A Expedição de Hâmera Alaçade, também conhecida como Gázua de Hâmera Alaçade (), foi uma expedição militar liderada por Maomé contra os coraixitas imediatamente após a Batalha de Uude, em 3 A.H. (625). Realizada na sequência da retirada do exército de Meca, a expedição levou os muçulmanos de Medina até , situada na rota entre as duas cidades, onde permaneceram acampados durante alguns dias. As fontes divergem quanto à motivação da operação, atribuindo-a tanto à intenção de demonstrar que as perdas sofridas em Uude não haviam enfraquecido os muçulmanos quanto à notícia de que os coraixitas cogitavam regressar para atacar Medina. Durante a expedição, Maomé ordenou que fossem acesas numerosas fogueiras para fazer sua força parecer maior, enquanto o cuzaaíta informou Abu Sufiane de que os muçulmanos perseguiam os coraixitas com uma força numerosa. Estes prosseguiram então para Meca, sem que ocorresse novo confronto entre os dois exércitos. A tradição islâmica associa os acontecimentos da expedição aos versículos 172–175 da sura Al Imran. Maomé regressou a Medina em 17 de Xaual de 3 A.H. (2 de abril de 625).

Antecedentes

A Expedição de Hâmera Alaçade ocorreu imediatamente após a Batalha de Uude, travada entre os muçulmanos de Medina e os coraixitas de Meca. As fontes apresentam explicações diferentes para a decisão de Maomé de perseguir o exército coraixita após a batalha. Segundo Ibne Hixame, a iniciativa pretendia demonstrar aos adversários que as perdas sofridas em Uude não haviam enfraquecido os muçulmanos e dissuadi-los de um novo ataque. Aluaquidi, por sua vez, relata que Maomé recebeu de a informação de que os coraixitas, durante sua retirada, cogitavam regressar e atacar Medina. Na manhã seguinte à batalha, Maomé encarregou Bilal ibne Rabá de anunciar uma nova mobilização e determinou que o acompanhassem aqueles que haviam participado do combate em Uude. Há, contudo, relatos de exceções, entre elas a de Jabir ibne Abedalá, que recebeu autorização para participar apesar de não ter combatido no dia anterior. Abedalá ibne Ubai, que não participara de Uude, também pediu autorização para acompanhar a força, mas seu pedido foi recusado. Antes de deixar Medina, Maomé designou Ibne Ume Maquetume para substituí-lo na cidade. Segundo uma tradição, entregou a bandeira a Ali ibne Abi Talibe, enquanto outra atribui essa função a Abu Becre.

Expedição

A força muçulmana deixou Medina no dia seguinte à Batalha de Uude e seguiu pela rota em direção a Meca. Maomé utilizou como guia e enviou à frente dois homens, e , para acompanhar os movimentos dos coraixitas. Os dois alcançaram Hâmera Alaçade, situada na rota entre Medina e Meca, a cerca de oito milhas de Medina, enquanto os coraixitas ainda se encontravam no local, e foram mortos. Quando os coraixitas souberam que estavam sendo perseguidos pelos muçulmanos, decidiram prosseguir em direção a Meca. Ao chegar a Hâmera Alaçade, Maomé encontrou os corpos dos dois batedores, mandou sepultá-los e estabeleceu ali seu acampamento.

Durante a permanência em Hâmera Alaçade, Maomé ordenou que fossem acesas numerosas fogueiras durante a noite, com o objetivo de fazer a força muçulmana parecer mais numerosa e provocar temor entre os adversários. Nesse período, , um cuzaaíta que ainda não havia se convertido ao Islã, encontrou-se com Maomé e manifestou pesar pelas perdas sofridas pelos muçulmanos em Uude. Os cuzaaítas mantinham relações amistosas com Maomé e lhe transmitiam informações sobre os movimentos dos coraixitas. Ao prosseguir viagem, Mabade encontrou Abu Sufiane em e informou-lhe que Maomé e seus homens estavam em perseguição aos coraixitas com uma força numerosa. Segundo o relato, Abu Sufiane, que ainda cogitava retornar a Medina, desistiu dessa possibilidade e prosseguiu para Meca.

Antes de partir, Abu Sufiane encontrou uma pequena caravana dos abedalcaicitas que se dirigia a Medina e pediu a seus integrantes que transmitissem aos muçulmanos a notícia de que os coraixitas haviam reunido uma grande força e pretendiam regressar para atacá-los. Quando a mensagem chegou a Hâmera Alaçade, não provocou a retirada dos muçulmanos. A tradição islâmica relaciona esse episódio aos versículos 172–175 da sura Al Imran, que mencionam aqueles que atenderam ao chamado após terem sido feridos e não se deixaram intimidar pela notícia de que seus adversários haviam reunido forças contra eles. Maomé permaneceu em Hâmera Alaçade por alguns dias antes de regressar a Medina. As tradições divergem quanto à duração da permanência: segundo uma versão, foram cinco dias, enquanto Ibne Hixame registra três. O retorno a Medina é situado em 17 de Xaual de 3 A.H. (2 de abril de 625).

Desdobramentos

Durante a expedição, , poeta coraixita que havia sido capturado na Batalha de Badre, voltou a cair nas mãos dos muçulmanos. Após sua primeira captura, Maomé o havia libertado sem exigir resgate mediante o compromisso de que não voltaria a combater os muçulmanos nem a incitar seus adversários. Abu Aza, contudo, participou posteriormente da campanha de Uude ao lado dos coraixitas. Capturado em Hâmera Alaçade, pediu novamente para ser libertado, mas Maomé recusou e ordenou sua execução. A tradição associa ao episódio a máxima segundo a qual um crente não deve ser picado duas vezes pelo mesmo buraco. Outro episódio associado aos acontecimentos posteriores a Uude envolveu , que se separou do exército coraixita e procurou refúgio em Medina na casa de Otomão ibne Afane, seu parente. Por intermédio de Otomão, recebeu de Maomé um salvo-conduto que lhe permitia permanecer na cidade por três dias, prazo após o qual deveria partir. Moáuia permaneceu em Medina além do período concedido, provavelmente, segundo Sarıçam, com o propósito de obter informações sobre as atividades de Maomé. Depois de deixar a cidade, foi perseguido, capturado e morto por Amar ibne Iacir e Zaíde ibne Harita.

Bibliografia

Categoria:625 Categoria:Expedições lideradas por Maomé