400px|miniatura|Divisão modal dos transportes no Reino Unido, de 1952 a 2016. O estudo do comportamento de viagem examina as atividades das pessoas no espaço geográfico e o uso que fazem dos meios de transporte.
Questões estudadas As pesquisas sobre comportamento de viagem examinam as atividades das pessoas e o uso do tempo. Entrevistas e questionários permitem comparar atitudes e escolhas de deslocamento, inclusive as diferenças entre o que as pessoas pensam sobre as consequências sociais e ambientais das viagens e o que fazem ao viajar.
Entre as perguntas examinadas estão: Quantas viagens as pessoas fazem? Para onde vão? Qual é o destino? Que meio de transporte escolhem? Quem acompanha quem? Quando a viagem é feita? Quais são os horários? Em que sequência as viagens são feitas? Que padrões seguem? Que trajetos são escolhidos? Por que as pessoas precisam viajar? O teletrabalho e as compras a distância permitiriam ficar em casa? Até que ponto as pessoas conhecem as consequências ambientais e climáticas de suas escolhas de deslocamento? Até que ponto as pessoas procuram justificar as consequências ambientais e climáticas de suas viagens? Como fazem isso? Como incentivar mudanças no comportamento de viagem que tragam benefícios à sociedade?
O comportamento durante o deslocamento também abrange a formação de filas e a espera pelo desembarque dos passageiros antes de entrar no veículo, como nas filas de embarque do metrô de Xangai.
Dados Um diário de deslocamentos, preenchido durante uma pesquisa de viagens, permite reunir informações para responder a essas perguntas. Pesquisas domiciliares em regiões metropolitanas costumam ser feitas com intervalos longos, muitas vezes de cerca de dez anos. Há também pesquisas em painel, que acompanham as mesmas pessoas em etapas sucessivas. Esse acompanhamento permite examinar mudanças e pode produzir resultados diferentes dos obtidos em uma única coleta.
Esses dados são usados para estimar modelos de planejamento de transportes e projetar o comportamento de pessoas que não participaram das entrevistas. As previsões de trânsito podem considerar mudanças nas redes de transporte, no uso do solo e nas políticas públicas.
Para ampliar os dados disponíveis para a pesquisa, foi criado o Baltimore Disaggregate Data Set, um conjunto de dados obtido em uma pesquisa detalhada em Baltimore, em 1977. O levantamento reuniu informações sobre pessoas, veículos e viagens de cada domicílio, destinadas à elaboração de modelos desagregados. O Metropolitan Travel Survey Archive foi criado na Universidade de Minnesota para preservar pesquisas de deslocamentos e disponibilizá-las pela internet. Em 2022, o acervo passou ao Transportation Secure Data Center, o TSDC. O catálogo disponibiliza dados e documentação da pesquisa de Baltimore de 1977.
Nos Estados Unidos, a Nationwide Personal Transportation Survey, depois denominada National Household Travel Survey, reúne dados de deslocamentos em escala nacional. Entre 1969 e 2022, suas edições tiveram intervalos de cinco a oito anos. Pesquisas nacionais permitem comparar tendências do país, enquanto levantamentos metropolitanos podem reunir mais detalhes sobre os deslocamentos locais.
As pesquisas domiciliares de deslocamentos reúnem informações sobre a residência e seus moradores, acompanhadas de um diário das atividades ou viagens. O domicílio é a unidade de amostragem, e a participação de seus moradores permite examinar como as decisões de uma pessoa afetam as das outras. O diário pode registrar todas as viagens feitas em um dia, todos os lugares visitados, com os trajetos e as atividades em cada um, ou tudo o que a pessoa faz ao longo do dia, no formato de um diário de uso do tempo.
Exemplos são a National Household Travel Survey, a California Household Travel Survey, da Califórnia, e a Puget Sound Travel Survey, da região de Puget Sound. Dados dessas pesquisas estão disponíveis em repositórios como o Transportation Secure Data Center.
Comportamento de viagem e análise de atividades A análise dos deslocamentos a partir da residência examina como os membros de uma família organizam suas atividades e participam da sociedade. Trabalho, estudo e outras atividades podem exigir viagens, enquanto outras tarefas são realizadas em casa. As decisões sobre onde e quando realizar cada atividade dependem dos compromissos e dos recursos dos moradores. Essa organização envolve dois aspectos:
A distribuição das atividades de trabalho, educação e convivência entre os membros do domicílio e os lugares onde elas são realizadas. As características e os recursos de cada pessoa, que limitam o tempo disponível e as possibilidades de deslocamento.
