Bir Mauna () era uma fonte de água da Arábia, situada na rota entre Medina e Meca. As fontes medievais geralmente a localizam na região entre os territórios dos amiritas e dos soleimitas, embora divirjam quanto à sua pertença tribal e à localização mais precisa. Uma tradição geográfica situa-a nos , associados ao território dos soleimitas. O local tornou-se conhecido pelo Incidente de Bir Mauna, ocorrido em Sáfar de 4 A.H. (julho de 625), quando um grupo enviado por Maomé foi atacado por clãs soleimitas mobilizados por Amir ibne Atufail, resultando na morte da maior parte de seus integrantes. A identificação de Bir Mauna permaneceu controversa entre os geógrafos e historiadores islâmicos, inclusive devido à sua confusão com outros poços da rota entre Medina e Meca.
Localização
Albacri descreve Bir Mauna como uma fonte de água dos amiritas. Citando Ibne Isaque, situa-a entre as terras dessa tribo e a harra dos soleimitas, mais próxima desta última. A mesma descrição é preservada por Iacute Alhamaui, segundo o qual Ibne Isaque situava o poço entre as terras dos amiritas e a harra dos soleimitas, embora mais próximo do território destes últimos. Iacute registra, contudo, outras tradições sobre sua localização e pertença tribal. Abu Ubaida considerava Bir Mauna uma fonte de água dos amiritas, enquanto Aluaquidi a situava nas terras dos soleimitas e dos quilabitas. Outra tradição geográfica, atribuída por Iacute a , situa Bir Mauna entre os , na rota seguida de Medina em direção a Meca, e atribui o local aos soleimitas.
Albacri também descreve Ablá como um conjunto de montanhas na rota entre Meca e Medina, junto a um vale chamado , e inclui Bir Mauna entre as diversas fontes de água existentes nas montanhas. Samudi, ao discutir a localização do poço, adota a identificação com Ablá e afirma que as montanhas se encontravam entre e . Ele menciona ainda a existência, naquela região, de um vale conhecido como Mauna, informação que considerava favorável à identificação do local. Em época moderna, ʿĀtiq al-Bilādī identificou Ablá como uma cadeia de montanhas negras situada a oeste de , estendendo-se para o norte e ligando-se, a oeste, à grande harra do Hejaz. Segundo ele, Bir Mauna ficava na encosta de Ablá; a região, antigamente ocupada pelos soleimitas, encontrava-se então no território da tribo dos .
Identificação nas fontes
A identificação de Bir Mauna não foi uniforme entre os autores medievais. Samudi chama atenção para a possibilidade de o nome ser confundido com o de , um poço situado entre Usfã e Meca. Ele rejeita a identificação entre os dois locais e sustenta que Bir Mauna, cujo nome termina em n, se encontrava nas montanhas de Ablá. Samudi registra, porém, que Cádi Iade situava Bir Mauna entre Usfã e Meca, interpretação seguida por outros autores, entre eles Ibne Hajar de Ascalão. Em contraposição, cita a descrição que coloca o poço entre as terras dos amiritas e a harra dos soleimitas e a tradição de Aluaquidi que o situa entre os territórios dos soleimitas e quilabitas.
História
Bir Mauna tornou-se conhecida nas fontes islâmicas pelo massacre ocorrido no local em Sáfar de 4 A.H. (julho de 625). Segundo a narrativa tradicional, , chefe dos amiritas, solicitou a Maomé que enviasse homens a Négede para ensinar o islã e garantiu-lhes sua proteção. O grupo enviado por Maomé acampou em Bir Mauna, situada, segundo Ahmet Önkal, na estrada entre Medina e Meca, entre os territórios dos amiritas e dos soleimitas e mais próxima destes últimos. Após a morte de , que havia sido enviado com uma carta de Maomé, Amir ibne Atufail tentou mobilizar os amiritas contra o restante do grupo. Estes se recusaram a violar a proteção concedida por Abu Bará, e Amir obteve então o apoio dos clãs soleimitas , e . O grupo muçulmano foi atacado e quase inteiramente morto no local. O episódio ficou conhecido como Incidente de Bir Mauna. A natureza do grupo enviado por Maomé e as circunstâncias da expedição são objeto de interpretações divergentes nas fontes modernas.
Bibliografia
Categoria:Geografia da Arábia Saudita