Caixinha de Saudade com Marlene é o terceiro álbum de estúdio da cantora brasileira Marlene, lançado pela gravadora Odeon em 1960. Gravado após suas apresentações em Buenos Aires e Montevidéu, o título do trabalho está relacionado ao repertório de canções antigas o disco, que reúne marchinhas e sambas de compositores como Lamartine Babo, Joubert de Carvalho, João de Barro e Francisco Mattoso.

O álbum recebeu críticas mistas na imprensa, com os críticos destacando o repertório e a interpretação de Marlene, enquanto outras fizeram ressalvas à sua abordagem vocal. Os veículos de imprensa também mencionaram os arranjos, acompanhamentos e a seleção de canções antigas reunida no disco.

Antecedentes e lançamento Após suas apresentações em Buenos Aires e Montevidéu, Marlene retornou ao Brasil em 23 de março de 1960 e informou à imprensa que várias de suas gravações pela Odeon estavam sendo lançadas também na Argentina e no Uruguai. Nessa época, a artista lançou pelo selo um novo LP de 12 polegadas, intitulado Caixinha da Saudade com Marlene. O título do LP está relacionado ao repertório de canções antigas reunido no disco, entre elas "Cartinha cor de Rosa", "Esquina do Pecado" e "Isso é Lá com Santo Antônio", e outras canções que, segundo o Diario da Noite, já eram aguardadas. A lista de faixas reúne composições de Francisco Mattoso, Lamartine Babo, Joubert de Carvalho, João de Barro, Olegário Mariano entre outros.

Recepção crítica

A revista O Mundo Ilustrado descreveu o álbum como apresentando "uma Marlene nova e diferente", que revivia "deliciosas músicas antigas". O Diário de Notícias considerou que o álbum apresentava uma "fórmula" destinada ao sucesso, reunindo "lindas músicas do repertório popular do Brasil" que, embora antigas, haviam deixado "marca indelével de sua qualidade". O jornal afirmou que o repertório era "da melhor qualidade" e concluiu que o álbum apresentava "uma boa Marlene", encerrando a crítica com "Palmas para ela". O Diário da Noite escreveu que o disco, com suas marchinhas e sambas, "traz-nos saudades de outros momentos e outras músicas", fazendo referência ao período em que "a 'Bossa' era sòmente Bossa", associada pelo jornal a "saracoteio e remeleixo, com graça e personalidade". A publicação também classificou a gravação como "ótima" e o álbum como um "bom documentário".

O Diário Carioca considerou o trabalho "o melhor longa duração de Marlene", afirmando que a cantora parecia ter encontrado o gênero que melhor se adaptava às características de sua voz, elogiando sua interpretação "com sobriedade e num tom quase declamatório" e concluindo que o álbum figurava "entre os melhores lançamentos de música do passado" lançados naquele semestre. O jornal Luta Democrática afirmou que Marlene tinha "inegáveis qualidades" e que "mais simpática que ela, nenhuma outra cantora do nosso rádio", mas quanto ao canto, declarou que "cantando, Marlene enjoa", pois "aquêle fiozinho de voz não progride, por mais que ela se esforce", considerando Zezé Gonzaga a intérprete ideal para Caixinha da Saudade, por possuir, cantando, "as qualidades que Marlene possui falando".

O Correio da Manhã considerou o fonograma um "dos mais expressivos" trabalhos de Marlene, destacando a "magnífica seleção musical", que a colocava "dentro do seu verdadeiro clima artístico e interpretativo que é a música brejeira". O jornal afirmou ainda que Marlene era "uma das nossas melhores intérpretes populares do disco nacional" e elogiou o "ótimo repertório", os "eficientes acompanhamentos instrumentais e vocais do côro" e os "adequados arranjos", que "valorizam êste lançamento", concluindo que o álbum merecia "sinceros aplausos da crítica e da simpatia incondicional do público" e atribuindo-lhe a cotação "Excelente". Ao comentar os lançamentos recentes da Odeon, o periódico Jornal das Moças afirmou que a gravadora havia dado "bilhete azul" a vários de seus artistas para concentrar a divulgação nos cantores que vendessem discos, ainda que a "verdadeira qualidade artística deixe a desejar". A publicação considerou o processo "perigoso", argumentando que "popularidade passa, qualidade não", e incluiu Caixinha da Saudade com Marlene, entre os lançamentos mencionados.

O Jornal fez duas críticas ao trabalho, na primeira o descreveu como um lançamento "sem compromisso" da Odeon e afirmou que "as músicas são boas e a ideia é excelente", mas criticou a interpretação de Marlene em "tonzinho de criança", que considerou "de morte". Segundo a publicação, o recurso fazia com que "tudo ficasse ruim" e "a coisa soasse mal", salvo se a cantora o estivesse apresentando como um estilo de "bossa nova". Na segunda resenha destacou a "linha elogiável de discrição vocal" de Marlene, que, segundo a publicação, dispensava "seu estilo de floreios vocais inúteis" e raramente recorria a recursos vocais, como em "Isso É Lá Com Santo Antônio". O jornal considerou o resultado "um álbum de boa qualidade", que recordava às novas gerações "algumas das páginas imortais da música popular brasileira", destacando ainda "Esquina do Pecado", de Francisco Mattoso, e o repertório de Lamartine Babo e Joubert de Carvalho. Em tom irônico, criticou a apresentação da cantora na capa e contracapa, mencionando a "velha base da embromação" e a referência a Marlene como "a queridíssima".

Lista de faixas Créditos adaptados da contracapa do LP Caixinha de Saudade com Marlene, de 1960.

Ficha técnica Créditos adaptados da contracapa do LP Caixinha de Saudade de Marlene, de 1960.

Capa Layout de Cesar G. Villela Fotografia de Francisco Pereira

Categoria:Álbuns de 1960 Categoria:Álbuns de música popular brasileira Categoria:Álbuns em língua portuguesa na década de 1960