Intercalação ou embolismo, na contagem do tempo, é a inserção de um dia, de uma semana ou de um mês em determinados anos civis, para que o calendário acompanhe com mais precisão as estações do ano ou as fases da Lua.

Calendários solares

O ano solar, ou ano trópico, não tem um número inteiro de dias, pois dura cerca de 365,24 dias. Já um ano civil precisa ter um número inteiro de dias. A maneira mais comum de conciliar essas durações é variar o número de dias do ano civil.

Nos calendários solares, acrescenta-se um dia extra, chamado dia bissexto ou dia intercalar, a um ano comum de 365 dias, aproximadamente a cada quatro anos. O resultado é um ano bissexto, com 366 dias. Esse procedimento é usado nos calendários juliano, gregoriano e nacional indiano.

O Decreto de Canopo, promulgado no Antigo Egito em 238 a.C., durante o reinado de Ptolemeu III Evérgeta, previa a inserção de um dia a cada quatro anos. O ano bissexto egípcio só foi adotado em 25 a.C., quando o imperador romano Augusto reformou o calendário alexandrino.

No calendário juliano e no gregoriano, que aperfeiçoou suas regras, a intercalação é feita pelo acréscimo de um dia a fevereiro nos anos bissextos. No juliano, isso ocorre a cada quatro anos. No gregoriano, os anos divisíveis por 100, mas não por 400, não são bissextos, o que torna o calendário mais preciso. Por isso, 2000 foi um ano bissexto, mas 1700, 1800 e 1900 não foram.

Os dias epagômenos são dias de um calendário solar que não pertencem a nenhum dos meses regulares. O calendário egípcio e o Haabʼ, dos maias, têm cinco desses dias por ano. Nos calendários copta e etíope, um sexto dia é acrescentado a cada quatro anos. O calendário revolucionário francês também tinha um sexto dia epagômeno nos anos bissextos. Em geral, esses dias ficam reunidos no fim do ano. No calendário de 364 dias dos textos de Qumran, havia um dia adicional ao fim de cada uma das quatro estações.

O calendário bahá'í acrescenta dias epagômenos antes do último mês, , ʿalāʾ, em quantidade suficiente para que o ano seguinte comece no equinócio de março. São quatro ou cinco dias, chamados Ayyám-i-Há.

No calendário persa, ou calendário solar da Hégira, usado no Irã e no Afeganistão, o início do ano é determinado pelo equinócio de março, que dá início à primavera no hemisfério norte, tomando Teerã como referência. Se o equinócio ocorre antes do meio-dia, no horário solar de Teerã, esse dia é o Noruz, o primeiro do novo ano. Se ocorre depois do meio-dia, o ano começa no dia seguinte. Essa regra determina a intercalação e produz anos de 365 ou 366 dias.

Calendários lunissolares O ano solar não contém um número inteiro de meses lunares. A relação aproximada é de 365 ÷ 29,5 = 12,37 lunações, de modo que um calendário lunissolar precisa variar o número de meses por ano. Os anos comuns têm 12 meses. A cada dois ou três anos, os anos embolísmicos recebem um décimo terceiro mês, chamado mês intercalar ou mês embolísmico.

A decisão de inserir um mês pode seguir ciclos regulares, como o ciclo metônico de 19 anos, usado no calendário judaico e no cálculo da data da Páscoa, ou cálculos das fases da Lua, como nos calendários lunissolares hindu e chinês. O calendário budista acrescenta meses e dias intercalares, em ciclos geralmente regulares.

Calendários lunares

Os calendários lunares não precisam intercalar meses para acompanhar as estações do ano, pois não buscam manter essa correspondência. Embora o movimento da Lua possa ser calculado astronomicamente, há calendários religiosos que dependem da observação direta.

O calendário islâmico, ou calendário lunar da Hégira, usado para fins religiosos pela maioria dos muçulmanos, depende da observação do primeiro crescente da Lua e não intercala meses. Cada mês tem 29 ou 30 dias, mas as diferenças entre os métodos de observação fazem com que, em geral, essas durações não sigam uma sequência regular. Tradicionalmente, o primeiro dia do mês começa ao pôr do sol, quando o hilal, o crescente lunar, é avistado pouco depois. Se ele não for visto logo após o 29.º dia do mês, o dia iniciado naquele pôr do sol será o 30.º. Isso pode acontecer porque as nuvens encobrem a Lua ou porque o céu a oeste ainda está claro demais quando ela se põe.

O calendário islâmico tabular é uma variante do calendário lunar da Hégira que segue regras aritméticas. É usado para prever o início dos meses lunares e converter datas históricas. Tem 12 meses que, nos anos comuns, alternam entre 30 e 29 dias. Em 11 anos de cada ciclo de 30 anos, acrescenta-se um dia ao último mês do ano.

Segundos intercalares O Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra pode determinar o acréscimo ou a retirada de um segundo intercalar no último dia de qualquer mês, com preferência por junho e dezembro. Em inglês, esses ajustes são chamados leap seconds ou intercalary seconds.

Outros usos A norma ISO 8601 estabelece um sistema de datas semanais em que o ano tem 52 ou 53 semanas. Um ano gregoriano com 53 quintas-feiras corresponde a um ano de 53 semanas nesse sistema. A semana adicional é uma semana intercalar.

O xiuhpōhualli, a "contagem dos anos" do calendário asteca, tinha cinco dias adicionais depois do décimo oitavo e último mês, chamados nēmontēmi. Nesses dias, a população jejuava e fazia penitência.

Ver também Calendário lunissolar, combina meses lunares com o ano solar Calendário mandeu, acrescenta cinco dias depois do oitavo mês Dias epagômenos, dias acrescentados fora dos meses regulares Epacta, diferença entre o ano solar e o ano de doze meses lunares

Categoria:Calendários Categoria:Unidades de tempo