As mudanças na organização das atividades levantam a questão de quanto tempo as pessoas dedicam às viagens, inclusive ao trajeto entre a residência e o trabalho. A hipótese de um orçamento de tempo de viagem propõe certa estabilidade desse tempo. Patricia L. Mokhtarian e Cynthia Chen concluíram, em 2004, que essa estabilidade não se verifica para os indivíduos, embora possa ocorrer em dados muito agregados. O tempo de deslocamento depende das características das pessoas e dos domicílios, das atividades no destino e do local de residência.
Em 1986, John P. Robinson comparou o tempo dedicado aos deslocamentos nos Estados Unidos em 1975 e 1985.
+ Tempo gasto em deslocamentos, em minutos por dia Finalidade Homens Mulheres 1975 1985 1975 1985 Trabalho 25 31 9 17 Necessidades familiares 33 31 33 33 Lazer 27 33 21 23 Total 85 94 63 73 Os valores foram convertidos de horas semanais para minutos diários e arredondados. Os totais foram calculados antes do arredondamento.
A análise do comportamento de viagem examina a demanda por deslocamentos. As escolhas também dependem da oferta de transporte. Na análise econômica, o equilíbrio de mercado ocorre quando a quantidade de transporte procurada a determinado preço corresponde à quantidade oferecida.
História da análise do comportamento de viagem Em 1944, Kate Liepmann publicou The Journey to Work: Its Significance for Industrial and Community Life, sobre os deslocamentos de trabalhadores na Inglaterra. A obra examinou dados da década de 1930 e questões como o tempo gasto no percurso até o trabalho e a organização do transporte dos trabalhadores.
Na década de 1970, o desenvolvimento dos modelos de escolha do meio de transporte reuniu pesquisadores interessados nas decisões individuais de viagem. Desse intercâmbio surgiu a International Association for Travel Behaviour Research, a IATBR, cuja primeira conferência foi realizada em 1973. A associação organiza conferências a cada três anos e publica trabalhos apresentados nesses encontros. Os volumes permitem acompanhar o desenvolvimento das pesquisas e as mudanças nos assuntos discutidos. A escolha do meio de transporte esteve entre os primeiros temas. A análise de atividades, as atitudes dos viajantes e as aplicações dos modelos também passaram a fazer parte dos encontros.
Em 1970, Torsten Hägerstrand apresentou uma abordagem dos deslocamentos no tempo e no espaço. O prisma espaço-temporal delimita os lugares que uma pessoa pode alcançar dentro do tempo disponível, consideradas suas obrigações e as condições de deslocamento.
Diferenças de gênero nos padrões de deslocamento De 18 a 20 de novembro de 2004, o Transportation Research Board, o TRB, realizou em Chicago, no estado de Illinois, sua terceira conferência sobre questões das mulheres nos transportes. Um dos trabalhos apresentados, de Claudia Nobis e Barbara Lenz, examinou as diferenças entre os deslocamentos de homens e mulheres em relação à situação de emprego, à composição do domicílio, aos cuidados com crianças e às tarefas domésticas.
Na comparação, os padrões de deslocamento de homens e mulheres eram mais semelhantes entre as pessoas que moravam sozinhas. As diferenças aumentavam nos domicílios com mais de uma pessoa e sem crianças, e eram maiores nos domicílios com crianças. As pesquisas sobre comportamento de viagem também examinam diferenças de gênero nas decisões de deslocamento, inclusive na maneira como motoristas utilizam informações sobre o trânsito.
Ver também Disposição a pagar, valor que uma pessoa aceita pagar por um bem ou serviço, como uma opção de transporte Mobilidade urbana, condições de deslocamento nas cidades Movimento pendular, deslocamentos regulares entre a residência e o local de trabalho ou estudo
Ligações externas
Estudo do Departamento de Transportes britânico sobre mudanças climáticas e escolhas de transporte, em inglês Pesquisa britânica de 2011 sobre atitudes diante das mudanças climáticas e das consequências dos transportes, em inglês
Categoria:Comportamento do consumidor Categoria:Geografia humana Categoria:Planeamento de transportes Categoria:Viagem