíde Iáia ibne Saíde ibne Faruque Alcatane Atamimi Albáceri. Começou seus estudos de hádice ainda jovem e frequentou durante cerca de vinte anos as aulas de Xuba ibne Alhajaje, que exerceu influência particularmente importante sobre sua formação. Estudou também com Sufiane Atauri, , Hamade ibne Salama, , , Ácime Alaual, Maleque ibne Anas e Huxaime ibne Baxir, entre outros. Em busca de hádices, viajou para Cufa, Baguedade e Meca. Numerosos estudiosos transmitiram hádices sob sua autoridade, entre eles Ali ibne Almadini, Iáia ibne Maine, Amade ibne Hambal, , e . Alguns de seus próprios mestres e outros estudiosos mais velhos, entre eles Xuba ibne Alhajaje, Sufiane Atauri e Sufiane ibne Uiaina, também transmitiram hádices sob sua autoridade. Suas transmissões foram incorporadas aos Seis Livros e a outras importantes compilações de hádice. Iáia morreu em Baçorá em 12 de Sáfar de 198 A.H. (12 de outubro de 813).

Atividade como tradicionalista

Iáia adquiriu reputação sobretudo por seu conhecimento dos transmissores e pela crítica das cadeias de transmissão. Foi considerado um dos mais rigorosos especialistas em e tornou-se particularmente conhecido pelo estudo das , as deficiências ocultas capazes de comprometer a autenticidade de uma tradição. Evitava transmitir de pessoas cuja confiabilidade considerasse duvidosa e submetia tanto os transmissores quanto suas narrativas a uma avaliação minuciosa. Sua atuação contribuiu para o desenvolvimento e a sistematização dos métodos de crítica do hádice no Iraque, e sua abordagem exerceu influência sobre a geração seguinte de grandes críticos, particularmente Ali ibne Almadini, Iáia ibne Maine e Amade ibne Hambal. Sua competência nessa área foi reconhecida pelos principais estudiosos de sua época. Amade ibne Hambal afirmou não ter visto ninguém comparável a Iáia no conhecimento dos transmissores e das deficiências das cadeias de transmissão, enquanto Ali ibne Almadini o colocou entre os estudiosos cuja autoridade era decisiva na avaliação do hádice.

O próprio rigor de Iáia fazia com que suas apreciações sobre transmissores fossem frequentemente severas, característica que se tornou uma das marcas de sua atividade crítica. Ao mesmo tempo, era reconhecido pela precisão de sua memória e pela cautela com que transmitia o material que havia recebido de seus mestres. Além do hádice, possuía conhecimentos de fiqh e de recitação do Alcorão, embora sua reputação posterior tenha permanecido ligada sobretudo à crítica dos transmissores e das tradições. Iáia exerceu influência duradoura sobre a formação da crítica do hádice. As avaliações que formulou sobre numerosos transmissores foram preservadas nas obras de seus discípulos e de estudiosos posteriores e tornaram-se uma das fontes utilizadas na literatura de jar e tadil. São-lhe atribuídas algumas das primeiras obras especializadas nesse campo, entre elas um livro sobre as deficiências ocultas dos hádices e uma obra intitulada al-Ḍuʿafāʾ, dedicada aos transmissores considerados fracos. Também lhe é atribuído um Kitāb al-Maghāzī, sobre as campanhas de Maomé. Nenhuma dessas obras chegou aos tempos modernos de forma independente, mas parte de seu conteúdo e de suas opiniões foi preservada através das citações e transmissões de autores posteriores.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Árabes do século IX Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Pessoas do Califado Abássida Categoria:Naturais de Baçorá