Nuaime ibne Maçude () foi um chefe dos , ramo dos gatafanitas, e um dos companheiros de Maomé. Antes de se converter ao islã, participou de iniciativas dos adversários dos muçulmanos e, em 626, tentou desencorajá-los de enfrentar os coraixitas em . Durante a Batalha da Trincheira, em 627, Nuaime integrou inicialmente a coalizão que sitiou Medina, mas converteu-se secretamente ao islã e colocou-se à disposição de Maomé.

A pedido de Maomé, procurou provocar desconfiança entre os curaizaítas, os coraixitas e os gatafanitas, transmitindo a cada grupo informações destinadas a fazê-lo desconfiar das intenções dos demais. Sua atuação contribuiu para desarticular a cooperação entre os integrantes da coalizão. Após a batalha, realizou a Hégira para Medina e posteriormente participou da mobilização de sua tribo para a Conquista de Meca e a Expedição de Tabuque. Durante o califado de Omar , combateu no Cuzistão. As tradições divergem quanto à época de sua morte, situando-a durante ou no final do califado de Otomão , ou ainda por ocasião da Batalha do Camelo. Nuaime também transmitiu hádices atribuídos a Maomé.

Visa

Nuaime era filho de Maçude ibne Amir e pertencia aos , um ramo dos gatafanitas, do qual era chefe. Antes de se converter ao islã, esteve indiretamente envolvido nos acontecimentos que levaram à Expedição de Carcarate Alcudre. Enquanto se encontrava hospedado na casa de um judeu em Iatrebe, embriagou-se e revelou informações sobre uma caravana dos coraixitas cuja carga consistia em grande quantidade de prata em barras e objetos de prata. Um dos companheiros de Maomé que ouviu a informação comunicou-a a Maomé, que organizou a expedição em 3 A.H. (624); a caravana foi capturada juntamente com sua carga. Em 4 A.H. (626), quando Abu Sufiane soube que Maomé pretendia marchar para enfrentar os coraixitas no encontro posteriormente conhecido como , procurou evitar o confronto devido à escassez provocada pela seca. Nuaime, que então se encontrava em Meca, foi enviado por Abu Sufiane a Medina mediante a promessa de vinte camelos para que tentasse convencer os muçulmanos a desistirem da expedição. Diante de Maomé, exagerou os preparativos militares de Coraixe numa tentativa de desencorajá-lo.

Em 5 A.H. (627), Nuaime acompanhou os gatafanitas até as proximidades de Medina para participar da Batalha da Trincheira ao lado da coalizão que sitiava a cidade. Durante o cerco, encontrou-se secretamente com Maomé e declarou seu desejo de se converter ao islã, mantendo sua conversão desconhecida de sua própria tribo. Maomé pediu-lhe que continuasse ocultando-a e procurasse provocar desunião entre as forças adversárias. Nuaime dirigiu-se primeiro aos curaizaítas, que haviam decidido apoiar Coraixe e seus aliados. Advertiu-os de que os demais membros da coalizão não eram habitantes de Medina e poderiam retornar às suas terras caso a campanha fracassasse, deixando-os sozinhos diante dos muçulmanos. Aconselhou-os, por isso, a não combater ao lado dos coraixitas e gatafanitas sem antes receber como garantia alguns de seus homens mais proeminentes. Em seguida, procurou Abu Sufiane e afirmou que os curaizaítas haviam se arrependido de sua decisão e chegado a um acordo com os muçulmanos, pelo qual entregariam alguns dos principais coraixitas para serem mortos em troca da permissão para que os nadiritas retornassem às suas terras. Dessa forma, Nuaime contribuiu para provocar desconfiança entre os curaizaítas e os integrantes da coalizão.

Depois da Batalha da Trincheira, Nuaime realizou a Hégira para Medina. Quando Maomé se preparava para a Conquista de Meca, enviou Nuaime, juntamente com , à sua tribo para mobilizá-la a integrar o exército muçulmano. Nuaime recebeu missão semelhante por ocasião da Expedição de Tabuque, quando foi enviado aos membros de sua tribo para convocá-los a participar da campanha. Durante o califado de Omar , Nuaime participou das operações militares no Cuzistão. Quando se informou que , um comandante sassânida, estava hostilizando os muçulmanos da região, Sade ibne Abi Uacas colocou Nuaime e à frente de tropas de reforço enviadas contra ele. As fontes apresentam versões diferentes sobre a morte de Nuaime. Há relatos de que morreu durante o califado de Otomão , enquanto outros situam sua morte no final desse califado ou durante a Batalha do Camelo, antes da chegada de Ali a Baçorá. Nuaime transmitiu de Maomé um relato relacionado ao emissário enviado por Muçailima. Entre aqueles que transmitiram hádices de sua autoridade estavam seu filho e sua filha .

Bibliografia

Categoria:Gatafanitas Categoria:Árabes do século VII Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Conquista muçulmana da Pérsia Categoria:Generais do Califado Ortodoxo